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A Ciência e o Espaço

Jovens na Agência Espacial Europeia

Filomena Naves

Diário de Notícias, 08-10-2004


EM NOORDJIK

Bruno Silva e João Almeida já tinham visto satélites, salas de testes com máquinas exóticas e técnicos de batas azuis, e mais tudo o resto que anda à volta das tecnologias do espaço. Mas, ver tudo isso ao vivo no ESTEC, um dos centros de pesquisa da Agência Espacial Europeia (ESA), em Noordjik, perto de Amesterdão, foi para ambos um acontecimento e, também, uma revelação. «Só no local é que se percebe a magnitude daquele espaço enorme e daquelas câmaras de teste dos satélites. As fotografias não nos dão isso», explicam os dois jovens alunos do 12.º ano da Escola Secundária Alves Martins, de Viseu.

O João e o Bruno têm 16 e 17 anos, respectivamente, e a visita que fizeram, na terça-feira, ao centro da ESA, na Holanda, foi o prémio que conquistaram ao vencer o concurso científico Desafios, do Ciência Viva.

No ESTEC visitaram as instalações, viram as câmaras onde são testados, para a resistência ao ruído extremo e às vibrações idênticas às de um lançamento, os satélites que a ESA envia para o espaço. Esse é um passo crucial para garantir que tudo corre bem na hora H. Tiveram ainda o raro privilégio de ver ao vivo o ATV - o veículo europeu que abastecerá a partir do Outono de 2005 a estação espacial internacional - que ali está agora a ser testado.

Os Desafios foram uma colaboração do cientista português Manuel Paiva, radicado na Bélgica, com o Ciência Viva. Entre Novembro de 2003 e Maio último, Paiva, que dirige o Laboratório de Física Biomédica da Universidade Livre de Bruxelas e faz estudos científicos em missões da ESA e da NASA, lançou uma série de desafios aos estudantes portugueses, partindo de problemas ligados à temática do espaço.

«Quis contribuir para motivar os jovens portugueses para a ciência», disse Paiva ao DN, subli-nhando que o projecto também serviu para afirmar o seu «apoio ao Ciência Viva, acusado de despesista pelo então ministro [da Ciência], Pedro Lynce».

O João e o Bruno, na altura os dois únicos alunos do Clube de Ciência da sua escola, participaram nas sete edições, venceram-nas todas no seu escalão etário e ganharam a visita ao ESTEC.

«Tivemos prémios em todas os desafios, CD-ROM e livros, que demos à biblioteca da escola», recorda o João, confessando que o desafio de que mais gostou foi o que exigiu pesquisas sobre o comportamento dos fluidos em imponderabilidade e a sua explicação do ponto de vista da física.

O João e o Bruno querem estudar medicina mas as notas não os apoquentam, já que têm ambos confortáveis médias de 19. Talvez por isso, e pela curiosidade e o entusiasmo que demonstram, conseguem espaço nas suas vidas para estas actividades extracurriculares, que, alargando os horizontes, são também divertidas e gratificantes. Não é por acaso que estes dois alunos integram, com outros sete estudantes da mesma escola secundária de Viseu, a delegação portuguesa que ficou apurada para participar no Parlamento Europeu Jovem, que decorre em Berlim, já em Novembro.

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