Diário de Bordo


Diário de Bordo
12 de Abril de 2004






O mergulho de hoje no Canhão de Portimão, costa sul de Portugal, levou os mergulhadores à plataforma e talude continentais. O submersível Delta tocou no fundo da plataforma continental, que é a região do continente que já está debaixo de água, neste caso, a cerca de 120 m de profundidade.







O mar acima da plataforma continental é importante, uma vez que é uma fonte de comida e energia, tem um elevado valor comercial e é necessário para a navegação e para os desportos de recreio. Contudo, é muito vulnerável à actividade humana, como a pesca, a navegação e a poluição.







O talude continental nesta região é rico em crinóides, vulgarmente conhecidos como lírios-do-mar, do género Antedon sp., bem como em gamba-branca (Parapenaeus longirostris). Esta abundância mantém-se porque esta área não está exposta de uma forma significativa à pesca de arrasto. Este método piscatório perturba os fundos marinhos, arrastando, além dos peixes, organismos que vivem ligados ao sedimento do fundo.




A cerca de 150 m, o submersível foi rodeado por um cardume de cavalas (Scomber sp.). Como as luzes do Delta atraem o zooplâncton, do qual as cavalas se alimentam, estes peixes usufruíram de um almoço fácil. Os peixes, que no início nadavam a favor da corrente, voltaram-se e começaram a nadar contra a corrente. Assim, tudo o que tinham de fazer era abrir a boca, e esperar que a corrente levasse o zooplâncton lá para dentro.



Mais fundo, a 260 m, numa plataforma junto ao canhão, eram visíveis marcas de pesca de arrasto, bem como latas e garrafas de bebidas, sacos de plástico, entre outro lixo. A diversidade dos animais marinhos era muito menor que no talude, que está menos exposto à pressão piscatória.




Houve um período de excitação ao se descobrirem uns destroços, pensado-se que se tratava de um local de valor arqueológico. Contudo, os investigadores rapidamente concluíram que os destroços correspondiam a um cabo de metal de uma rede de arrasto moderna.




Amanhã, dia 13, os investigadores irão mergulhar no eixo do canhão à procura de locais de valor arqueológico. O objectivo da identificação destes locais é ajudar a perceber a riquíssima herança marítima portuguesa.


Curiosidade

A “neve marinha” é composta por partículas de matéria orgânica (como o plâncton) que estão suspensas na coluna de água, ficando com o aspecto de tempestade de neve subaquática. Infelizmente, esta “neve” reduz a visibilidade durante os mergulhos.

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