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A Ciência e o Espaço

Mércurio Vai Passear em Frente ao Sol

Por Máximo Ferreira

Público, 06-05-2003

Mercúrio vai passar em frente ao Sol amanhã de manhã, a partir das 7h00. Não será exactamente um eclipse: não se avista o planeta mas sim um ponto escuro correspondente à porção do disco solar que ele oculta. É um fenómeno designado por trânsito e esta vai ser a primeira vez que acontece neste século.

Como os observadores se situam (geralmente) sobre a Terra, um trânsito só pode ser provocado pelos planetas chamados "inferiores" (aqueles que têm órbitas interiores à da Terra) ou seja, Mercúrio e Vénus. Registam-se cerca de 12 trânsitos de Mercúrio por século mas, como a órbita de Vénus a é consideravelmente mais ampla que a de Mercúrio, os trânsitos de Vénus são ainda mais raros, ocorrendo dois com intervalos próximos de oito anos seguidos de um outro só ao fim de mais de 100 anos! Assim, o próximo trânsito de Vénus ocorrerá no ano vem, o seguinte verificar-se-á em 2012, e fenómeno só se voltará a repetir em Dezembro de 2117!

Porque Mercúrio é muito pequeno (possui um diâmetro ligeiramente inferior a 5 mil quilómetros), a sua passagem na frente do Sol será assinalada apenas por ponto escuro de pequenas dimensões, só perceptível com telescópios - embora esteja ao alcance dos mais modestos.

Naturalmente, porque os telescópios terão de ser apontados ao Sol, é indispensável protegê-los com filtros especiais ou utilizar o método de projecção a fim de evitar danos irreversíveis nos olhos de quem espreitar directamente, e até, eventualmente, dos equipamentos. Existem indicações úteis em http://www.eso.org/outreach/eduoff e em http://www.cienciaviva.pt.

O primeiro trânsito de Mercúrio do século XXI começará quando, em Portugal, o Sol estiver ainda abaixo do horizonte, amanhã de manhã. Às 7h00 já se verá o referido ponto escuro no bordo superior do disco solar, progredindo depois para a direita e ligeiramente para baixo. Se o trânsito se verificasse exactamente segundo o diâmetro do Sol, o fenómeno demoraria perto de nove horas. No entanto, porque a passagem se faz consideravelmente acima, o trânsito terminará um pouco antes do meio-dia.

O acontecimento, que para a maioria dos observadores constituirá apenas uma curiosidade, envolve ainda o interesse de determinar rigorosamente os momentos em que o planeta toca o disco solar, quando todo o seu diâmetro fica sobre o disco (imersão ou ingresso) e quando - algumas horas depois - os acontecimentos ocorrem, então por ordem inversa, o que tecnicamente se designa por emersão ou egresso.

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