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Genoma Humano 2002 - Conto ES Penacova
 
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Genoma Humano 2002

Genetic Gardians Police
Escola Secundária de Penacova

Estamos em 2020, sou um especialista no campo da genética, chamo-me Jorge Nogueira e fui recentemente convidado para uma palestra no Reino Unido.
Para lá segui e espantei-me quando, ao chegar a Londres, me esperavam dois homens de fato preto com camisa branca por dentro e uma gravata preta. Pareciam agentes secretos. Não me enganei, assim era; levaram-me a um bairro pobre, onde entramos dentro de uma casa antiga e a cair aos pedaços. Fizeram-me entrar para uma divisão que era parecida com um quarto, pequeno e todo cheio de lixo, um deles pôs a mão junto à segunda tábua e puxou-a, já que o soalho era feito de madeira com muitas gretas. Debaixo disto encontramos um alçapão, pelo qual me fizeram descer e, qual não é o meu espanto, estava dentro dos túneis subterrâneos que ligavam aos esgotos, construções do séc. XVIII. Mas esta construção havia sido remodelado; o tecto estava à vista mostrava ser feito de tijolo burro, como diziam os pedreiros, já gasto, provavelmente ainda o original da construção, mas o chão e as paredes estavam revestidos com uma liga que eu desconhecia. Parecia aço, mas era muito mais fino, no entanto era rígido pois, quando passei por cima dele e o chão não cedeu nem um pouco, toquei nas paredes com as minhas mãos, notei a sua suavidade e que não era frio. Esta característica espantou-me. Estava à temperatura de 20oC, mais ou menos, e depois, lentamente, começamos a andar. Havia luz, como se tivéssemos lâmpadas, mas eu não via nenhuma, era como se aquele material que revestia as paredes emanasse luz.
Avistámos uma coisa que parecia uma redoma de vidro e logo depois um laboratório. Seguimos. Eu silenciosamente seguira, sem fazer perguntas aqueles que me mostraram um símbolo que dizia: Pax Genetica. Era o símbolo da organização que me convidara para aquela palestra. Começava a desconfiar, quando entramos dentro do laboratório, que continha todo o tipo de material. Era um antro da genética, por todo o lado havia seres dentro de redomas, eu logo reconheci que aquilo eram seres em mutação genética.
Espantei-me; já vira plantas em mutação e clones de seres humanos, ou pelo menos massas de células que dariam um clone se isso fosse permitido pela lei mundial, mas de repente fui interrompido por uma voz forte que falava o português, com um pouco de sotaque que parecia alemão:

- Senhor Nogueira, tenho uma proposta para lhe fazer. Sente-se.
Assim fiz. Apreciei aquele homem que tinha um ar de pleno descanso. Pensei que fosse algum rico que desejava criar um ser mutante e me obrigaria a trabalhar para ele, mas a conversa dele baralhou-me profundamente.
- Senhor Nogueira, estou aqui para lhe dar a conhecer que decidimos convida-lo a participar numa polícia secreta que trabalha sobre a alçada da lei mundial e de que nenhum governo tem conhecimento. Pode chamar-me Mr. X. Você foi escolhido após uma rigorosa investigação. As pessoas escolhidas para esta organização são todas peritos em genética, a existência desta polícia advém de 2010 e trabalha no intuito da não criação de seres ou "coisas" geneticamente mutadas, O nome da organização é Genetic Gardians Police. Todos os membros têm que ser soltos na vida, sem família, e prontos a morrer pela causa. Continuou ainda que, se aceitasse, simulariam a minha morte, se eu não concordasse em pertencer a esta organização teriam que me fazer esquecer tudo o que tinha ouvido da sua boca. Olhei receoso para ele, que continuou a falar, dizendo que tinham a melhor tecnologia do mundo, melhor que a dos serviços secretos britânicos, e que a CIA, o KGB e a Mossad adoraria um pouco da tecnologia que ali existia. Se eu entrasse iria ter treino específico e simulariam a minha morte.
