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A Ciência e o Espaço

Portugueses Ligados a Observatório Francês Estudam Os Ventos e a Atmosfera de Titã

Teresa Firmino

Público On-Line, 14-01-2005


A atmosfera de Titã tem sido estudada por dois investigadores portugueses, David Luz, de 32 anos, e Alberto Negrão, de 28. O primeiro fez o doutoramento sobre os ventos e como estes influenciam o transporte das brumas alaranjadas. O segundo prepara o doutoramento sobre a baixa atmosfera e a superfície.

O fascínio por Titã começa por ser a única lua do sistema solar com uma bolha de gases em volta, descoberta em 1907 pelo espanhol José Comas Solá e confirmada, em 1944, pelo holandês Gerard Kuiper, que detectou metano. Tem uma atmosfera opaca, com brumas espessas e ventos. "É a única lua planetária com uma atmosfera dessas, portanto tem meteorologia. Pode comparar-se com a Terra, Vénus e Marte", diz David Luz, do Observatório Astronómico de Lisboa e agora a trabalhar no Observatório de Paris-Meudon, com uma bolsa de pós-doutoramento.

David Luz pensava desenvolver um modelo da atmosfera na tese. Ficou a saber que alguém já trabalhava nisso,: Frédéric Hourdin, do Laboratório de Meteorologia Dinâmica, em Paris, com quem passou a colaborar.

Queria explicar diferenças de brilho na atmosfera entre os hemisférios norte e sul, observadas pela sonda Voyager 1 em 1980. Era Primavera, por isso deveriam observar-se as mesmas condições nos dois hemisférios, igualmente iluminados pelo Sol. Mas não: o sul era mais brilhante. David Luz e a sua equipa conseguiram desenvolver um modelo explicativo dessas diferenças, no qual os ventos têm um papel importante.

A 250 quilómetros de altitude, os ventos atingem 360 a 720 quilómetros por hora. Nos tufões terrestres, os ventos chegam aos 180 quilómetros. "À superfície são mais fracos. Devem ser da ordem de poucos metros por segundo", diz o astrofísico.

A sonda Cassini, da NASA, passará os próximos quatro anos a estudar o sistema saturniano, com mais de 30 luas. Foi presa à Cassini que se manteve, até 25 de Dezembro, a sonda europeia Huygens e que agora vai descer pelas brumas até ao solo. "Vai ser a confirmação no local das nossas medições", diz David Luz.

Já Alberto Negrão, da Faculdade de Ciências de Lisboa e do Observatório de Paris-Meudon, investiga a baixa atmosfera e a superfície, através de registos da radiação infravermelha obtidos por telescópios na Terra. Tenta descobrir o que existe lá quimicamente: por exemplo, gelo de água, metano ou lamas e a quantidade de partículas e metano na atmosfera.

Através de um dos orientadores do seu doutoramento, a grega Athena Coustenis - envolvida num aparelho da Huygens que vai tirar fotos e fazer registos em vários comprimentos de onda do espectro electromagnético -, Negrão espera ter acesso a dados da missão. A ideia é comparar os dados globais dos registos que já tem com os dados locais obtidos pela sonda.

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