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A Ciência e o Espaço

Dezenas de portugueses interessados em tentar carreira de astronauta
Público On-Line, 15-05-2008

Primeiro concurso de recrutamento da ESA em Portugal

Dezenas de jovens recém-licenciados, mestres, doutorados e até um piloto profissional estão interessados em participar no primeiro concurso de recrutamento de astronautas realizado pela Agência Espacial Europeia (ESA) em Portugal.

Abordados hoje pela agência Lusa à margem da sessão de lançamento do concurso, no Pavilhão do Conhecimento - Ciência Viva, em Lisboa, vários foram os que disseram estar dispostos a aceitar o desafio e submeter-se à exigente selecção de candidatos.

Luis Vaz, 24 anos, licenciado em engenharia aeroespacial pelo Instituto Superior Técnico (IST), não vai perder a oportunidade de tentar realizar "o sonho" de ser astronauta, um objectivo partilhado por Inês Pereira, 21 anos, estudante de Medicina, ou Rute Fonseca, 23 anos, que acaba de terminar o curso de Astronomia na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto.

João Roque, 43 anos, piloto profissional já com mais de 10 mil horas de voo, disse à Lusa estar também a ponderar uma "carreira aliciante", e o mesmo se passa com Tânia Ferreira, 29 anos, geóloga, que há muito tempo deseja "ver a Terra do espaço".

O processo de recrutamento decorre entre 19 de Maio e 15 de Junho, devendo os candidatos inscrever-se on-line no site www.esa.int/astronautselection, onde deverão responder a um questionário e apresentar uma certificação médica equivalente à exigida aos pilotos profissionais.

São esperadas dezenas de milhar de candidaturas dos 17 países membros da ESA nesta primeira fase, mas apenas cerca de mil deverão passar aos patamares seguintes, que constam de testes psicológicos, de aptidão profissional e avaliação de capacidade cognitiva, exames médicos e entrevistas profissionais, até à decisão final, em princípios de 2009.

Apenas quatro escolhidos

Será escolhido apenas um pequeno grupo de quatro astronautas, mas os que integrarem a lista final poderão ficar como suplentes ou ter acesso a outras carreiras dentro da ESA ou de empresas associadas, segundo afirmou na sessão o alemão Horst Schaarschmidt, responsável do centro Europeu de Astronautas (EAC).

A ESA procura jovens com estudos científicos - preferentemente nas áreas das engenharias aeroespacial e mecânica, ou nas ciências naturais - e pilotos que tenham alguma experiência profissional e muita curiosidade pelo espaço.

"Não procuramos super-homens, mas pessoas capazes de desempenhar tarefas e deveres num ambiente espacial, ou seja, com capacidade tanto de mandar como de obedecer", resumiu o ex-astronauta alemão Ernst Messerschmidt.

Actualmente professor na Universidade de Estugarda, Messerschmidt tem formação como físico e doutorou-se no CERN, o Laboratório Europeu de Física de Partículas, na Suiça, sendo um exemplo do perfil exigido aos candidatos a viajar no espaço e a caminhar na Lua, dentro de 10 a 15 anos.

Foi no CERN, segundo afirmou, que conheceu como colega de doutoramento o actual ministro da Ciência e do Ensino Superior, Mariano Gago, que salientou na sessão a importância de estudar e trabalhar em Ciência.

"Ser astronauta não é um desporto radical, nem turismo", sublinhou Mariano Gago. "É preciso em primeiro lugar saber muita ciência, e sobretudo Física".

Na sua perspectiva, os candidatos deverão ter a noção de que "um astronauta é um cientista que trabalha mais tempo em terra do que no espaço, e que deverá ter capacidades humanas, sociais, culturais e científico-tecnológicas de alto nível".

Portugal pertence de pleno direito à ESA desde 14 de Novembro de 2000, sendo um dos 17 Estados-membros cujos cidadãos podem candidatar-se a este desafio.

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