Perguntas da Escola Secundária Domingos Rebelo
Respostas de Peter Jordan, Instituto Nacional Ricardo Jorge
Gostaríamos de saber quais são (se as há) as investigações que se podem fazer com células estaminais colhidas no cordão umbilical para a obtenção de um determinado órgão útil ao tratamento de alguma doença ou a um transplante e se a clonagem terapêutica só é possível, actualmente, depois do desenvolvimento de um embrião.
Do cordão umbilical podem-se tirar essencialmente células hematopoeiticas (do sangue e sistema imunitário). Mas seriam compatível imunologicamente só com aquela criança. Aí é que está a questão da clonagem terapêutica: introduzir a informação genética de uma pessoa numa célula embrionária com capacidade de regeneração, de forma a que estas células ou tecidos formados a partir delas, não sejam rejeitados no corpo do doente. O embrião que se forma neste procedimento é uma bola de algumas dezenas de células para que haja 'material' suficiente de propagar estas células in vitro.
Para além disso, questionamo-nos se não será possível induzir, in vitro, células do organismo adulto a desdiferenciar-se originando, posteriormente, um determinado órgão, sem ser necessário recorrer à clonagem de embriões.
Se soubéssemos como fazer isto, nem precisávamos da clonagem terapêutica. Mas não há conhecimento que isto seja possível. Talvez a experiência com células estaminais possa, algures no futuro, ajudar a adquirir tais conhecimentos. Mas em geral, as células diferenciadas de muitos tecidos já não podem dediferenciar-se tão facilmente. Existem, no entanto, células de reserva em muitos tecidos, células estaminais pre-programadas, que poderíamos aproveitar. Mas esta área está em desenvolvimento, e do ponto de vista técnico irá beneficiar dos trabalhos com células embrionais.