Padre Himalaya

Padre Himalaya

O Concurso Solar “Padre Himalaya” surge no âmbito da comemoração dos 100 anos do Galardão atribuído ao invento solar “Pirelióforo” do Padre Manuel António Gomes, que ficou para a História conhecido como “Padre Himalaya”, devido à sua elevada estatura, na Exposição Universal de Saint Louis (EUA) em 1904, celebrando a sua personalidade inventiva e pioneira na área das tecnologias de concentração da radiação solar.

O padre Himalaya nasceu em 1868, em Santiago de Cendufe, no concelho de Arcos de Valdevez. Após receber a ordenação sacerdotal, exerceu durante anos a docência das disciplinas que o apaixonavam — Ciências Naturais, Física e Química. Sentindo necessidade de aprofundar os seus conhecimentos científicos, partiu para Paris, seguiu as lições do físico Berthelot e de outros ilustres professores, ao mesmo tempo que ia trabalhando na aplicação das suas teorias matemáticas e astronómicas à construção de um aparelho para a obtenção de altas temperaturas através da captação das radiações solares, para o qual obteve do Governo francês, em 1899, a respectiva patente. No ano seguinte, construiu um segundo aparelho — que experimentou no alto dos Pirenéus orientais —, com o qual atingiu a temperatura de 1100 graus centígrados, e em 1902, já em Lisboa, construiu um terceiro, com o qual obteve 2000 graus, tendo então conseguido fundir um enorme bloco de basalto.

A fim de divulgar o seu invento, decidiu participar na Exposição Universal de St. Louis, em 1904, apresentando aí um aparelho ainda mais perfeito, que denominou de "Pirelióforo" — ou seja, "eu trago o fogo do Sol" —, com o qual conseguiu obter uma temperatura de 3500 graus, à qual fundem todos os metais e quase todas as rochas, e para cuja dispendiosa construção contou com o auxílio financeiro de vários particulares, nacionais e estrangeiros, tendo o Governo português de então contribuído com "apoio moral".

O padre Himalaya foi ainda o autor de outros inventos, mas um dos aspectos mais interessantes deste cientista visionário foi a sua percepção da importância das energias renováveis, defendendo a utilização da energia das marés e a generalização da energia hidráulica, para além de apontar a necessidade de aproveitar os inúmeros cursos de água existentes no país para a instalação de centrais hidroeléctricas que satisfizessem as nossas necessidades energéticas.

Morreu sem nunca ter alcançado o reconhecimento pela sua actividade notável.

Adaptado de “Inquilino do Seminário de Vilar”,
de José Manuel Lopes Cordeiro (7 de Maio de 2000)
in http://homepage.oninet.pt/873mzj/memo_f-l.htm




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