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Genoma Humano 2001 - Editores
 
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Construção de Artigos

Dora Santos e Nina Martins


Titulação

A titulação das peças jornalísticas, em especial numa reportagem, reparte-se por título principal, antetítulo, subtítulo, abertura ou superlead e intertítulos. Vamos passar a explicar um por um, de forma sucinta.

O título

Alguns estudos apontam para o facto de um título ser lido, em média, cinco vezes mais do que o corpo de um artigo. Portanto, trata-se de um elemento que nunca deve ser descurado na escrita jornalística de uma notícia, de uma reportagem, de uma entrevista ou de um artigo de opinião. Todavia, criar títulos não é tarefa fácil. Talvez por isso, são poucos os jornalistas que iniciam um artigo pelo título. Na maioria das situações, os jornalistas optam por escrever a peça e só no final se debruçam sobre o título. Porque é que fazem isto? Porque escolher um título implica, antes de mais, que se tenha uma boa percepção de todo o artigo. Além disso, em muitas situações, nomeadamente quando se trata de uma notícia, o título tende a resumi-la.

Funções
De um modo geral, podemos dizer que o título de qualquer peça jornalística é o seu rosto. É através dele que o leitor se interessa pelo artigo. Por isso, compete ao título:
- chamar a atenção

- e passar uma mensagem.

Partindo desta segunda função (passar uma mensagem) os estudiosos da comunicação têm definido muitas tipologias e grelhas de títulos.
Alarcos Llorach propôs uma classificação que distingue os títulos quanto à sua referência para com a notícia (podendo ser objectivos ou subjectivos); quanto à amplitude (grandes ou concentrados); quanto à sua concretização (completos ou explícitos e incompletos ou implícitos) e quanto à sua omissão (podendo reunir o tema num todo funcional ou dispersá-lo).
Luís Núñez Ladevèze opta por uma outra classificação, tendo por base o que pode ser considerado “grau informativo”. Para este autor, os títulos podem ser expressivos, apelativos, temáticos/simplificadores ou informativos.
Nesta classificação os títulos expressivos são os que contêm menor grau informativo.
Uma classificação mais simplista é a de Jean-Luc Martin-Lagardette, para quem apenas existe dois tipos de títulos: os títulos informativos e os títulos incitativos.
Centremo-nos então nesta classificação, por ser a mais acessível.
Os títulos informativos são aqueles que contêm o essencial da informação no seu sentido exacto e preciso. Jean-Luc Martin-Lagardette acrescenta ainda que estes títulos “devem ser específicos, representativos, feitos à medida, proporcionados com o tamanho do texto. Exige-se-lhe que responda às questões principais: quem? (o agente da acção, o sujeito do acontecimento), quê? (o que se passou exactamente), onde e quando? (as referências de espaço e de tempo que permitam situar o acontecimento). Se necessário, e se houver espaço, dir-se-á o ‘porquê’ e o ‘como’”.
Alguns exemplos deste tipo de título são: “Cientistas identificam gene responsável pela diabetes” (título de um artigo publicado no DN a 07/01/01), “Governo britânico proíbe a clonagem humana” (título de uma notícia da Lusa – 24/01/01), “Parlamento Europeu já trabalha na clonagem” (notícia do jornal Expresso – 20/01/01).
Os títulos incitativos fogem ao resumo da informação contida no texto. Implicam, por conseguinte, mais criatividade. Tendem a revelar mais do espírito do texto do que da matéria deste. “São destinados a picar a curiosidade”, esclarece Jean-Luc Martin-Lagardette. Muitas vezes são construídos por analogias a slogans publicitários, a títulos de filmes ou à literatura. No entanto, estas analogias não podem desvirtuar a informação essencial do texto.
Por exemplo, “E tudo o vento levou”. Trata-se de um título que é fictício mas que funcionaria bem no caso de uma qualquer investigação que tivesse ficado interrompida por falta de verbas.
Agora um título que foi publicado no jornal Público, no dia 18/06/00, a propósito da descoberta de um mecanismo de comunicação celular que, caso fosse interrompido, evitaria a proliferação de células cancerígenas: “Conversa interrompida”.

Regras de construção
No nosso entender, não é particularmente importante saber classificar títulos, uma vez que eles são quase sempre uma prática criativa, fruto de uma intuição repentina e não de um momento de reflexão. Todavia, é importante reter algumas regras básicas que ajudam a sua construção, conforme sublinha Mar de Fontcuberta, no livro “A notícia: Pistas para compreender o mundo”:

“- Na mudança de linha não devem partir-se palavras;
- Uma preposição e o seu objecto não devem ficar em linhas diferentes; o mesmo sucede com um substantivo e o seu adjectivo;
- Num mesmo título não devem repetir-se palavras;
- Num título não se usam pontos finais;
- Não se devem utilizar palavras ambíguas;
- As siglas facilitam a redacção de um título, mas dificultam a sua compreensão. Podem utilizar-se se forem muito conhecidas;
- Devem evitar-se interrogações”

Joaquim Letria, em “Pequeno breviário jornalístico”, destaca ainda duas outras regras:
- Os títulos devem ser concisos;
- Devem destacar a raridade.