Eu como não tinha família, decidi entrar, uma vez que fui aceite e escolhido. Não havia nada que me pegasse ao mundo senão a paixão pela genética, a sede de poder vir a fazer algo de grande e de defender a vida humana acima de tudo. Amigos ... esses tinha, mas era um sacrifício em prol da vida deles.
Mr. X ficou muito contente e decidiu começar a preparar a minha suposta morte. Fiquei interessado; como é que eles o iriam fazer? Então, um homem vestido de negro, com um óculos escuros, rosto macilento, nariz adunco, e com um tom de pele escuro(eu diria ser indiano), mas com ar de amigo, tinha na mão um objecto muito parecido com uma seringa, mas na ponta, em vez de um agulha tinha algo redondo. Parecia uma base de um copo e servia na recolha de células.
Passaram aquela seringa na minha pele e retiraram um pouco de células. Era uma sensação esquisita, como se estivessem a sugar a pele com um aspirador muito fraco. Depois a ponta da seringa foi retirada, e o material depositado num Invólucro de vidro com uma base de metal ligada a um computador. Seguidamente um negro de cabeça careca, com um nariz que parecia quebrado pelo meio, corpo musculoso e altura de me fazer olhar para cima para falar com ele (uma vez que, como bom português não vou acima do 1,68 m), pressionou uma sequência de botões, retirou um vidro que protegia outro e afastou-se para que Mr. X , pudesse carregar no botão. Ele, de um modo solene, assim fez, sentou-se seguidamente ao pé de mim e a luminosidade diminuiu. Então, de repente, foi ver as minhas células serem envolvidas num líquido espesso e viscoso, surpreendentemente elas começaram a dividir-se, até que ficaram uma massa de células do tamanho da minha mão.
Aquilo que segundos antes tinha sido um punhado de células mal visíveis ao microscópio, agora passara a ser uma coisa parecida com um embrião, as minhas células tinham-se tornado totipotentes. Então, dois senhores vestidos de bata, com óculos escuros, um careca com os seus 50 anos e o outro de cabelo castanho penteado para o lado, com óculos e um ar jovial, dos seus 30 anos, pegaram no recipiente que continha aquilo que me parecia um embrião e puseram-no numa base de metal, ligada a um outro computador. Assim que retiraram as mão de dentro dessa base de metal, subiu uma vitrine de dois metros de altura, a cúpula primária desfez-se enquanto que o invólucro enchia, as células, desenvolviam-se, até que aquilo cada vez mais parecia um homem. Mas afinal o que era aquilo, seria um clone? Para quê?
Então, o senhor ao meu lado, parecendo ler a minha mente, explicou-me:
- Aquilo é um clone, vai ser atirado ao rio dentro de um veiculo alugado por você, lá será achado, de forma a parecer um homicídio, ou um suicídio, a policia que se entenda.
Fiquei admirado. Então, antes de que o clone estivesse pronto, este senhor chamou-me e convidou-me a seguir com ele para outro lado. Seguimos por outro túnel até uma sala; durante a caminhada ele foi-me dizendo que eu teria muitas perguntas a fazer, mas que elas seriam satisfeitas com o tempo e continuou:
- A partir de agora não será mais chamado de Jorge, de hoje em diante será Noa. Aqui estão os seus registos. Entramos então na sala onde encontramos um computador de grandes dimensões e onde estavam todos os meus dados. Ele carregou numa tecla e os meus dados apagaram-se todos, no seu lugar escreveu apenas:
- Noa, agente n.º 37A, Companhia E, Idiomas: Português, Francês, Inglês, Espanhol, Italiano e Alemão.
Deixou o treino em branco e levou-me até uma sala onde me apresentou a Companhia E, deixou-me com os meus colegas, éramos cerca de vinte. Um jovem que falava Português, apresentou-se: Evi. Seguidamente os outros, alguns dos seus nomes eram: Ami, Saw, Ryt, Gui, Bit, Xar, Lop, Cri, entre outros. Evi era o meu parceiro, era com ele que partilharia as missões.
