Ciência Viva é referência para a Comissão Europeia em Educação STEM
O recente relatório "Promoting STEM Education in Schools" da Comissão Europeia aponta o caminho para o futuro da educação em Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática, e Portugal surge bem-posicionado em vários domínios. Além de resistir melhor do que muitos países europeus ao declínio dos resultados em Ciências, promove programas de escala nacional, com impacto a longo-prazo, e participa em projetos considerados exemplares pela própria Comissão. Um deles é o CLEVERFOOD que teve como resultado uma exposição interativa liderada pela Ciência Viva.
Recentemente, a Comissão Europeia traçou um retrato abrangente do estado da educação nas áreas STEM na Europa, defendendo uma transformação profunda da forma como estas áreas são ensinadas nas escolas. A mensagem é clara: a Europa precisa de reforçar as competências científicas e tecnológicas das novas gerações para responder aos desafios da transição digital, da competitividade económica e da inovação. Para isso, é necessário mudar a forma de ensinar a ciência, tornando-a mais prática, interdisciplinar e ligada aos problemas reais da sociedade.
Para transformar a educação em STEM é necessária a colaboração sistémica entre as instituições públicas, as autoridades educativas e os atores não-estatais. O relatório reconhece o papel da Ciência Viva na influência nas políticas públicas e nas agendas em STEM através da coordenação entre escolas, instituições de investigação e o governo. Apesar da falta de modelos de parceria formais que limita a capacidade das escolas para desenvolver aprendizagens escaláveis em STEM, com visibilidade e com apoios a longo prazo, a Ciência Viva desempenha um papel importante de intermediação, apoiando atividades extracurriculares através da Rede Nacional de Clubes Ciência Viva na Escola e de ações de divulgação científica.
O relatório mostra um declínio das competências dos estudantes europeus em Ciências, sobretudo em Matemática. Muitos jovens concluem a escolaridade obrigatória sem os conhecimentos e competências considerados essenciais para prosseguirem estudos ou carreiras nas áreas científicas e tecnológicas, ao mesmo tempo que a Europa enfrenta uma crescente escassez de profissionais qualificados nestes setores. Mantêm-se, ainda, diferenças significativas entre países e persistem desigualdades de género, com uma participação feminina inferior nas áreas STEM. Também nesta área, a Ciência Viva destaca-se como exemplo na criação de parcerias para a equidade e para a inclusão, de iniciativas de envolvimento com os públicos e na promoção da igualdade de oportunidades de acesso à aprendizagem científica.
Portugal é um dos poucos países onde não houve uma diminuição estatisticamente significativa dos resultados em Ciências entre 2012 e 2022, ao contrário do que aconteceu na maioria dos restantes Estados-Membros da União Europeia.
É atribuído um papel central às experiências de aprendizagem realizadas fora da sala de aula. Museus, centros de ciência, universidades, laboratórios, empresas, organizações e projetos de ciência cidadã são identificados como parceiros fundamentais para complementar o ensino formal e proporcionar experiências práticas e imersivas.
E é também aqui que a Ciência Viva - Agência Nacional para a Cultura Científica e Tecnológica se afirma como instituição de referência. O trabalho de aproximação da ciência à sociedade desenvolvido pela Rede Nacional de Centros Ciência Viva, a valorização da aprendizagem experimental, as atividades práticas, a ligação entre escolas e cientistas e a participação pública na ciência correspondem a princípios que fazem parte da missão da Ciência Viva há 30 anos. Através das suas redes de parcerias descentralizadas, a Ciência Viva é um exemplo de como a educação não-formal em STEM pode alcançar escala nacional.
A referência ao CLEVERFOOD no relatório ganha particular relevância enquanto exemplo do tipo de projetos que a Comissão Europeia considera fundamentais para o futuro da educação STEM na Europa. Este projeto pretende transformar o sistema alimentar europeu, tornando-o mais sustentável, resiliente, regenerativo, circular e socialmente justo. O consórcio envolve 23 parceiros de oito países europeus, entre os quais Portugal, e a Ciência Viva liderou a conceção de uma exposição interativa e itinerante, de carácter lúdico e educativo - "CLEVERFOOD for everyone".
Ao promover a ligação entre ciência, educação e sociedade, a Ciência Viva continua a afirmar-se como um parceiro ativo na concretização das prioridades europeias para a literacia científica e tecnológica.
Ler Relatório na íntegra (em inglês)


