O que aprendemos, mas ainda não sabemos,

sobre as doenças zoonóticas.

Quarta feira, 5 de maio, em formato virtual.

 

A humanidade é periodicamente afetada pela emergência de epidemias, que em tempos antigos eram conhecidas como “pestes”. Com o evoluir dos cuidados de higiene, da saúde pública e da medicina o nosso conhecimento sobre os vetores de infeção que levaram a estas epidemias e sobre a forma de as controlar aumentou substancialmente, com uma grande aceleração a partir do sec XX.

Antigamente, as viagens levavam muito mais tempo e as sociedades não estavam tão interligadas como as do mundo de hoje. A globalização, as redes de transportes e a elevada complexidade da sociedade humana tornaram muito mais fácil a propagação das epidemias à escala do planeta, transformando-se rapidamente em pandemias. E temos de estar preparados.

O nosso conhecimento é incomparavelmente superior ao dos nossos antepassados e sabemos hoje que na origem de cada epidemia esteve, frequentemente, a transferência de um agente infecioso através dum animal que nos estava próximo. Aprendemos muita coisa sobre estas infeções, a que chamamos zoonóticas, mas ainda temos uma enorme dificuldade em prever e conter eficazmente a “peste” seguinte...

Continuamos a invadir e/ou a alterar os habitats naturais e a destruir a biodiversidade de ecossistemas onde as espécies vivem em equilíbrio há milhões de anos. Continuamos a provocar uma mudança climática à escala planetária, que afeta a distribuição dos seres vivos, emitindo gases com efeito de estufa para a atmosfera. E a criar megacidades que são locais perfeitos para a propagação de doenças infeciosas, principalmente nos bairros populosos em que o acesso a água potável, ao saneamento e a cuidados sanitários continuam deficientes.

Aprendemos muito, mas tudo indica que ainda estamos longe de conseguir integrar de forma coerente todos os dados acumulados para nos protegermos destas e de futuras doenças zoonóticas. Será só através de mais conhecimento que encontraremos soluções. Neste Café de Ciência investigadores, médicos, empresários e decisores irão debater como podemos aprender com a presente pandemia para nos prepararmos para a emergência da próxima. Para que as respostas sejam mais rápidas e mais inclusivas.