R2UTechnologies | modular system
O Pacto de Inovação R2UTechnologies | modular system visa desenvolver uma solução inovadora em Portugal, no campo da pré-fabricação e construção industrial, para atender às necessidades crescentes do mercado global. O projeto é liderado pela Domingos da Silva Teixeira, S.A. (DST), num consórcio multidisciplinar que mobiliza 29 empresas e 18 ENESII, entidades altamente qualificadas, com conhecimento e experiência relevantes em diversas áreas relacionadas com o setor da construção.
Os eixos de atuação deste projeto estão focados no segmento da cadeia de valor do setor da construção, desde a fase de design até à operação e manutenção de edifícios durante todo o seu ciclo de vida. Visa ainda explorar diferentes conceitos técnicos de engenharia e design para o desenvolvimento de sistemas de construção industrial sustentáveis, eficientes, inteligentes e de alto desempenho.
A Ciência Viva tem um papel fundamental na comunicação do conceito e princípios do projeto, através do desenvolvimento de experiências interativas que abordam a temática construção industrial e materiais inovadores, potenciando o envolvimento do público.
Exposição
A exposição A Casa Por Vir propõe uma reflexão alargada sobre o futuro a partir do espaço que habitamos, abordando temas como a casa, a cidade, a construção industrial e a sustentabilidade. Partindo do presente, a exposição convida os visitantes a questionar de que forma vivemos hoje e como poderemos vir a habitar amanhã, considerando as transformações sociais, tecnológicas e ambientais em curso.
Através de experiências interativas e participativas, a exposição estimula a reflexão individual e coletiva, incentivando os visitantes a explorar ideias, hipóteses e visões pessoais sobre o futuro do habitar. O percurso expositivo não apresenta respostas fechadas, mas antes abre espaço ao pensamento crítico, à imaginação e ao debate.
O projeto expositivo estrutura-se a partir de um conjunto de soluções espaciais organizadas em quatro salas temáticas, concebidas com base em conceitos histórico-filosóficos relacionados com o corpo e o ato de habitar. Estes conceitos resultam do cruzamento entre o manifesto construtivo da Zethaus, o conceito filosófico de Devir, de Heraclito a Gilles Deleuze, e a obra O Livro por Vir, de Maurice Blanchot — uma referência central no pensamento filosófico sobre o futuro, a transformação e o que ainda está por acontecer.
Neste enquadramento, A Casa Por Vir apresenta um conjunto de experiências distribuídas por quatro núcleos temáticos — Corpo, Tempo, Espaço e Memória Imaginada — que estruturam o percurso da exposição. Cada sala propõe uma abordagem distinta ao futuro do habitar, explorando a relação entre o corpo e a arquitetura, a temporalidade da construção e da vida, a configuração dos espaços e a dimensão simbólica e imaginada da memória.
CORPO
A primeira sala parte de uma ideia fundamental: sem corpo não há espaço, nem arquitetura. O corpo é o primeiro território que habitamos, medida do mundo e lugar onde a experiência humana se inscreve.
Estruturas de madeira desenhadas à escala humana, inspiradas nas proporções anatómicas e no sistema Modulor de Le Corbusier, estabelecem um espaço de relação entre identidade, presença e transformação.
Os módulos apresentados convocam uma reflexão sobre os desafios demográficos, a sustentabilidade dos territórios e a construção de futuros possíveis, explorando temas como população, memória, linguagem e identidade.
TEMPO
Na segunda sala, a casa surge como lugar de memória e relação humana. Inspirado no sistema tradicional japonês Shoji, o espaço constrói um percurso de transição entre passado e futuro.
Aqui, a casa é entendida como um lugar onde se acumulam experiências, palavras, imagens, objetos e afetos. Um espaço vivo onde memória individual e memória coletiva se entrelaçam.
As experiências propostas exploram o desenho, a linguagem e a imaginação como formas de pensar o habitar e projetar novas possibilidades para a casa e para a cidade.
ESPAÇO
A terceira sala coloca uma questão essencial: como iremos construir?
No centro surge uma estrutura inspirada na forma universal da casa. Em torno dela apresentam-se materiais, componentes e sistemas associados à construção modular, bem como exemplos concretos da sua aplicação.
Entre objetos, imagens e conteúdos audiovisuais, esta área explora os processos de industrialização da construção e o seu potencial para responder aos desafios contemporâneos da sustentabilidade, eficiência e inovação.
MEMÓRIA IMAGINADA
O percurso culmina na memória, entendida não apenas como arquivo do passado, mas como matéria de imaginação e transformação.
Inspirado numa visão humanista da arquitetura e na ideia de Casa Comum, este espaço propõe um exercício coletivo de construção de futuros possíveis. Através de peças tridimensionais desenvolvidas no âmbito do Living Lab, os visitantes podem criar livremente espaços, estruturas e cidades imaginadas.
Porque construir começa sempre por imaginar.
Mais do que antecipar um futuro concreto, A Casa Por Vir convida à reflexão sobre o processo contínuo de transformação do habitar, colocando o visitante no centro de uma experiência sensível, crítica e especulativa sobre os modos de viver que ainda estão por vir.
