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Doenças tropicais

Portugal desenvolve investigação de ponta em doenças tropicais, internacionalmente reconhecida pela comunidade científica. Na investigação da malária, destaca-se o trabalho de cientistas do Instituto de Higiene e Medicina Tropical, do Instituto Gulbenkian de Ciência e do Instituto de Medicina Molecular, para além daquele levado a cabo por uma rede de investigação dos países lusófonos, específica para a malária, que envolve a CPLP.

Os cientistas portugueses apresentaram uma proposta inovadora ao introduzirem o monóxido de carbono como possível terapia para a inibição da malária cerebral, estudo publicado na revista científica Nature Medicine. Recorde-se que a malária cerebral é uma das formas mais severas da doença e afecta milhões de pessoas em todo o mundo, principalmente crianças com menos de 5 anos – calcula-se que seja responsável pela morte de três milhões de crianças por ano. Plasmodium falciparum é o nome do parasita responsável pela malária cerebral, disseminado através de mosquitos nas zonas tropicais.

Ana Pamplona, investigadora da Unidade de Malária do Instituto de Medicina Molecular, utilizou ratos de laboratório para compreender a interligação entre os processos relacionados com a inflamação na malária cerebral, a enzima heme oxigenase-1 e o monóxido de carbono. Sabe-se que a doença é contraída exclusivamente durante a multiplicação assexuada do Plasmodium parasitário dentro das células sanguíneas e que, de forma silenciosa e unidireccional, se desenvolve no fígado, sendo defendida pelos nossos investigadores a tese de que é preciso atacar o parasita nesta fase de estágio.

A inalação será um possível meio de conduzir o monóxido de carbono aos tecidos e aos alvos celulares que se pretendem, e estão a ser efectuados testes com o apoio da empresa de biotecnologia Alfama, que produz moléculas libertadoras de monóxido de carbono.

O Centro da Malária e outras Doenças Tropicais é outra das frentes na investigação das doenças tropicais. Publica regularmente em revistas internacionais da especialidade e os seus estudos estão na vanguarda da compreensão das mutações e resistências da malária, essenciais para a preparação de uma vacina eficaz.

A vacina em preparação, resultado de mais de 20 anos de investigação, é baseada na proteína de uma fase de desenvolvimento do parasita transmissor da malária e tem o nome de RTSS. Esta vacina está em fase final de experimentação, com ensaios em várias regiões de África, abrangendo 15 a 20 mil pessoas. Se os resultados forem positivos, será a primeira vacina antiparasitária para combater a malária no ser humano. Espera-se que os resultados sejam conhecidos em 2010.

Por todas estas razões, este campo de investigação não poderia deixar de integrar os estágios científicos promovidos pela Ciência Viva através do programa Ocupação Científica dos Jovens nas Férias.




Encontre mais informação em:

http://www.cvtv.pt/home/pesquisa.asp?id_video=44


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