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6º Fórum Ciência Viva

Apoio ao Ensino Experimental Através do Ciência Viva Não Está em Causa

Ana Machado

Público, 10-05-2002

No dia da
sexta edição de mostra científica anual das escolas, responsáveis afirmam ter
voto de confiança do Governo para continuar trabalho

Quando forem
dez da manhã, as portas do Pavilhão Atlântico, no Parque das Nações, em Lisboa,
abrem-se para o mundo da ciência. Como se analisa ADN? Que mistérios da natureza
podem a química e física ajudar a revelar? Centenas de escolas de todo o país, e
alunos de todas as idades, bem como instituições científicas nacionais e
investigadores de renome, juntam-se para ensinar e brincar com a ciência.
Contactada pelo PÚBLICO, a direcção do Ciência Viva - Agência Nacional para a
Cultura Científica e Tecnológica garante que tem o aval do actual ministro da
tutela para prosseguir o trabalho realizado nos últimos seis anos.


Ana Mafalda
Lapa, professora de Biologia da Escola Secundária de Cascais participa, com os
seus alunos, nos projectos e nos fóruns Ciência Viva desde o início, em 1997.
"Este ano pedi aos alunos para escreverem sobre as implicações da descodificação
do genoma humano em 2020. Ao mesmo tempo que trabalharam a biologia, trabalharam
a língua" portuguesa, explica a professora, que já colocou os alunos a analisar
ADN na saliva e a transformar plantas em espécies transgénicas nas bancadas dos
laboratórios da escola: "O Ciência Viva veio revolucionar completamente o ensino
da ciência experimental nas escolas", afirma.


Este é já o
sexto ano consecutivo que o Fórum Ciência Viva abre as portas à sociedade para
mostrar um ano de trabalho de ensino experimental da ciência, nas mais variadas
áreas, feito nas escolas de todo o país. No início do ano lectivo, os
professores propõem projectos a realizar ao longo dos vários períodos de aulas,
que têm por objectivo pôr a trabalhar em conjunto investigadores de várias
instituições, que fazem da ciência a sua profissão, com alunos de escolas, dos
vários níveis de ensino, e os respectivos professores. Os projectos são
analisados pela agência Ciência Viva e, se considerados positivos, recebem
incentivos, que podem passar pela atribuição de material, que reverte no fim
para os estabelecimentos de ensino, ou apoio na elaboração de "sites" e páginas
na Internet, através da Unidade de Apoio à Telemática Educativa.


O embrião deste
programa de apoio ao ensino experimental das ciências surgiu em 1996, com a
então criada Unidade Ciência Viva, por despacho do Ministério da Ciência e da
Tecnologia (MCT) dirigido por José Mariano Gago. O objectivo era "apoiar as
acções dirigidas para a promoção da educação científica e tecnológica na
sociedade portuguesa, com especial ênfase nas camadas mais jovens e na população
escolar dos ensinos básico e secundário", pode ler-se no sítio na Internet do
projecto em

http://www.cienciaviva.pt
.


Rosália Vargas,
directora do Ciência Viva - Agência Nacional para a Cultura Científica e
Tecnológica, explica que o estatuto deste organismo se baseia numa associação
sem fins lucrativos com um grupo de 13 sócios, ou seja, 13 instituições ligadas
à ciência, entre as quais se incluíam o Observatório das Ciências e Tecnologias
e o Instituto para a Cooperação Científica e Tecnológica Internacional, os
organismos agora extintos pelo Governo.


A extinção
destes organismos criados pelo MCT pode também colocar em causa a existência ou
estrutura actual do Ciência Viva? Rosália Vargas garante que a continuidade do
Ciência Viva não está em causa: "Já tive uma audiência com o senhor ministro e a
atitude dele para com o Ciência Viva é muito positiva", explica. Para além
disso, continua, os estatutos da agência não permitem que o seu fim resulte de
uma simples decisão administrativa: "O Ciência Viva não está em causa, e para
além disso só pode ser extinto pelos seus sócios".




Para além da ciência nas escolas, o Ciência Viva tem vindo ainda
a promover acordos entre escolas e instituições científicas, que oferecem
estágios de Verão aos alunos, e iniciativas de divulgação científica viradas
para a sociedade em geral, como é o caso da iniciativa Geologia no Verão. E há
ainda a rede de Centros Ciência Viva, que conta já com o Planetário do Porto, o
Visionarium da Feira, o Exploratorium de Coimbra, o Pavilhão do Conhecimento em
Lisboa, e o Centro Ciência Viva de Faro. Recentemente juntou-se à rede o
Planetário Calouste Gulbenkian, em Lisboa, e estão previstos mais três centros
para a Amadora, Estremoz e Tavira.

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