Perguntas dos alunos da ES Reynaldo dos Santos
Respostas de Jorge Sequeiros, IBMC, Porto
Pensa que um clone humano iria sentir-se bem por saber que não é normal? Que se trata apenas de uma cópiade outra pessoa dita normal?
Se bem percebi, penso que vocês querem dizer porque "não é único" e não porque "não é normal". A questão é que um clone não deixa de ser único! Pensem que os gémeos não deixam de ter personalidades e comportamentos próprios e às vezes até diferenças físicas importantes: quase sempre um é mais alto ou mais gordo que outro, ou tem um sinal que o outro não tem e as suas impressões digitais, por exemplo, são sempre diferentes. Um clone não partilha a gravidez com o ser a partir do qual foi obtido, nasce numa época diferente, vai ter muito mais diferenças na sua educação, ambiente, experiências comuns, etc., do que os gémeos (que são clones naturais), que são gerados, crescem e vivem ao mesmo tempo e no mesmo ambiente. Ou seja, não só nenhum clone será uma mera cópia, como será mesmo mais diferente do "original" do que os gémeos idênticos são entre si. Vocês que conhecem certamente gémeos idênticos, acham que eles não se sentem bem por isso? Acham que eles sofrem de problemas deidentidade?
Quanto a ser normal ou não (se era esta a vossa questão), sabemos (duvidávamos já) desde a morte da Dolly que os clones de mamíferos tendem a envelhecer mais rapidamente e a sofrer em idade precoce de doenças que habitualmente surgem em idades mais avançadas. Há quem pense que o número de vezes que uma célula se divide está predeterminado logo desde a formação do ovo. Seja como fôr, sabe-se que os telómeros (extremidade dos cromossomas), se vão encurtando cada vez que a célula se divide e podem por isso funcionar como uma espécie de relógio biol´gico que marca a idade das células. Em clones formados a partir de células adultas, como a Dolly, os telómeros já são à partida mais curtos e isso pode justificar o seu envelheciemnto e emorte precoce.
É possível clonar órgãos sem clonar um ser humano completo?
Não, para já, pelo menos, ainda não é. Mas é já possível clonar tecidos ou parte de orgãos e é nisso mesmo, e no transplante das células estaminais cultivadads ou dos tecidos clonados que se baseiam as esperanças de se poder vir a substituir, pelo menos em parte a função de um orgão destruído por acidente ou por doença.
É possível clonar o ADN de um ser humano morto recentemente? E a partir do ADN de um corpo morto há mais de trinta anos?
Sim. O Spielberg ("Jurassic Park") tinha razão. Teoricamente, embora nem sempre isso se consiga. Quanto mais tempo passar, mais difícil vai ser. Mas, desde que exista algum material genético viável pode ser feito.
Se tiverem mais dúvidas perguntem, mas não deixem de consultar também os materiais à vossa disposição no site do Ciência Viva e outros.