Actualmente, os cientistas que estudam as plantas medicinais são botânicos e farmacêuticos.
Tal como fez Garcia da Orta no seu tempo, continuam a investigar como é que os curandeiros utilizam as plantas da sua região para curar doenças.
As empresas que fabricam medicamentos também estão interessadas em proteger as florestas porque pensam que nelas se poderá encontrar a cura para muitas enfermidades que os remédios feitos em laboratórios já não conseguem curar.
Fazem-se expedições científicas às florestas tropicais para recolher plantas e conhecer as utilizações que as populações fazem delas. A seguir, já no laboratório, fazerem experiências com cobaias, para ver se realmente resultam em determinados tipos de doenças e a partir delas fabricam-se novos medicamentos.
Existem mesmo novas ciências como a etnofarmacologia e a etnobotânica que se encarregam destes estudos.
O seu trabalho é muito parecido com o de Garcia da Orta que foi para a Índia conhecer e recolher as plantas medicinais, aprender como os médicos de lá como se usavam e experimentar ele mesmo se isso era verdade.
“Remédios Santos”
No dia 13 de Fevereiro de 2003, fomos ver um vídeo do programa “Planeta Azul” da RTP2, intitulado “Remédios Santos”. Este documentário era sobre uma expedição de cientistas portugueses à floresta equatorial do arquipélago de S. Tomé e Príncipe. Participavam nela a Dr.ª Maria do Céu Madureira, professora de farmácia no Instituto Superior de Ciências da Saúde e o Dr. Jorge Paiva do Instituto Botânico de Coimbra, além de outros investigadores e alunos finalistas do curso de farmácia.
Os seus objectivos eram fazer recolha no local de plantas medicinais e obter todas as informações possíveis sobre a utilização que os santomenses fazem delas.
São Tomé é um país pobre, onde é difícil arranjar medicamentos e onde há poucos médicos. Por isso, as pessoas recorrem aos curandeiros que utilizam sobretudo as plantas na sua actividade. Por outro lado, a flora destas ilhas é muito rica em plantas medicinais, algumas das quais só existem neste local.
Assim, a etnobotânica e a etnofarmacologia, são ciências que pesquisam e valorizam as riquezas naturais e a cultura do povo santomense.
O trabalho que os investigadores realizaram nesta expedição foi o seguinte: entrevistar terapeutas tradicionais sobre as suas formas de curar; deslocar-se com eles à floresta para identificar e recolher as plantas que curam; identificar essas plantas com etiquetas e empacotá-las para depois fazer um herbário e testes em laboratório.
Depois de regressarem a Portugal, fizeram estudos com 13 plantas usadas pelos curandeiros na luta contra a malária. Uma delas, que é o girassol de S. Tomé, deu excelentes resultados.
Foi um programa muito interessante que tem muito a ver com o nosso projecto sobre Garcia da Orta. Mas o que foi mesmo espectacular foi descobrir que afinal, a investigadora Drª Maria do Céu Madureira tinha andado na nossa escola! Nem dava para acreditar ver o seu nome num livro de matrícula já antigo. Ficámos muito entusiasmados e orgulhosos. Combinámos enviar-lhe uma mensagem pela Internet e convidá-la para uma entrevista.