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A Ciência e o Espaço

Veleiro solar deve ter ficado perdido no espaço

Teresa Firmino

Público, 23-06-2005


Admitia-se, ao fim da tarde de ontem, que a missão tinha falhado
O veleiro solar lançado anteontem à noite no espaço não ficou na órbita planeada, devido a um problema no foguetão durante o lançamento feito de um submarino nuclear russo, no mar de Barents.

As primeiras informações pouco depois do lançamento, às 20h46 (hora de Lisboa), indicavam que tinha corrido sem problemas, mas não foi assim. Ontem ao fim da tarde, a Sociedade Planetária, que concebeu o veleiro, admitia que a missão podia ter falhado.

"Devido à paragem espontânea do motor do primeiro andar do foguetão Volna aos 83 segundos de voo, o veleiro solar não atingiu a sua órbita", dizia a agência espacial russa Roskosmos.

Nas informações disponibilizadas às 18h30 de ontem, na página na Internet da Sociedade Planetária, admitia-se que a nave, a Cosmos 1, estava perdida no espaço. Considerava-se que a possibilidade de ter entrado na órbita correcta, a 800 quilómetros de altitude, era "muito pequena".

Mas enquanto as autoridades espaciais russas deram praticamente logo como perdida a Cosmos 1, e até punham a hipótese de ter caído em terra com os restos do foguetão - porque 83 segundos de voo é pouco tempo para pôr a nave no sítio certo -, a Sociedade Planetária tentava manter a esperança. Agarrava-se à eventual recepção sinais, em estações de rastreio terrestres, que poderiam ser oriundos da nave.

"A equipa da Cosmos observou, em três estações terrestres, sinais que parecem ser da nave", lê-se na página na Net. "Isto pode indicar que a Cosmos 1 conseguiu entrar em órbita, mas provavelmente numa órbita mais baixa do que se pretendia. Agora, a equipa considera isto como uma probabilidade muito baixa. Mas como existe uma pequena hipótese de ter acontecido, os esforços para contactar e detectar a nave vão continuar", diz-se.

"Se a nave conseguiu entrar em órbita, o seu programa autónomo pode estar a funcionar e, ao fim de quatro dias, as velas poderão abrir-se", afirma-se ainda, embora se considerem as hipóteses de tal acontecer como "muito, muito pequenas".

Este era o culminar de um longo dia a tentar perceber o que tinha acontecido ao veleiro solar. Fazendo arqueologia dos acontecimentos, a Sociedade começou por anunciar, às 22h50 de anteontem, na sua página, que os três andares do foguetão se tinham separado correctamente. Isto significaria que o lançamento teria corrido bem.
Quinze minutos após a partida, uma estação em Terra recebeu o sinal.

Apesar de apenas o ter recebido cerca de três minutos, a Sociedade dizia que isso não significava necessariamente que algo de errado se passou. Ao reanalisarem-se os dados, as esperanças da equipa de que a Cosmos 1 estava na órbita correcta mantinham-se: parecia que outras estações tinham detectado o seu sinal.

"A boa notícia é que temos razões para crer que está viva e em órbita", chegou a dizer Bruce Murray, da Sociedade. "A má notícia é que não sabemos onde está."

Mas os ânimos iam esmorecendo. Se estiver numa órbita muito baixa, vai reentrar e desintegrar-se na atmosfera. Se se confirmarem os piores cenários, fica por testar uma nova tecnologia de propulsão, já que a Cosmos 1 iria abrir as suas oito velas e navegar com o impulso dos fotões. Será a segunda vez que o projecto sofre um falhanço, pois em Julho de 2001 tentou lançar-se um protótipo da Cosmos 1, que não conseguiu separar-se do foguetão.

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