Esclareceram-me que ali não se usavam os nomes antigos, e nem se falava no passado, só no presente. Explicaram-me como tudo funcionava e que havia três tipos de treino, treino físico, informàtico e genético. Deram-me os três treinos: O genético, também me deram um treino especifico de artes marciais e de como utilizar armas, bem como saber mexer nos computadores de manipulação genética. O treino foi especial, foi num beliche, onde me puseram um capacete, com uma visão virtual, ligaram-no ao meu cérebro através da retina dos olhos e passaram a informação. Eu aprendi mais naquelas duas horas que estive ali deitado com o capacete na cabeça do que em dois anos de estudo, e apreendi tudo, foi espantosamente limpo. Depois apareceu o Sr. que me fez entrar e apresentou-se: chamava-se Doz, e era o chefe que dá as ordens para as missões. O resto do dia foi para conhecer a expansão daquele esconderijo e saber de antigas missões.
Entre nós falávamos o Inglês, estivemos no convívio até à noite, depois todos nos deitámos. No dia seguinte por volta das 11 horas, a porta da nossa sala abriu-se e o Doz anunciou que tínhamos que partir para a nossa primeira missão.
E assim foi. Partimos de um aeroporto privado dos arredores de Londres para Itália, onde fomos enviados de lancha até à Sicília. Desembarcámos em Capo d Orlando, onde havia um pequeno porto, por volta das duas da manhã, numa lancha super silenciosa e de seguida encontrámos um carro, modelo muito usual na zona, mas que era equipado pelas coisas mais espantosas que alguma vez vira e, estranhamente, eu sabia mexer com tudo. Eu e Evi seguimos para a montanha, e lá dirigimo-nos para Castel di Lucio, uma pequena vila que se situava ali perto. Havia ali um castelo e tínhamos ordens para ficarmos instalados numa casa desabitada e antiga. Aquela cidade era ponto turístico, por isso não teríamos dificuldades. E assim foi; arrumámos o carro dentro da casa, entrando por uma porta velha e a cair aos bocados, e subimos por uma escada de madeira com pedaços podres. Eu já adivinhava, um autêntico casebre sem condições nenhumas de espionagem! Mas, ao abrir a porta fiquei espantado! A casa era revestida por uma liga metálica, que não permitia a passagem de ruídos, tinha máquinas por tudo quanto era canto, e tinha um mapa de escutas de casas por toda a cidade. Nós não sabíamos o que iríamos precisar, pois ainda não conhecíamos qual a nossa missão. Recebemos então uma mensagem de Doz; ele transmitiu que sabiam da existência de laboratórios secretos onde estavam cientistas de renome, aprisionados ou de boa vontade, a trabalhar para um Capo Local, um tal Franco Cortizzionte. A nossa missão era descobrir o laboratório, o que estavam a fazer lá e evitar denunciar a nossa presença. A primeira coisa que fizemos foi procurar a despensa; tínhamos ali comida de todo tipo, que chegava para dois meses, e um novo tipo de comida liofilizada (que era desfeita em pó) e embalada em pequenos pacotes, à qual se adicionava um pouco de água e teríamos uma boa refeição. Estávamos com uma vida boa, pensamos nós, e fomos dormir. Por volta das oito horas acordei e vim ver o material. Havia um luz vermelha sobre uma casa que ficava nos arredores da nossa. Liguei a escuta, pus os auscultadores e comecei a ouvir o que diziam, mas eis que no monitor do computador aparece-me o ambiente da casa, as posições das escutas e o rosto das personagem daquele enredo. Era um homem de voz forte que falava para a mulher acerca do seu dia de trabalho; dizia que iria trabalhar para a pizzaria, mas dizia pizzaria com um tom especial, e procurei no computador se havia alguma pizzaria perto. O computador identificou duas, mas em nenhuma constava aquele empregado. Então decidi pôr um satélite