Grande Prémio Ciência Viva 2017

Carlos Fiolhais

Grande Prémio Ciência Viva Montepio 2017



O nome de Carlos Fiolhais é uma escolha que há muito se impõe para o Grande Prémio Ciência Viva Montepio. O currículo multifacetado deste cientista sempre foi pontuado pela participação cívica, partilhando o seu vasto conhecimento com a sociedade através da presença regular em escolas e conferências públicas, da publicação de artigos de opinião na comunicação social e de livros de grande circulação. Um olhar sobre o seu percurso revela uma curiosidade inesgotável que o levou das redes computacionais e da física da matéria condensada à história das ciências, mas também à espelelogia e à ficção científica.

Carlos Fiolhais sempre teve em especial apreço os livros, instrumento de eleição para a divulgação do conhecimento. Isto levou-o a dirigir a mais antiga biblioteca universitária, sem no entanto desdenhar a rádio, a televisão e a escrita de blogues, como o prestigiado De Rerum Natura. Deve-se também a ele a criação da primeira biblioteca pública inteiramente dedicada à disseminação científica para todas as idades, hoje Centro Ciência Viva Rómulo de Carvalho, integrado na rede nacional.

A uma carreira notável na investigação e ensino da Física, Carlos Fiolhais junta a disseminação da cultura científica e uma participação cívica activa e desassombrada.


Perfil

Carlos Fiolhais nasceu em Lisboa em 1956, mas cedo foi viver para Coimbra, onde completou os estudos até à licenciatura em Física (Universidade de Coimbra, 1978). Em 1982 doutorouse em Física Teórica em Frankfurt/Main, Alemanha, como bolseiro da Fundação Gulbenkian.

Assistente na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra de 1978 a 1983, foi nomeado professor catedrático desta faculdade em 2000. Foi professor convidado nos Estados Unidos, na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro e no Brasil. Os seus interesses científicos têm-se centrado na Física Computacional da Matéria Condensada e na História das Ciências – foi fundador e director do Centro de Física Computacional da Universidade de Coimbra.

É autor de mais de 140 artigos científicos em revistas internacionais (entre eles o artigo com um só autor de uma instituição nacional mais citado, acima de 10 000 citações). Dirigiu a revista Gazeta de Física, da Sociedade Portuguesa de Física, e é membro de comissões de várias revistas de Física internacionais, tendo presidido em Conselho Científico do European Physics Journal.

Foi director do Centro de Informática da Universidade de Coimbra, presidente do Conselho de Investigação do Instituto Interdisciplinar da Universidade de Coimbra, membro do Conselho Científico da Fundação para a Ciência e Tecnologia e dos corpos gerentes do Fórum Internacional dos Investigadores Portugueses.

Carlos Fiolhais ganhou o Prémio União Latina de tradução científica (1994), o Globo de Ouro de Mérito e Excelência em Ciência atribuído pela SIC e a Ordem do Infante D. Henrique (2005); os Prémios Inovação do Forum III Milénio e Rómulo de Carvalho da Universidade de Évora (2006); e o prémio BBVA para o melhor artigo pedagógico na área da Física no espaço ibero-americano (2012).

A sua carreira de investigador e professor regeu-se sempre por duas grandes motivações que tem conseguido articular como poucos: por um lado, o interesse pela pedagogia e ensino das ciências; por outro lado, a vontade de comunicar e partilhar o conhecimento e a cultura científica, dentro e fora da academia. De 1992 a 1995, enquanto presidente do Conselho Directivo do Centro de Informática da Universidade de Coimbra ligou a universidade à Rede de Cálculo Científico Nacional e desenvolveu os serviços da web da universidade.

Foi também o primeiro responsável pela presença na internet da Sociedade Portuguesa de Física.

Como director da Biblioteca do Departamento de Física da Universidade de Coimbra, criou a Biblioteca Rómulo de Carvalho, de divulgação científica. Em 2004 tornou-se responsável pela Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, onde dirigiu projectos de digitalização de documentos, e foi director do Serviço Integrado de Bibliotecas da Universidade de Coimbra, onde criou os repositórios digitais Estudo Geral e Almamater.

Carlos Fiolhais tem participado em centenas de acções de divulgação científica: palestras em escolas do ensino básico e secundário, autarquias ou associações, para alunos, professores e público em geral; conferências em encontros sobre educação, cultura e ciência; programas de rádio e televisão (foi consultor do programa “Megaciência”, SIC, e autor da rubrica “Experimenta!” no programa “Forum”, TVI).

Publicou 42 livros de cultura e divulgação científica, entre os quais os best sellers Física Divertida, Nova Física Divertida, Breve História da Ciência em Portugal, e os mais recentes Darwin aos Tiros e Outras Histórias de Ciência e Pipocas com Telemóvel e Outras Histórias de Falsa Ciência (os dois últimos com David Marçal); o ensaio Ciência em Portugal; a série de livros de ciência infantil "Ciência a Brincar" (em co-autoria); e numerosos manuais escolares (em co-autoria).

Dirige a prestigiada colecção Ciência Aberta, da Editora Gradiva, os programas de Educação e de Ciência e Inovação da Fundação Francisco Manuel dos Santos e colabora regularmente com os jornais Público, Sol, As Artes entre as Letras e Jornal de Letras.

Para além do seu amor aos livros, Carlos Fiolhais é também um dos criadores e corresponsável do prestigiado blogue de cultura científica De Rerum Natura.

 

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