A ECLÍPTICA

Caderno Latitudes e Longitudes

  

  

Há mais de 2000 anos, os astrónomos egípcios e gregos, ao observarem o céu nocturno, aperceberam-se de que havia conjuntos de estrelas, as constelações, que mantinham aproximadamente as mesmas posições relativas.


Então imaginaram que o Universo era uma esfera enorme com estrelas fixas. Chamaram-lhe Esfera Celeste e firmamento ao conjunto de todas as estrelas fixas. Hoje sabemos que não é assim. As estrelas do firmamento movem-se, mas estão tão longe que é muito difícil observar o seu movimento, mesmo com os telescópios mais poderosos.


Como a Terra se encontra no centro da Esfera Celeste, de 24 em 24 horas, aproximadamente, vêm-se as estrelas na mesma posição do firmamento. E o que se passa em relação ao Sol?


Se marcarmos sobre a Esfera Celeste a posição do Sol ao meio-dia durante um ano, ele vai descrever uma circunferência, inclinada 23º 30’ em relação ao equador da Esfera Celeste. Esta órbita aparente do Sol na Esfera Celeste chama-se eclíptica. A inclinação da eclíptica é igual à inclinação do eixo Pólo Norte-Pólo Sul em relação ao plano da órbita da Terra.


É no dia 21 de Março aproximadamente ao meio-dia, no ponto em que o equador cruza o meridiano de Greenwich, que o Sol, no seu movimento aparente em torno da Terra, cruza o equador Celeste. É a partir desse instante que os relógios são acertados, que se contam os dias, as noites e as épocas do ano. Para manter esta regularidade do movimento aparente do Sol em torno da Terra é necessário acertar o calendário de quatro em quatro anos, nos anos bissextos e, menos frequentemente, atrasar ou adiantar os relógios de alguns segundos. Por exemplo, por decreto papal do ano de 1582, o dia 5 de Outubro passou a ser 15 de Outubro. Na passagem do ano de 1999 para o ano 2000, os segundos finais do ano de 1999 deverão ser contados da seguinte maneira: …, 5, 4, 3, 2, 1, 1, 0, ano 2000!


É o acerto da hora com as regularidades aproximadas do movimento dos corpos celestes que permite determinar latitudes e longitudes. Sabendo que a Terra roda em média 15º por hora, que no dia 21 de Março de 1999, no lugar da Terra 0º N 0º W, o meio-dia solar é às 12 h 06 min, podemos determinar, com uma aproximação de minutos, a hora do meio-dia solar em qualquer ponto da Terra.


Durante a época dos Descobrimentos os navegadores portugueses conseguiram fazer mapas das regiões descobertas apenas com o astrolábio, a bússola, um compasso, um globo terrestre e uma ampulheta. Um desses mapas é o planisfério de Alberto Cantino, de 1502.


Comparando os dois mapas, facilmente se conclui que, no planisfério Cantino, as latitudes, ou seja as posições dos trópicos e do equador, estão bem determinadas. As longitudes não estão bem determinadas devido à inexistência de bons relógios. Estes mapas, que forneciam uma ideia aproximada da forma dos mares e continentes, foram uma ajuda preciosa para os navegadores e comerciantes.


Actualmente, a determinação da longitude e da latitude pode ser feita por métodos electrónicos com base em satélites artificiais, ajudando navios e aviões a orientarem-se na Terra.


Com os satélites artificiais, é possível sabermos a nossa posição sobre a Terra, a hora e a altitude acima do nível médio do mar. São ao todo 24 satélites, a 20 200 km de altitude, que dão uma volta completa à Terra em 12 horas. Estes satélites estão constantemente a enviar para a Terra ondas de rádio que podem ser captadas por uma antena. Com um aparelho especialmente construído para captar esses sinais de rádio, sabemos imediatamente as nossas latitude, longitude e altitude sobre a Terra. Em qualquer ponto da Terra podem sempre receber-se os sinais de cinco a oito desses satélites.


Este processo designa-se por GPS que são as iniciais em inglês da designação Sistema de Posicionamento Global.



Constelação de satélites GPS na sua órbita em torno da Terra.

Cada satélite da constelação GPS está sempre a enviar para a Terra um sinal de rádio com a sua posição, latitude, longitude e hora. Umas ondas de rádio chegam primeiro, outras chegam mais tarde, dependendo da distância de cada satélite à antena. Recebendo os sinais de pelo menos quatro satélites, o aparelho GPS tem uma calculadora que foi programada para determinar a latitude e a longitude do local onde se encontra.


Actualmente, os aviões e os navios estão equipados com receptores GPS. No entanto, como a recepção de sinais GPS depende das condições atmosféricas, por razões de segurança, os navios têm sempre um sextante a bordo.