Pavilhão do Conhecimento


Trabalhos da turma - VIII
 
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Trabalhos da turma - VIII



Uma Investigação Científica


Hoje, dia 8 de Maio de 2003, trabalhámos no nosso projecto de turma. Depois de termos andado a estudar ao longo do ano as plantas medicinais e obra de Garcia da Orta, resolvemos fazer uma pequena investigação sobre os temperos e o seu uso no tratamento de algumas doenças.
Como “o melhor amigo do cientista é o ponto de interrogação”, começámos por pensar em algumas questões.

Questões para investigação:
1- Será uma coincidência que muitas das plantas medicinais que estudámos também servem para temperar a comida?
2- Será que algumas delas combatem os micróbios que causam doenças ou estragam os alimentos?

Pressupostos (o que já sabemos):
Quando visitámos a exposição do Museu Botânico de Coimbra intitulada “Biologia, Evolução e Biodiversidade no Mundo Vegetal, a Dr.ª Celestina falou-nos das bactérias. Aprendemos que são seres vivos muito antigos, dos primeiros a existir no nosso planeta.
São minúsculas, por isso só se vêem quando estão muitas juntas num sítio, ou então com a ajuda do microscópio. Há muitos tipos de bactérias, umas causam doenças, ou estragam os alimentos, mas outras são bastante necessárias e sem elas não podíamos viver. As bactérias estão por toda a parte e reproduzem-se muito rapidamente.

Para responder à primeira pergunta resolvemos realizar um inquérito a pessoas com experiência de cozinha.

Inquérito:
Indicar o nome a idade e a profissão dos inquiridos.

Perguntas:
1- Os alimentos crus (carne, peixe), conservam-se melhor depois de temperados?
2- Que temperos utiliza com mais frequência?
3- Costuma usar alguns destes temperos como remédios? Se sim diga quais são, como se utilizam e em que situações.


Hoje, dia 13 de Maio de 2003 fomos analisar os dados do nosso inquérito.

Número de inquiridos: 20
Idades entre os 31 e os 74 anos

Respostas:
1-Os alimentos crus (carne, peixe), conservam-se melhor depois de temperados?
18 responderam sim
2 responderam não

2-Temperos mais usados:
Alho - 19 pessoas; Sal - 17 pessoas; Pimenta - 11 pessoas; Limão - 10 pessoas; Salsa - 9 pessoas; Azeite - 9 pessoas; Coentros - 7 pessoas; Louro - 6 pessoas; Orégãos - 6 pessoas; Vinho - 4 pessoas; Pimentão - 3 pessoas; Vinagre - 1 pessoa

3- Usa os temperos como remédios?
18 responderam sim
2 responderam não

3-a) Quais?
Limão - 9 pessoas
Alho - 6 pessoas
Cebola - 5 pessoas
Salsa - 1 pessoa
Coentros - 1 pessoa

3-b) Para que doenças?
Garganta/constipações/gripe/tosse – limão, cebola, alho
Circulação/coração/colesterol – alho; salsa; coentros
Dores de barriga – alho
Reumatismo – alho

Conclusões:
Quase todos os inquiridos dizem que os temperos conservam os alimentos.
Os temperos mais usados são alho, sal, pimenta e limão.
Quase todos os inquiridos também usam os temperos como remédios.
Nesse caso os mais usados são o alho o limão e a cebola.

Pistas para investigação:
Perante estes resultados ficámos interessados em investigar as qualidades anti microbianas de alguns dos temperos mais utilizados.

Experiência:
No site do Ciência Viva encontrámos um vídeo sobre a experiência que duas investigadoras fizeram sobre este assunto no 4º Fórum. Chama-se “Micróbios à mostra na Escola”:

Então resolvemos escrever-lhes a pedir ajuda para o nosso trabalho:

De: Escola nº2 do 1º CEB da Figueira da Foz
Enviada: quarta-feira, 21 de Maio de 2003 11:37
Para: Margarida Guerreiro; Maria Conceição Loureiro Dias
Assunto: Temperos que curam
Olá Senhoras Investigadoras Maria da Conceição Loureiro dias e Margarida Guerreiro:
Nós somos alunos do 4º ano da Escola do Viso que fica situada na Figueira da Foz.
Nós temos andado a participar num projecto que se chama Invenções e Descobertas Europeias e o nosso tema deste ano é Garcia da Orta e as plantas medicinais.
Depois de todas as actividades que já realizámos resolvemos fazer um pequeno inquérito sobre as propriedades medicinais das plantas que servem para temperar.
As pessoas que entrevistámos eram 20, todas com experiência de cozinha e tinham entre 31 e 74 anos.
A turma perguntou às pessoas se os alimentos se conservavam melhor depois de temperados. 18 dos 20 inquiridos responderam que sim. Depois perguntámos que temperos usavam com mais frequência e se também os costumavam usar como medicamentos. Os temperos mais usados (por mais de metade das pessoas) eram o alho, a pimenta e o limão. Curiosamente, também 18 dos inquiridos usavam sobretudo o alho e o limão como remédios para tratar constipações, gripes, dores de garganta e para prevenir outras doenças.

