Moreira, Noel; et al.
A necessidade de exportar os conteúdos lecionados em sala de aula para fora da mesma, adotando alternativas metodológicas de aprendizagem não-formal, como saídas de campo, é cada vez mais importante na cimentação do conhecimento. Esta multiplicidade de estratégias de ensino e de aprendizagem vivenciadas pelo aluno poderão garantir maiores oportunidades para a construção do conhecimento, fornecendo aos alunos diferentes abordagens de um mesmo conteúdo. Desta forma, as saídas de campo possibilitam incrementar a motivação, o interesse e o conhecimento adquirido pelos alunos (Behrendt & Franklin, 2014), tornando assim as aprendizagens significativas (Ausubel et al, 1999). O ensino e aprendizagem das Ciências da Terra podem e devem ter lugar em contextos diversificados, proporcionando a oportunidade de observação in situ dos conceitos teóricos lecionados em contexto formal. É neste sentido que surge a saída de "ALMOGRAVE - SINES; da Pangeia ao Atlântico ou uma viagem ao Ciclo das Rochas", inserida na oferta formativa do Centro Ciência Viva de Estremoz. A saída foi concebida de forma a abordar os conhecimentos adquiridos pelos alunos do Ensino secundário, durante o seu percurso letivo. Muitas vezes, estes conhecimentos só ganham consistência e maturação quando o aluno se depara com o contexto natural. Aqui, os participantes são convidados a observar, analisar e discutir processos geológicos atuais, comparando-os com os registados no contexto geológico. Neste trajecto torna-se possível identificar e classificar diversas tipologias de rochas e de estruturas geológicas, como falhas e dobras, permitindo aos participantes criar associações entre os conceitos abordados em contexto formal e o real. Estas pontes facilitam a consolidação das matérias, a interligação de conhecimentos dispersos e a criação de teias de conhecimento, que permitem a compreensão dos fenómenos atuantes no passado geológico de Portugal Continental, desde a génese da Pangeia à abertura do oceano Atlântico (Dias et al., 2013). Igualmente importante é a inclusão de instrumentos que permitem dar visibilidade ao domínio das aprendizagens das Ciências da Terra, por parte dos alunos, tais como cartas geológicas, bússolas e prensas de modelação necessários à consecução das metas definidas.
2015
Ciências da Educação
Póster em Conferência
Antunes, Mariana; et al.
O Centro Ciência Viva de Estremoz (CCV Estremoz) pertence à rede Portuguesa de Centros de Ciência, criada com o objetivo de promover a cultura e literacia científicas em Portugal. A exposição permanente do CCV Estremoz, denominada Terra; Um Planeta Dinâmico, é constituída por mais de quatro dezenas de módulos interativos e expositivos, concebidos e adaptados para o entendimento dos processos geodinâmicos atuantes no nosso planeta. Transversal à compreensão destes processos, encontra-se a noção de tempo geológico, um conceito difícil de compreender pelos alunos, sobretudo em idades mais jovens (Bonito et al., 2010). Comummente, este conceito é trabalhado pelos manuais escolares com recurso à compactação dos 4550 milhões de anos da História da Terra num ano, situando aqui os diferentes eventos geológicos. Na exposição permanente do CCV Estremoz este conceito também é assim trabalhado. No entanto, é complementado com outras estratégias didáticas, destacando-se, a título de exemplo, o módulo A Ampulheta dos Milhões. Ao girar a ampulheta, assiste-se à passagem de cerca de um milhão de objetos. A partir daqui iniciam-se jogos matemáticos simples, através de uma interação pergunta-resposta com os alunos, com intuito de compreender as diferentes escalas associadas aos processos geológicos. Com efeito, não só se abordam os grandes números, relacionados com o tempo geológico, como também os pequenos números, relacionados com as lentas velocidades da maioria dos processos geodinâmicos. Interligando as diferentes escalas, é então possível concetualizar a Terra como um planeta dinâmico, e não estático, como muitas vezes dizem os nossos olhos, à escala de vida humana. Deste modo, trabalha-se um conceito praticamente abstrato com exemplos concretos, presentes no dia a dia dos alunos, o que facilita a sua aprendizagem (Cunha, 2006). Este módulo localiza-se no início da exposição, permitindo assim contextualizar os módulos seguintes, estabelecendo um fio condutor na exposição.
2015
Museologia
Póster em Conferência