Perguntas dos alunos da Escola Secundária de Cascais
Respostas de Respostas de Alexandre Quintanilha, IBMC, Porto
Pergunta de Joana Amaral e Sara Santos
A clonagem é um assunto muito polémico, prova disso é que nós as duas, embora tenhamos discutido bastante, não conseguimos chegar a nenhum acordo.
Enquanto que a Sara concorda com a clonagem terapêutica, a Joana discorda, pois defende que um embrião (mesmo que seja apenas um aglomerado de células indiferenciadas) não deixa de ser um ser, uma vida.
Relativamente à clonagem para fins reprodutivos, a Joana é a favor, pois acha que um casal (mesmo que um dos conjuges seja infértil) tem direito a recorrer à clonagem para serem pais. E concorda também com o facto de se clonar pessoas que já morreram mas só em alguns casos. Ela deu o seguinte exemplo: "Supondo que um casal tem um filho e num acidente o marido e o filho morrem. Será que essa mulher não tem o direito de voltar a ter o seu filho, uma vez que o seu marido morreu?" Por outro lado, a Sara discorda porque acha que clonar pessoas que faleceram, para além de ser um uso egoísta da ciência, vai ser uma grande desilusão para a pessoa que quis clonar um ente querido. Isto porque a pessoa clonada, embora fisicamente seja parecida à pessoa que morreu, vai ser bastante diferente desta pelo menos a nível psicológico. Porque, tal como Jorge Sequeiros afirma, "Temos que ter em conta o ambiente e o acaso", factores que influenciam o desenvolvimento do sujeito.
Pergunta de Sara Neves, Marcos Almeida, Michelle Mendonça
Em relação à clonagem de orgãos temos algumas perguntas a fazer:
É possível clonar orgãos a partir de uma célula isolada, in vitro, sem necessitar de um sistema vivo? Ou é necessário iniciar a formação de orgãos a partir de embriões?
Na nossa opinião é o tipo de clonagem mais aceitável, uma vez que do ponto de vista ético há um reduzido número de restrições. É um tipo de clonagem que em principio só trará benefícios nomeadamente às pessoas que necessitam de transplantes, pois haverá menor perigo de rejeição.
Pergunta de Joana Amaral, Sara Santos, Marta Pires, Andreia Cepeda, Patrícia Mendonça
Na nossa opinião, não se pode comparar a experimentação efectuada em embriões (que não têm qualquer poder de decisão) com a experimentação efectuada num adulto que pode decidir ser ou não sujeito a tal experiência. Por outro lado, e já que em alguns casos a experimentação em embriões é inevitável, achamos que não é necessário recorrer à clonagem para obter embriões. Existem milhares que não foram nem vão ser utilizados na fertilização "in vitro" e que se encontram congelados sem qualquer utilização.
Perguntas de Ana Sofia , Karina
Lemos os seus comentários e concordamos com muitos dos seus pontos de vista. No entanto gostaríamos de saber a sua opinião acerca da clonagem terapêutica. Está de acordo com esta técnica? Para si quais são as vantagens ou desvantagens da utilização da mesma? Até que ponto se justifica a clonagem humana para esse fim?
Respostas de Alexandre Quintanilha
Quando se faz um clone a partir de uma célula, esse clone tanto pode dar origem a um embrião como a um amontoado de células idênticas (depende das "instruções" que forem transmitidas ao sistema de células em crescimento). Existe sempre (ou quase sempre) o potencial de uma célula clonada vir a desenvolver-se como embrião. Por isso se pode dizer que a clonagem terapêutica é um sub-grupo da clonagem reprodutiva. Há, por isso mesmo, uma certa hipocrisia quando se tenta defender a clonagem terapêutica e não a reprodutiva.
A clonagem de alguns órgãos talvez venha a ser possível sem a formação de embriões, mas para já é difícil (talvez no caso da pele).
A clonagem social não é feita em só em adultos. Frequentemente começa logo na primeira infância (onde o poder de decisão da criança é quase nulo).
Toda a medicina é experimentação em seres humanos. Quando se descobre uma nova droga (produto farmacêutico) ou uma nova ferramenta, que se julga poder vir a ser útil no tratamento, os primeiros 10,000 indivíduos a quem essa droga for administrada, ou essa nova ferramenta for aplicada, não são mais do que cobaias.
Isto porque podemos testar tudo em ratinhos, coelhos e até macacos, mas quando começamos a testar em humanos, estamos efectivamente a fazer experimentação humana. Porque é que será mais aceitável fazer experimentação em crianças ou adultos, e não em grupos de células que podem ou não vir a dar embriões, e que ainda nem sequer têm um sistema nervoso?