Já sabemos que a maior parte das doenças são provocadas por micróbios que só se conseguem ver a olho nu quando são muitos e estão todos juntos (como os pontos brancos quando temos anginas). Também sabemos que são os micróbios que estragam os alimentos. Por isso pensamos que os temperos que curam devem matar esses micróbios.
Nós tomámos conhecimento na Internet da experiência que fizeram e que apresentaram no Fórum Ciência Viva e gostaríamos de a fazer aqui na escola para completar os resultados do nosso inquérito.
As senhoras acham interessante esta investigação? Que sugestões nos poderiam dar?
Ficamos a aguardar a vossa resposta e agradecemos toda a colaboração. As senhoras investigadoras foram muito simpáticas e responderam-nos logo no dia seguinte. Enviaram o protocolo da experiência, um texto muito interessante sobre este assunto e o endereço da Internet sobre Garcia da Orta. Também se ofereceram para mandar pelo correio os materiais mais difíceis de arranjar: as placas de Petri esterilizadas, a vareta de vidro em “L” e o agar.
E assim foi. Passados dois dias fomos ao correio buscar a encomenda Como não estamos muito habituados a realizar estas experiências nem temos na escola todo o material de laboratório, pedimos ajuda à Dr.ª Graziela, professora de Biologia da Escola Secundária Dr. Joaquim de Carvalho.

Relatório:
Certo dia, estávamos a trabalhar na área de projecto a falar dos temperos. A professora sugeriu-nos fazer uma experiência com bactérias que vimos na Internet e nós adorámos logo a ideia.
Chegou o dia 5 de Junho, o grande dia em que íamos fazer a experiência! A professora Graziela veio-nos ajudar porque tem mais práticas nestas coisas.
Alguns alunos trouxeram os temperos: limão, alho, pimenta e cebola. A professora trouxe uma perna de galinha para o caldo. Umas cientistas nossas amigas deram um bocadinho de agar e placas de Petri esterilizadas porque viram logo que íamos ter dificuldade em arranjar. Havia também outro material que a professora Graziela trouxe do laboratório da sua escola.

Material utilizado: coxa de frango; panela; balão de Erlenmeyer; proveta; funil; mel; bicarbonato de sódio; agar; gaze; algodão; panela de pressão; caixas de Petri; lamparina de álcool; uma cápsula de “Bactisubtil”; água esterilizada; pipetas; tubos de ensaio; vareta em L.

Procedimento: Cozemos uma coxa de frango em água, deitámos a água no balão para arrefecer, medimos 200 ml na proveta e depois com um funil e gaze filtrámos para o balão e voltámos a colocar na proveta. A seguir juntámos uma colher de chá de mel para “adoçar a papinha para as bactérias”, meia colher de café de bicarbonato de sódio e uma colher de sopa cheia de agar. Deitámos tudo no balão, tapámos com algodão e ficou a ferver na panela de pressão durante o nosso intervalo. Deitámos a preparação em 5 caixas de Petri. Abrimos uma cápsula de Bactisubtil que contem uma enorme quantidade de bactérias inofensivas para nós. Deitámos esse pó em 3 ml de água que já fervida num tubo de ensaio, agitámos muito bem. Com uma pipeta deitámos uma gotinha nas 5 caixas e espalhámos com a vareta em L. Furámos no agar 4 buraquinhos em 4 caixas, porque uma ficou como controlo. Colocámos em cada um dos 4 buraquinhos uma gota de limão, um bocadinho de alho, um bocadinho de cebola e meio grão de pimenta. Tapámos as caixas, identificámos cada uma pelas iniciais e isolámos com fita cola. Deixámos as caixas num tabuleiro para irmos observando os resultados.

Objectivos da experiência:
Saber qual dos temperos mata melhor as bactérias; saber se há resultados diferentes de umas caixas para as outras.

Imprevistos que aconteceram durante esta actividade:
Enganámo-nos a medir a água do frango porque a gordura não contava; partiu-se a tampa de uma caixa de Petri e a vareta em L.

Observação:
Quando acabámos fomos fazer o desenho e o relatório da experiência.
Passado um dia observámos que a preparação das 5 placas ficou baça e esbranquiçada e que em torno dos buracos das 4 placas que tinham temperos surgiu uma auréola, indicando que as bactérias não se desenvolveram. No dia seguinte a preparação ficou ainda mais branca e as auréolas mais nítidas, embora um bocadinho mais pequenas que no dia anterior Quando regressámos do fim-de-semana vimos que havia bolor em todas as caixas. (consultar a ficha de registo de observação)

Conclusões:
A experiência realizada resultou mas já terminou, pois apareceu algum bolor que se foi reproduzindo e aumentando. Hoje lavaram-se as caixas e tiraram-se conclusões:
Descobrimos que os temperos que a maioria dos inquiridos mais usa para tratar doenças, o alho e o limão, são os que matam mais bactérias porque apresentaram a auréola mais desenvolvida. A seguir vem a cebola que tinha a auréola já com um grande diâmetro mas menos desenvolvida que a dos anteriores, e por último está a pimenta com a auréola quase sem se notar.

Pistas para outras investigações:
Agora que resolvemos o nosso problema, surgiram outras perguntas para as quais gostávamos de saber a resposta:
-Será que se tivéssemos usado pimenta em pó em vez de grão a auréola tinha ficado maior?
-Como surgiu o bolor se as caixas estavam fechadas com fita-cola?
-Qual a razão da caixa de controlo ter mais bolor?

O que aprendemos:
Adorámos esta experiência onde aprendemos muitas coisas novas. Ficámos a saber: como se faz esta experiência, os nomes de alguns materiais e procedimentos de laboratório e, principalmente, que os temperos utilizados na nossa alimentação combatem bactérias.

“Os resultados da experiência foram aquilo que esperávamos, por isso fiquei muito contente.
Ao realizar a experiência aprendi o nome dos objectos de laboratório e para que se utilizam.
Ficámos a saber que os temperos que servem para conservar os alimentos e que se utilizam para tratar algumas doenças, foram mesmo os mais eficazes: o alho e o limão”
Filipa, 4º ano

Actividade Experimental:
Propriedades antibacterianas dos temperos - Registo de observação



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