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A Ciência e o Espaço

Planeta vermelho envergonhado
TSF - online, 28-08-2003

«Parecia um grãozinho de arroz vermelho», disse André, que quer ser astrofísico e espreitou Marte numa noite espacial no Pavilhão do Conhecimento. Alguma desilusão na noite em que o Planeta Vermelho mais se aproximou do Planeta Azul, que não levou a magia do momento.

André esperava ver a imagem do planeta maior, «aí com um centímetro». O repórter da TSF encontrou-o no Pavilhão do Conhecimento, um dos locais onde foram organizadas sessões para ver de perto o planeta Marte.

Foram muitos os que quiseram ver de perto o planeta, mas a desilusão foi, para alguns, a nota dominante. Esperavam ver a bola vermelha maior, mas nem os mais potentes telescópios e binóculos ajudaram. Afinal, apesar da proximidade à Terra, são ainda 55,578 milhões de quilómetros que separam os dois planetas do sistema solar.

O astrónomo Marcos Pereira explica: «Marte quando está mais longe é um pontinho vermelho que não se distingue muito no céu. Agora como está, é como se fosse uma estrela muito brilhante e não mais do que isso».

Os cientistas que já viram as imagens captadas pelo telescópio espacial Hubble, têm outro ponto de vista. Literalmente. Falam em fotografias espectaculares, únicas: «Nunca vimos uma resolução como esta nas imagens do Hubble, com tanto detalhe», disse o astrónomo Jim Bell, da Universidade de Cornell.

Numa das imagens divulgadas vê-se claramente a camada de gelo que cobre o polo sul de Marte. Observam-se também crateras a pontuar a superfície laranja-acastanhada do planeta, bem como nuvens esbatidas azuladas à sua superfície.

Os cientistas estudarão agora as fotografias em pormenor, esperando fazer algumas descobertas.

«Antes olhávamos para grandes áreas e muitas coisas tendiam a ficar de fora», referiu Michael Wolff, astrónomo do Space Telescope Science Institute de Baltimore. «Agora há a possibilidade de vermos coisas em que não tínhamos antes reparado», frisou.

Embora as naves que orbitam Marte possam mostrar objectos com maior pormenor, muitas vezes são incapazes de dar uma imagem de todo o planeta de uma só vez, ou de todo o dia marciano, explicou.

Em comparação com os telescópios existentes na Terra, o Hubble está livre dos efeitos de distorção da atmosfera terrestre. Além disso, tem instrumentos que lhe permitem captar comprimentos de onda, algo que as naves em órbita de Marte não podem ver.

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