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A Ciência e o Espaço

NASA Espera Dificuldades no Solo Marciano

Teresa Firmino

Público On-Line, 09-06-2003

Até que a missão Mars Exploration Rover, composta por dois robôs, chegue em segurança ao solo marciano, a NASA estará com o coração nas mãos. Muitas das missões a Marte redundaram em falhanços. A agência espacial norte-americana não exclui a hipótese de problemas durante esta missão, nomeadamente na altura da chegada dos robôs, o primeiro no início de Janeiro de 2004 e o segundo no final desse mês. "Poderemos ter uma má jornada em Marte se o tempo estiver mau, se houver vento", diz Ed Weiler, um dos administradores da NASA.

A agência espacial considera esta missão como de alto risco. Das 30 missões a Marte, levadas a cabo pela ex-União Soviética, a Rússia e os Estados Unidos, pode considerar-se que, até agora, apenas tiveram sucesso cerca de uma dúzia, sublinhou Ed Weiler. Nesta contagem, o responsável da NASA já inclui as duas sondas neste momento a caminho de Marte - uma da Europa, a Mars Express, e outra do Japão, a Nozomi. Das nove tentativas para aterrar em Marte, só três resultaram, disse ainda.

"Fizemos tudo o que era possível para eliminar os riscos desta missão", prossegue Ed Weiler, citado pela agência Reuters. "Mas Marte é ainda um planeta letal. É o cemitério de muitas, muitas sondas."

É certo que Marte oferece muitos perigos, como as famosas tempestades de areia, que podem cobri-lo por completo. Algumas sondas desapareceram, sem mais nem menos, ao entrarem na atmosfera marciana, mas o falhanço de outras deveu-se a erros humanos. A NASA sofreu uma grande humilhação com a Mars Climate Orbiter, que foi lançada em 1998 e deveria chegar ao planeta em 1999. Os engenheiros utilizaram dois sistemas de medidas, um que usa quilómetros e outro milhas, e o resultado foi uma sonda espatifada durante a entrada na atmosfera.

De resto, os anos 90 começaram logo com um desaire. Em 1992, os EUA lançaram a Mars Observer mas, em 1993, a três dias da entrada em órbita de Marte, a sonda ficou muda: nem um sinal chegou à Terra. Em 1996, os russos tiveram o seu fracasso dessa década com a Mars 96, que reentrou na atmosfera da própria Terra um dia após o lançamento no espaço.

Os Estados Unidos conheceram novo fracasso em 1999, com a Mars Polar Lander. Levava a bordo outras duas pequenas sondas, a experiência Deep Space 2, que deveriam embater na superfície do planeta e perfurá-lo até um metro de profundidade, enquanto a Mars Polar Lander iria pousar lá. Mas perdeu-se o contacto com os aparelhos, depois da data prevista da chegada. A missão colidiria com o planeta devido a erro no "software".

As excepções, nos anos 90, a este rol de desgraças são a Mars Global Surveyor, lançada em 1996 e ainda em órbita, e a Mars Pathfinder, que pisou o planeta em 1997. O seu robô, o Sojourner, caminhou por Marte e encantou-nos a todos. A NASA quer agora melhorar esse feito.

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