Venus Express

Venus Express a caminho para investigar os mistérios escondidos dos planetas


Praticamente uma irmã gémea da sonda Mars Express, que se encontra na órbita do Planeta Vermelho desde Dezembro de 2003, a Venus Express é a segunda sonda planetária a ser lançada pela Agência Espacial Europeia (ESA).

A sonda foi lançada com sucesso a bordo de um foguetão Soyuz-Fregat, do cosmódromo de Baikonur, no Cazaquistão, no dia 9 Novembro de 2005. Está agora na trajectória que a levará até ao planeta Vénus, onde chegará em Abril de 2006.

A Venus Express irá colocar-se em órbita em torno de Vénus para efectuar um estudo detalhado da estrutura, composição química e dinâmica da atmosfera do planeta, que se caracteriza por temperaturas extremamente elevadas, pressão atmosférica muito alta, um enorme efeito de estufa e uma ainda inexplicável "super-rotação" que faz com que a atmosfera de Vénus se desloque em torno da superfície sólida do planeta em apenas quatro dias. A sonda europeia será também a primeira a sondar a superfície do planeta ao explorar as "janelas de visibilidade" recentemente descobertas na banda de ondas de infravermelhos.


A sonda com 1240 kg de peso foi desenvolvida para a ESA por uma equipa industrial europeia dirigida pela EADS Astrium com 25 adjudicatários principais espalhados por 14 países.

Impressão artística de Venus Express no espaço

Créditos: ESA

Porquê Vénus

No passado, tanto os russos como os americanos enviaram sondas a Vénus, por ser o planeta mais perto da Terra. Em termos de tamanho e massa, Vénus é “gémeo” da Terra e mesmo assim a sua evolução foi radicalmente diferente. Não se consegue perceber o tempo e atmosfera venusianos comparando-os com a Terra. Os cientistas não conseguem explicar alguns dos fenómenos atmosféricos que lá ocorrem. Por exemplo, o planeta apenas faz uma rotação uma vez em cada 243 dias mas, na atmosfera superior, ventos fortíssimos varrem Vénus levando apenas 4 dias a dar a volta ao planeta.

A superfície de Vénus é também um mistério; as crateras mais antigas parecem ter apenas 500 milhões de anos. Na Terra, as erupções de vulcões e os movimentos que causam terramotos asseguram que a energia liberta pelo nosso planeta é dissipada gradualmente. Isto provavelmente não acontece em Vénus. Em vez, a pressão interna vai aumentando até todo o planeta ficar envolvido numa erupção global, alterando a superfície do planeta e destruindo qualquer cratera anterior. A última vez que isto teria acontecido seria há 500 milhões de anos atrás e explicaria assim a ausência de crateras mais antigas.

Contudo, e embora e estudos tenha aberto diversas questões científicas, Vénus não tem sido alvo de muita atenção na última década.

A informação que Venus Express fornecerá poderá ajudar a desvendar estes mistérios.

Como é que Venus Express vai obter dados?

Venus Express é a primeira sonda a investigar a atmosfera venusiana globalmente, tentando perceber como é que ela “funciona”. Os cientistas vão procurar saber:

Para realizar estes estudos, esta sonda leva sete instrumentos a bordo, dos quais dois são específicos da missão e os restantes são instrumentos desenvolvidos para o Mars Express e Rosetta:

- espectrómetro de alta-resolução PFS (Planetary Fourier Spectrometer): medição da temperatura e composição atmosférica a diferentes altitudes. Também mede a temperatura à superfície e procura indícios de actividade vulcânica.

- espectrómetro de infravermelho e ultravioleta SPICAV/SOIR (Ultraviolet and Infrared Atmospheric Spectrometer) e VeRa (Venus Radio Science Experiment): monitorização da atmosfera, observação de ocultação estelar e detecção de sinais rádio; o primeiro, em particular, procura detectar moléculas de água, compostos com oxigénio e enxofre que se pensa estarem presentes na atmosfera.

- espectrómetro VIRTIS (Visible and Infrared Thermal Imaging Spectrometer): mapeamento das várias camadas da atmosfera e condução de observações em vários comprimentos de onda (entre 0,3 e 5 micrómetros) para fornecer imagens da dinâmica da atmosfera.

- ASPERA 4 (Analyser of Space Plasma and Energetic Atoms), com o apoio de um magnetómetro: análise da interacção da atmosfera superior e o vento solar em ausência de protecção magnetosférica, como a que existe na Terra (Vénus não têm campo magnético). Análise do plasma gerado por esta interacção, enquanto o magnetómetro estuda o campo magnético gerado pelo plasma.

Localização dos instrumentos da sonda Venus Express

Créditos: ESA

- camera VMC (Venus Monitoring Camera): monitorização do planeta em quatro comprimentos de onda. A camera também sera usada para monitorização da dinâmica da atmosfera, inclusive o duplo vortex atmosférico nos polos, cuja origem é ainda um mistério.


O papel de Portugal
Dois investigadores portugueses do Observatório Astronómico de Lisboa, Maarten Roos e David Luz, são co-investigadores no instrumento VIRTIS.

Com as imagens de Vénus que este instrumento vai obter, David Luz vai estudar os ventos de Vénus, com o apoio de Rute Gil e o Prof. David Berry, ambos da Universidade de Évora. Juntos eles vão desenvolver um método que permite determinar a intensidade e direcção dos ventos a partir de duas ou mais imagens consecutivas.

A temperatura da atmosfera consegue-se determinar em função da altitude entre 70 e 90 km de altitude, a partir da banda de absorção de CO 2 a 4,3 µm. Marteen Roos, vai utilizar esta informação para estudar a temperatura no planeta, tentando encontrar estruturas térmica na atmosfera.

Texto: Ciência Viva

Fontes : ESA: Venus Express, Science &Technology; informação fornecida por Maarten Roos, OAL

Informação adicional:

Veja o lançamento do Venus Express

Informações gerais sobre o Venus Express (inglês)

Os intrumentos do Venus Express (inglês)

Mantenha-se a par dos desenvolvimentos aqui (inglês)




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