Texto de apoio - Genoma 2003


Notícia


A notícia é o género jornalístico por excelência. E defini-lo é, ainda assim, uma tarefa complicada. Mas vamos pôr as coisas assim: “É o género literário mais escorreito, mais descarnado, mais fortemente cingido ao puro esqueleto do facto ou acontecimento que se quer transmitir. É, diríamos, o género jornalístico mais rigorosamente objectivo no seu propósito teórico e sob o ponto de vista da aparência formal da linguagem utilizada pelo jornalista repórter” (José Luís Martinez Albertos).

Que linguagem utilizar na notícia? Que tal o conselho de Ernest Hemingway: “empregue frases curtas. Que o seu primeiro parágrafo seja breve. Use uma linguagem vigorosa sem esquecer a suavidade. Seja positivo, não negativo”. A isto, procurem escolher as palavras adequadas para os conceitos adequados; e não empreguem vocábulos pouco conhecidos, que possam confundir o leitor, nem títulos académicos.

A notícia, como informação jornalística “pura e dura”, tem de fazer ressaltar o essencial imediatamente.

Assim, a arte está em conseguir responder às seis questões fundamentais:

O “onde” é determinante, as mais das vezes, do interesse da notícia. É a chamada lei da proximidade geográfica. Se vivo em Portugal, interesso-me naturalmente mais pelas “nossas” notícias do que pelas do Azerbaijão. Do mesmo modo, existe uma lei da proximidade afectiva que, por exemplo, justificou o grande interesse jornalístico pela questão de Timor. Timor fica do outro lado do mundo (muito longe!!!) mas fica perto por se encontrar no coração dos portugueses.

QUANDO? O dia, o mês, o ano, de madrugada, de manhã, à tarde, à noite, há uma semana, anteontem, etc.

COMO? De que maneira, por que processos, como se deu?

PORQUÊ? Causas, objectivos, motivos que ditaram ou contribuíram para o facto relatado.

As respostas a estas perguntas acima enunciadas devem estar presentes nos parágrafos mágicos chamados LEAD. Estes estão para as notícias como a chave de ignição para o carro: ou pega e arranca, ou nunca mais se vai em frente. Importa, por isso, que eles contenham o cerne da informação, para depois desenvolvê-la com fluência no corpo da mesma.

E já que falamos no “corpo da notícia”, deixem-nos dar umas dicas quanto à sua construção.

Há, no meio jornalístico, uma técnica preponderante de construção de notícias, chamada “pirâmide invertida”. Esta imagem serve para reflectir a distribuição dos factos ao longo da notícia, que começa impreterivelmente pelo mais importante e encerra no menos importante.

Por outro lado, começa a ganhar espaço a técnica da “ampulheta”, cuja regra dita que o relato começa e acaba nos factos mais importantes, deixando no meio da notícia factos secundários.

Mas seja como for, é importante que a notícia se construa sobre parágrafos independentes e tão breves quanto for possível, para que se não perca nada de essencial, numa linguagem que ser quer simples e clara, concreta, concisa (a chamada regra dos três C’s).

Ah! Nunca, mas nunca se esqueçam de fazer o designado “enquadramento da notícia”, ou seja, se falam, por exemplo, da descoberta de uma nova técnica de investigação, não se esqueçam de referir o que era feito anteriormente, que tentativas se realizaram para chegar ao novo método, etc.



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