O livro de Garcia da Orta foi muito importante para a ciência da sua época por diversas razões:
- Descreveu pela primeira vez plantas do oriente donde se extraíam as especiarias e outros produtos medicinais. Há muito tempo que na Europa as pessoas se serviam delas secas ou em pó, mas não sabiam como era o vegetal que lhes dava origem.
- Apresentou outras plantas e frutos que naquela altura não eram conhecidas no ocidente, como a manga, a jaca, etc. descrevendo as suas utilizações e propriedades medicinais. Numa época em que as plantas eram quase a única forma de curar era muito importante descobrir espécies novas que resolvessem problemas que as já conhecidas não conseguiam resolver.
- Reuniu os nomes porque eram conhecidas nos diferentes locais. Como nesse tempo as plantas ainda não tinham nomes científicos, cada povo as conhecia por um nome diferente e isso originava uma grande confusão.
- Procurou saber junto dos médicos indianos como eram usadas essas substâncias para curar. Experimentou ele mesmo esses processos tradicionais e verificou os que davam ou não davam bons resultados.
Todas estas novidades fizeram com que “Os Colóquios” interessassem muito os médicos europeus do século XVI.
Infelizmente, a Inquisição destruiu grande parte dos volumes impressos em Português na cidade de Goa.
Por sorte, um dos livros que escapou foi parar às mãos de um cientista que o traduziu para latim que era a língua mais utilizada pelas pessoas que se ocupavam da ciência.
A partir daí foi divulgado e traduzido para diversas línguas tendo sido muito útil aos médicos europeus da época e aos primeiros botânicos.
Aínda no séc XVI, um outro português a trabalhar em Espanha, Cristóvão da Costa, baseou-se na obra de Garcia da Orta para escrever o “Tratado das Drogas e Medicinas da Índias Orientais”, onde aparecem pela primeira vez desenhos das plantas descritas por Orta nos Colóquios.