a segui-lo. Entretanto o meu companheiro acordou e foi preparar o pequeno-almoço, que trouxe para a mesa da sala e comeu enquanto que eu continuava o meu trabalho. Não ouvi mais nada que tivesse jeito durante todo o dia e o Evi também não, mas à noitinha, estava eu a ouvir a casa de um vizinho, quando me apercebi da conversa que ele estava a ter com um seu amigo sobre o trabalhinho que o Cortizzionte tinha para eles. Era simples, só tinham que desembaraçar-se do corpo de um estrangeiro intrometido nas ruínas do Castelo que dera o nome à vila. Mas o castelo era só um monte de ruínas, que não davam para viver, por isso não entendia o Capo. Mas ele não se importava, o Capo pagava bem, o cimento já estava comprado, agora só era preciso o barco para o levar ao meio do mar. O transporte era o do Luccini, um comerciante que transportava mercadorias e alugava camiões. Consultei o meu computador e tentei entrar no computador de Luccini, através do satélite, e consegui, o pagamento estava em Cortizzionte, mas não tinha mais indicações, por isso desisti de procurar ali. Eis que então me surge uma ideia: saber coisas acerca do Castelo Di Lucio. A historia do castelo era o costume: criado para defender o reino contra os invasores, os Normandos, que o haviam reconstruído depois de conquistarem toda Itália e a Sicília, em particular, misturaram-se com as gentes ali residentes e, no presente, o castelo estava abandonado. Tentei saber algumas coisas mais mas não havia mais nada; deixei um satélite de guarda ao castelo e fui me deitar.
O dia começou muito devagar, os satélites não haviam captado nada, nem as escutas. E assim se passaram dias; nada acontecia, as conversas entre os casais não traziam novas indicações, e para Evi era a mesma coisa, nada acontecia. Então ele pensou em sair da casa por um bocado. Havia um túnel de ligação a uma velha casa em ruínas e ali ninguém aparecia, era por aí que sairíamos se fosse necessário. Ele decidiu sair e eu continuei o meu trabalho. Decidi pôr mais um satélite à escuta, a seguir um tipo muito suspeito, que se dirigia para o velho castelo mas que, de repente, muda de direcção; faz isto todos os dias.
Deixei-me estar a ouvir uma jovem a cantar através da escuta, tinha uma bela voz, mas estava a começar a ficar aborrecido daquela vida de espião. Já ali estava há cerca de 15 dias e nada acontecera, a não ser um turista atirado ao mar com sapatos de cimento, e uma investigação exaustiva a um castelo que não dava em nada. Estava deliciado a ouvir a jovem quando reparei que havia um botão vermelho a piscar; era de uma casa que estava sobre escuta e passei a escutá-los a eles. Eram duas crianças que falavam acerca de seus pais; quando um se gabava ao outro de o seu pai trabalhar para o Cortizzionte, e ser o seu braço direito, o outro dizia que o seu papá era o guarda de material muito importante no velho castelo. Então a conversa começou a ser muito fantasiosa, mas eu ouvira já que chegasse, pedi as plantas do castelo à base, e chamei Evi a casa. Foram minutos intermináveis aqueles de espera pelas plantas do castelo, e descobri que este tinha masmorras e que estas eram muito grandes, ocupavam quase tanto como o próprio castelo. Evi nunca mais chegava e mandei procurá-lo pelo satélite, que o encontrou escondido perto do castelo. Havia mais dois homens que o procuravam, mas havia mais alguém escondido. Vestia como um turista, e foi descoberto e levado. Entretanto Evi pôs-se a salvo e eu continuei a observar o castelo, ver o que acontecia. O satélite conseguia ver através de paredes com menos de dois metros de espessura, e eu observei a cena que se seguiu. Os homens espancaram o turista e levaram-no para um compartimento que o satélite não conseguia ver.
