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A Ciência e o Espaço

Cientistas Portugueses Querem Estudar Dados da Mars Express

Teresa Firmino

Público, 03-06-2003

Pelo menos 17 cientistas de Portugal estão a torcer para que a missão da sonda europeia Mars Express seja um sucesso. A Agência Espacial Europeia (ESA) aprovou-lhes as propostas, agora reformuladas num único projecto - que se chama MAGIC, a sigla de Mars Atmospherical, Geophysical and Exobiology Characterisation -, destinado a analisar dados que a sonda irá recolher em Marte.

O MAGIC está em fase de avaliação por parte da Fundação para a
Ciência e Tecnologia (FCT), a instituição em Portugal que financia a
investigação científica e à qual foi apresentado há cerca de dois meses.

Mas se receber fundos da FCT, então os 17 cientistas, a que se juntarão vários estudantes, vão dedicar-se a diversos aspectos de Marte.

Um dos objectivos é a construção de mapas geológicos e geofísicos da
superfície marciana. Os cientistas também querem saber como é a distribuição do vapor de água na atmosfera marciana. "Queremos fazer
um mapa da distribuição do vapor de água na atmosfera de Marte e
estabelecer a relação entre as variações espaciais do vapor de água e a geologia do planeta. No fundo, estamos à procura de fontes de água na superfície de Marte", diz Maarten Roos Serote, coordenador geral do projecto, que pertence ao Observatório Astronómico de Lisboa.

Não será tudo, já que o MAGIC, cuja coordenação científica é de Ivo
Alves, do Instituto Geofísico da Universidade de Coimbra, também vai
procurar indícios de vida. Será principalmente metano, mas não só, que os investigadores vão procurar, já que este gás pode estar associado à vida.

Por fim, os cientistas vão traçar um retrato da estrutura vertical da
atmosfera marciana - como a pressão, densidade e temperatura -, graças aos dados recolhidos o Beagle 2, o robô que vai a bordo da Mars Express e irá pousar no solo marciano. Até ao pouso, recolherá dados durante a travessia pela atmosfera de Marte.

"Vamos ter os dados de diversos instrumentos da Mars Express, que nos
vão chegar uns seis meses depois de serem adquiridos", conta Maarten
Roos Serote. "É uma excelente oportunidade para Portugal, que acabou
de entrar na ESA", diz o astrofísico holandês referindo-se à adesão de Portugal, em 2000, ao clube europeu do espaço.

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