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6º Fórum Ciência Viva

Encontro: Ciência ao vivo para todos

Filomena Naves

Diário de Notícias, 12-05-2002

O carro eléctrico amarelo da Escola Secundária de Odivelas foi, talvez, um dos
projectos Ciência Viva que mais deu nas vistas no Pavilhão Atlântico, nos
últimos dois dias. Não era difícil. Com 12 cavalos e um rodar silencioso, de vez
em quando lá largava ele pavilhão fora, a fazer uma pequena demonstração, com o
professor responsável ao volante. Mas o carro eléctrico, que não pôde revelar
ali, por razões óbvias, todas as suas potencialidades (velocidade máxima de 100
km/hora e autonomia de 100 quilómetros sem necessidade de recarregar a bateria,
entre outras invejáveis características) era apenas um dos cerca de 500
projectos de ciência experimental em exposição. Ao todos foram ali mostrados
trabalhos de mais de 600 escolas de todo o País e de todos os graus de ensino,
no 6.º Fórum Ciência Viva, no Parque das Nações, que ontem terminou.



Criado em 1996, pelo ex-ministério da Ciência e da Tecnologia, o Ciência Viva
nasceu e cresceu para apoiar o ensino experimental das ciências e das
tecnologias nas escolas. E os frutos, a julgar pelos milhares de participantes e
as várias centenas de trabalhos em exibição, não têm faltado.



Os projectos das escolas patentes nos expositores no Pavilhão Atlântico "são
apenas metade do total dos projectos a decorrer actualmente em todo o País",
como explicou ao DN Rosália Vargas, que dirige o programa Ciência Viva-Agência
Nacional para a Cultura Cientifíca.



Realizado anualmente, o fórum "é um encontro de trabalho", diz a responsável
pelo programa, sublinhando que "o que se pretende, além de mostrar os projectos
em curso, é que surjam aqui ideias e se criem novas parcerias entre os
participantes".



Entre os milhares de pessoas que estiveram presentes no fórum - que terminou com
uma noite dedicada à observação das estrelas (e dos planetas, que se apresentam
nesta altura numa curisosa conjunção) - não estiveram apenas alunos e
professores. Numa área denominada "Fazer Ciência", 18 instituições científicas
fizeram demonstrações práticas do seu trabalho: da determinação do ADN dos seres
vivos à física das altas energias, com equipamentos mais ou sofisticados,
explicados numa linguagem simples aos mais novos.



"Todas os centros de investigações científica presentes, são co-participantes em
inúmeros projectos das escolas", explicou Rosálias Vargas, adiantando que essa
cooperação se tem revelado um sucesso.



Além de alguns espaços de demonstração já habituais nestes encontros, como "A
Cozinha é um Laboratório", que teve a colaboração do Chefe Joaquim Figueiredo e
de Maria de Lurdes Modesto, o fórum contou este ano com algumas novidades
também. Uma delas foi a "Robótica ao Vivo", com exibições dos robôs vencedores
da última competição nacional nesta área, que decorreu em Aveiro, no mês
passado. Além da demonstração das proezas das pequenas máquinas robotizadas,
percorrendo uma pista traçada no chão ou respeitando sinais de trânsito,
semáforos e passadeiras, aquele espaço apresentava também a candidatura de
Portugal à organização do Campeonato Mundial de Futebol Robótico em 2004, o
Robocup 2004.



Outra novidade muito procurada foi a "Oficina Web", onde uma equipa de técnicos
de informática, ilustradores e Web designers acompanharam e orientaram
professores e alunos na criação de páginas Web, durante os dois dias do
encontro.

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