Resolvi então procurar Evi, e encontrei-o sozinho perto do local de entrada. Mandei-o entrar e esperei para dar e receber as novidades. Ele vinha cansado e eufórico! O castelo era espectacular, mas era propriedade privada de um tal Faviola, que não permitia ali estranhos. Mas não tinha avisos nem nada, havia inclusive câmaras de guarda ao castelo, e guardas no interior. Melhor foi a notícia que o satélite transmitiu: o homem quem eu mandara seguir, o tal vizinho da nossa casa acabara de sair do castelo, mas não tinha sido visto entrar nele. Isto significava que tinha que haver entradas secretas e talvez fosse o fio da meada. Então, quando o senhor entrou em casa, eu liguei a escuta e fiquei a ouvir. Tentei saber alguma coisa que interessasse e procurei por toda a casa, até que descobri que ele tinha uma filha de dezoito anos que adorava estar nos Chats de Conversação, e então lembrei-me de fazer dela um bode expiatório. Entrei no Chat e meti conversa com ela; apresentei-me como sendo James Hoder, um escritor britânico, e desenvolvi conhecimentos com ela, até que chegou a hora de ela se deitar e eu também. Deitei-me depois de fazer o ponto da situação, descobri que o nome dela era Nadya, a idade, onde morava e outras coisas pouco relevantes. Ela pensava que eu estava interessado nela para fazer um livro, podia ser que eu conseguisse extorquir-lhe informações. Durante duas semanas desenvolvi o conhecimento com ela, ela estava mesmo dentro da minha rede, era só puxar e o peixe saía.
Enquanto isso, Evi descobrira que foram retirados, de uma zona perto do castelo, cerca de cem metros de distância, uma dezenas de camiões carregados de terra. Durante meses houve transporte de material para aquele lugar, que hoje tinha apenas um poço novo, demasiado pequeno para tanta terra e tanto material, havia ali algo! Tal como descobrira que Faviola era um Uomini d onore, um dos braços direitos de Cortizzionte. O xadrez compunha-se. Pus o satélite de guarda ao poço, e por volta das dez da noite eu lá ia ao Chat conversar. Então, desta vez decidi puxar por ela, e perguntei-lhe o que fazia o pai, se havia por ali alguma coisa que merecesse estar num argumento de um livro. Ela respondeu-me que o pai era guarda de um castelo, e que por ali havia muita história para um livro, explicou-me que ali havia mafia, que ali todos trabalhavam para, ou pela mafia, era uma cidade corrompida, estava perdida no meio das montanhas e ali desenvolviam-se projectos para melhoramento ou enriquecimento dos bolsos do Capo. Eu pedi-lhe que me arranjasse informações que eu pudesse escrever, e ela disse-me que eles trabalhavam no castelo e que ultimamente andavam a desaparecer turistas que vagueavam lá perto. Não se sabia de uma entrada para o seu esconderijo, mas prometeu-me que se iria informar acerca de mais coisas. Despedimo-nos e ela foi-se deitar. Enquanto isso eu espiava-a através do satélite, vi-a vestir o pijama e a deitar-se. O quarto dela era pequeno e tinha uma mesinha de cabeceira onde havia um candeeiro. Ela apagou a luz do quarto e ligou o candeeiro, pegou num bloco de notas que estava em cima da mesinha e começou a escrever. Tentei perceber o que escrevia, mas era difícil. Então, reparei nela e comecei a achá-la bonita: tinha um cabelo negro, olhos verdes, tom de pele um pouco para o escuro, de corpo era uma perfeita sereia. Era espantoso como uma rapariga perdida no meio de uma montanha conseguia ser mais bonita e cuidada que algumas da cidade. De repente o pai entrou pela porta do quarto e dirigiu-lhe umas palavras duras que eu não consegui decifrar, mas ela poisou o bloco e deitou-se na cama, apagou a luz e acabou por adormecer. Eu fiz o satélite seguir o pai e vi que ele saía de casa, seguia para a propriedade do castelo; aproximou-se do poço, pressionou um tijolo, e atirou-se lá para dentro. Tentei segui-lo com o satélite, mas as paredes eram revestidas de um metal forte e que não podia ser transposto. Quando estava para pôr o satélite de vigia, notei que havia mais alguém ali perto; tentei aproximar o satélite e descobri que era Nadya. Ela aproximou-se do poço, pressionou um tijolo e com uma lanterna observou o que se passava lá dentro, mas não se manifestava interessada em saltar. De repente, apareceu mais alguém naquela direcção, mas não viu Nadya, que rapidamente se escondeu. Era outro homem com um ar carrancudo, e que não tinha preocupação nenhuma; pressionou o terceiro tijolo e saltou. Entretanto, ela salvara-se e regressou a casa.
