No dia nove de Novembro, recebemos cá na escola um piloto marítimo que se
chama Rui Marques.
Nós fizemos uma entrevista ao senhor Comandante Rui Marques e ele respondeu
a todas as questões. Ele falou um pouco da sua vida no mar, do seu gosto
pela navegação e dos perigos que enfrenta no mar. Mostrou-nos cartas de
navegação, duas agulhas de marear, um compasso náutico, esquadros e uma
régua.
Ensinou-nos a ler, numa carta, a profundidade dos mares, a transformar
milhas em quilómetros e a traçar, nos mapas, a trajectória a seguir pelo
navio.
O senhor Rui Marques foi muito simpático connosco e a turma achou a aula
muito interessante.
Nunca mais vamos esquecer esta aula!
Entrevista a um piloto marítimo
Como se chama? (Paulo)
Rui Marques.
Como lhe surgiu a ideia de ser piloto? (Joana M.)
A ideia surgiu por gostar de mar e de viajar
Onde aprendeu a sua profissão? (João T.)
Fui para a escola náutica, em Paço d´ Arcos, Lisboa, tirar o curso de piloto
da marinha.
Andar no mar é difícil? (Nuno)
Andar no mar tem mais coisas boas que coisas más. Só é mau quando está muito
mau tempo.
Com que idade começou a trabalhar? (David)
Com 23 anos.
Qual foi a sua viagem preferida ? Porquê? (Francisco)
A minha viajem preferida foram varias. Eu gosto muito de viajar para
conhecer outros países e outras pessoas. Gostei muito de conhecer a
Austrália ,a Nova Zelândia , o Irão, África . Por isso não posso dizer a de
que gostei mais: gostei de todas!
Qual foi o momento mais perigoso da sua vida no mar? (Fábio)
Há dois. Um deles foi aqui próximo daqui no Canal da Mancha . Havia muitos
navios e estava muito nevoeiro, houve um navio de pesca que não estava a
respeitar as regras e pôs-se mesmo à frente do meu navio que era um grande
cargueiro de 150m. Felizmente conseguimos evitar o acidente e não aconteceu
nada. O outro caso foi muito mau tempo, vagas de 12 a 15 m de altura, mas
depois passou...
Quantos dias dura uma viagem? (João Borges)
Depende da distância. Se a distância for pequena demora menos, se for maior
demora mais. Um navio a andar rapidamente faz 36 Km/h. Isso depois é que nos
vai dar o tempo da viagem. Por exemplo daqui da Figueira até à América -
para atravessar o Atlântico - um navio deve demorar 10, ou 11 dias.
Como é a vida a bordo? (Sara)
Desde que o navio larga estamos sempre a trabalhar. Há sempre pessoal de
serviço: na navegação, na máquina, nas diferentes funções a bordo. Se o
navio está no mar ou no porto o trabalho também é diferente. Quando é mais
aborrecido é quando estamos ao largo à espera de autorização para entrar no
porto porque então não temos nada para fazer a não ser esperar...
Que instrumentos usam para navegar? ( Mariana M.)
Posso dizer que são de dois tipos: electrónicos - computadorizados - e
manuais (para quando os outros falham). Mas isso vamos ver depois durante a
parte prática da aula. Está bem?
Quantas pessoas tem a tripulação de um navio? (Mariana J.)
É variável. Um navio de 150m e transporte de mercadorias, cerca de 30, mas
se for de passageiros já tem 600 tripulantes. Um navio nunca pode Ter é
menos de dois tripulantes, por razões de segurança: no mar ninguém deve
andar sozinho.
Quando está no mar tem saudades de casa? (Cláudio)
Isso tanto faz estar no mar como noutro sítio qualquer: estando longe da
família, durante algum tempo, tem-se sempre saudades...
Quando está em terra tem saudades do mar? (Joana Santos)
Também. Eu gosto muito do mar e já lá não vou há alguns anos, por isso tenho
saudades...
Como se lê uma carta (mapa)? (Joana Silva)
Isso também vamos ver daqui a bocadinho, ao vivo, para vocês perceberem
melhor, está bem?
Conhece mapas portugueses antigos? (Manuel)
Por acaso até trouxe um que depois vos vou mostrar. Mas não é tão antigo
como os dos primeiros navegadores. Com esses era muito difícil e arriscado,
navegar. Eles não tinham indicações de como era o nosso planeta. Então, iam
navegando e à medida que iam descobrindo, modificavam as cartas para elas se
tornarem mais correctas. Era uma época muito interessante mas também muito
perigosa porque as pessoas quando iam para o mar despediam-se da família e
não sabiam se voltavam...
Hoje em dia é extremamente fácil porque sabemos exactamente onde estamos,
para onde queremos ir e o que fazer para lá chegar devido às técnicas
disponíveis.
Já viu uma caravela? (Evandro)
Já cá esteve uma na Figueira que foi feita exactamente como há 500 anos. É
bom para podermos avaliar como era difícil nesse tempo a vida no mar.
Acha que era difícil navegar com esses meios? Porquê? (Daniel)
Era difícil porque os meios não eram precisos. Tinha que se estar sempre a
descobrir.
Acha que os primeiros marinheiros portugueses eram corajosos? Porquê?
(Carolina)
Muito corajosos porque sabiam que era muito arriscado ir para o mar, que iam
passar grandes dificuldades, de saúde, de alimentação, não sabiam o que
iriam encontrar, como iriam ser recebidos... e mesmo assim partiram.
As descobertas que fizeram foram importantes para a Humanidade? Porquê?
(Carolina)
Sim porque permitiram que os povos se começassem a conhecer e a estabelecer
relações de troca, de intercâmbio. Foi o que permitiu o desenvolvimento do
conhecimento marítimo e a divulgação de diferentes formas de viver.
Muito obrigado pela sua disponibilidade em responder às nossas perguntas.
(Joana Silva)
Foi com muito gosto. Então agora vamos à parte prática ...
Na actividade prática da nossa aula de navegação utilizámos:
Cartas de diferentes escalas
Esquadros
Réguas
Compasso de pontas secas
Agulhas magnéticas
Aprendemos que:
As cartas com escalas diferentes têm para finalidades diferentes. As que têm
mais pormenor servem para orientar manobras como por exemplo navegar perto
da costa, entrar num porto, etc. As que abrangem distâncias maiores servem
para saber o caminho para o sítio para onde queremos ir.
Os nºs que aparecem nas cartas indicam a profundidade
A profundidade mede-se em braças
1 braça a corresponde a aproximadamente 2 metros
Com os esquadros e as réguas traçam-se os rumos
A distância mede-se em milhas marítimas
1 milha corresponde a aproximadamente 2 Km
Com o compasso medem-se as distâncias