A estas regras definidas por Mar de Fontcuberta e por Joaquim Letria, gostaríamos de fazer dois acrescentos.
Primeiro: Sempre que se puder é de evitar os tempos verbais no passado em favor do presente ou do futuro. Trata-se de uma estratégia para captar mais rapidamente a atenção do leitor bem como uma tentativa de construção de um presente que tem como marca o “Agora” ou o “Amanhã”. Note-se que o uso do presente nos títulos não significa que o texto não seja contado no passado se, efectivamente, for referente a algo que já aconteceu, numa data marcada. Portanto, em princípio, só o título goza do direito de “brincar com o tempo”.
Segundo: São de evitar as formas negativas. Os títulos devem ser afirmativos, pois a afirmação é mais enérgica, traduz mais facilmente uma acção do que a negação que, em termos gerais, é um travão. Mas, há, obviamente, excepções onde a negação não só é bem vinda como necessária. Por exemplo, numa notícia que seja de continuidade a um assunto qualquer onde, de súbito, há uma negação por parte de um membro do governo que vem inviabilizar a acção que até então se encontrava em marcha ou em vias de prosseguimento. Por exemplo, “Governo diz não à suspensão da revisão curricular”.
Importa também não esquecer que os títulos devem ser o mais curtos possíveis, não só pelos imperativos impostos pela paginação mas também pela facilidade e rapidez de leitura.

O Antetítulo

Uma das melhores definições para um antetítulo é dada por Jean-Luc Martin-Lagardatte, no livro “Manuel de escrita jornalística: escrevo – informo – convenço”: “Colocado por cima do título e impresso em caracteres mais fracos, precisa-o e enriquece-o. Torna mais leve o título, libertando-o dos elementos circunstanciais (onde, quando), que o alongariam inutilmente. Também permite misturar um título incitativo com um antetítulo bastante informativo, ou vice-versa”. Deste modo, podemos ter um título mais apelativo, sem que o cerne da informação se perca, pois este é escrito no antetítulo.
Por exemplo:
Células cancerosas aproveitam-se de um mecanismo de comunicação celular embrionário para proliferar
CONVERSA INTERROMPIDA

O subtítulo

Este é usado como complemento de informação ao título. Pode precisar a informação que ficou menos clara no título ou pode, pura e simplesmente, acrescentar algum elemento informativo que o título não pode contar porque não é suposto que os títulos sejam demasiado longos.
Note-se que não se deve usar um subtítulo quando já se utilizou um antetítulo, sob pena anularmos qualquer valor de destaque que um título contém.
Um exemplo, retirado de um artigo publicado no Expresso, no dia 06/05/00:
OS MALEFÍCIOS DO TABACO
Estudos recentes associam o consumo do tabaco à deterioração do cérebro


Abertura ou superlead

A abertura, também designada por superlead no caso das notícias, é composta por uma ou duas frases que resumem o artigo e que incitam à leitura, deixando espaço para a curiosidade do leitor. Deve conter frases curtas e precisas, sem grandes floreados ou figuras estilísticas. O leitor terá de perceber qual o tema e assunto em causa no artigo ao ler uma abertura. Numa peça destinada a uma publicação on-line, como é o nosso caso, a abertura é um elemento-chave pois é através dela que se pode efectuar a hiperligação para o corpo do texto. Portanto, é ela que permite criar uma estrutura arborescente de informação, característica inerente a qualquer produção destinada a ser disponibilizada num site.
Alguns exemplos de títulos acompanhados de aberturas:

CANCRO DA LARINGE: O TUMOR DOS FUMADORES

O Cancro da laringe é relativamente frequente, inserindo-se entre os tumores de pescoço e cabeça, em geral, que representam cerca de 5% de todos os tumores do organismo

(Retirado de um artigo publicado no canal medicina, do portal Sapo, a 12/04/00)

A GRANDE CORRIDA DO GENOMA

O projecto público anunciou a sequenciação de três cromossomas. O próximo “round” deverá pertencer à Celera Genomics

(Retirado de um artigo do DN, de 15/04/00)


O Intertítulo

O intertítulo permite aligeirar a mancha do texto e permite ainda estabelecer pausas dentro do texto. É um elemento muito útil quando se pretende mudar de assunto dentro do mesmo texto. Permite igualmente “arrumar” a informação de forma a facilitar a leitura.
Contrariamente ao título, um intertítulo não tem por missão resumir um texto ou incitar à sua leitura. É apenas uma amostra que estimula a continuação da leitura, devendo conter palavras obrigatoriamente extraídas do texto que antecede. Por norma, um intertítulo é composto por pouco mais que três palavras, concretas e fortes. Um intertítulo não deve ser abstracto.
Em algumas redacções tem-se por norma colocar intertítulos a separar blocos informativos que não devem superar as 25/30 linhas.



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