Prémio Ciência Viva Montepio - Educação 2017

Isabel Martins

Prémio Ciência Viva Montepio Educação 2017



Isabel Martins teve um papel fundamental na mudança de paradigma do ensino das ciências em Portugal, com o reconhecimento da necessidade de incluir práticas laboratoriais e investigativas em todo o percurso educativo das crianças.

O Prémio Ciência Viva Montepio Educação é atribuído pela sua carreira como investigadora e professora na área das ciências da educação, tendo produzido conhecimento, recursos educativos e formado equipas que permitiram essa mudança. Reconhecendo o longo caminho que ainda há a percorrer para que todas as crianças possam ter acesso a uma educação em ciências de qualidade, o trabalho realizado por Isabel Martins tem sido essencial para fundamentar essa mudança.


Perfil

Isabel Martins nasceu em Coimbra, onde viveu e estudou até completar a licenciatura em Química. Ainda estudante na Faculdade de Ciências da Universidade de Coimbra, foi monitora do departamento de Química; já licenciada, foi assistente na Faculdade de Ciências e Tecnologia desta universidade.

A reorganização da universidade a seguir ao 25 de Abril levou-a a sair para o ensino secundário, onde fez a profissionalização na Escola Secundária José Falcão, sempre em Coimbra. Os três anos de professora deste grau de ensino terão sido decisivos para perceber como é necessário mais que conhecimentos científicos para ser bom professor; e foram estes requisitos que decidiu investigar formalmente na área da educação.

No termo de uma década como assistente convidada do Departamento de Química e Departamento de Didática e Tecnologia Educativa da Universidade de Aveiro, Isabel Martins doutorou-se em Ciências da Educação/Didática das Ciência por esta universidade. No seu Departamento de Didática e Tecnologia Educativa completaria a carreira de professora, até se reformar como catedrática em 2011. Neste departamento, investigou sobretudo o ensino de ciências nos primeiros anos e a formação de professores moderna, reflectindo sobre e desenvolvendo formatos de trabalho com jovens alunos, recursos didáticos e ambientes de formação.

Isabel Martins assumiu vários cargos além da docência, nomeadamente direcções de departamento e de cursos, concepção de cursos de mestrado, vice-presidência do Centro Integrado de Formação de Professores, coordenação da Secção Autónoma de Didática e Tecnologia Educativa, vice-reitoria da Universidade Aveiro, e coordenação do Centro de Investigação Didática e Tecnologia na Formação de Formadores.

Isabel Martins foi uma presença regular nos concursos Ciência Viva para a melhoria de ensino experimental das ciências, aliando a investigação à acção nas escolas do 1º ciclo de Aveiro. Entre 1996 e 2001 sucessivos projectos permitiram levar práticas de ensino experimental das ciências a todas as crianças da cidade de Aveiro e concelhos limítrofes. Em paralelo, a introdução das ciências na formação inicial e contínua de professores do 1º ciclo e de educadores de infância, a criação de espaços laboratoriais para que esse ensino pudesse ter qualidade e a criação de recursos educativos para apoiar a prática lectiva dos professores nas escolas foram marcos importantes para que se começasse a esboçar uma mudança de paradigma relativamente ao ensino das ciências nos primeiros anos da escolaridade.

Em 2006 Isabel Martins foi convidada pela Ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, a desenhar e acompanhar um Programa de Formação de Professores para o Ensino Experimental das Ciências no 1.º Ciclo. Este programa, que decorreu entre 2006 e 2010, foi desenvolvido com quatro universidades e 14 politécnicos para desenvolver a formação inicial de professores, qualificando-os para despertar o gosto pela aprendizagem das ciências e para melhor ensinarem ciência ligada aos contextos sociais e quotidianos. Foi com este espírito que esteve à frente de outros projectos, como a elaboração dos currículos de Química para o ensino secundário, também a convite do ministério da Educação, em vigor entre 2002 e 2004; a organização dos seminários ibéricos de Ciência Tecnologia e Sociedade (CTS); e a constituição da Associação Ibero-Americana CTS de Educação em Ciências, de que foi presidente. E foi também este espírito que em 2009 a levou até Timor Leste, onde desenvolveu o projeto de reestruturação curricular do ensino secundário, incluindo um plano curricular, programas das 14 disciplinas e respectivos manuais para alunos e guias para professores.

Isabel Martins foi também homenageada em 2014 pela Universidade de Aveiro pela sua contribuição para a Educação em Ciências.

 

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