Eu fui-me deitar e reparei que Evi tinha um respirar que denunciava estar acordado, mas não disse nada. Passado algumas horas, acordei com um apito do computador. Ainda era de noite, mas Evi não estava no quarto, procurei-o por toda a casa mas não se encontrava lá. Dirigi-me ao computador, era Nadya, tinha-me mandado um E-mail. Ela disse-me que descobrira uma passagem secreta, e mais, que havia alguém na casa abandonada ao pé da sua. Fiquei desesperado, onde andaria Evi? Tentei ir ao Chat mas ela não estava lá, então dediquei-me a procurar Evi e vi que ele andava pelas ruas a vadiar. Aproximava-se de casa quando percebi que era perseguido, ele parou, como se os tivesse pressentido, sentou-se num banco e esperou que passassem. Afinal enganara-me eles passaram e não disseram nada, seguiram o seu caminho até à taberna. Evi baixou-se para atar o sapato e depois voltou para casa. Quando me viu ficou alarmado, perguntou-me o que estava a fazer, e eu disse-lhe que ele é que me tinha de dar explicações. Dei-lhe um valente sermão e expliquei-lhe para ter cuidado, para não sair outra vez àquelas horas porque uma vizinha notara. Entretanto dei-lhe as notícias, que sabíamos onde era o esconderijo, mas não o que se fazia ali. Ele foi-se deitar e eu enviei uma mensagem a dar o alerta à base, enquanto isso fui tentar perceber o que se fazia naquele esconderijo, e decidi rebobinar a filmagem do satélite para tentar perceber o que se passara ali no poço, se havia algo que me escapara. Então, quando passei pelo Evi que estava a atar os sapatos, notei qualquer coisa e decidi ver mais devagar. Apercebi-me que Evi não estivera a atar os atacadores, pois ele trazia umas sapatilhas sem cordões. O que fez ele então? Aproximei e foquei o que se passara e vi que ele apanhara algo do chão, parecia uma mensagem, mas de quem? O computador fez uma reconstrução do documento, que dizia para ele vir no dia seguinte, à noite, por volta das duas da manhã, ao pé do poço do castelo.
Fiquei super-intrigado e decidi coscuvilhar a vida de Evi, mas não era fácil, da base só me deram a informação que era francês, nem de onde nem mais nada. Tive que procurar então desaparecimentos de cientistas em França, mas não encontrei nada. Acabei por estar a noite toda em claro, sem saber o que fazer. O dia foi doloroso, quase não disse nada pois tinha-me afeiçoado a Evi, mas não percebia o que ele estava a fazer. Então decidi perguntar-lhe acerca da saída, mas ele disse que não conseguira dormir, e por isso deixou o quarto e foi passear. Mentia, como eu percebi. A partir daí resolvi que ele tinha de ser investigado; esperei pela noite e consegui que a Nadya me dissesse como se parecia o vizinho que ela vira. Ela não o descreveu a ele mas a um turista que ali passara durante a noite. Fiquei mais contente, mas notei que esse turista se parecia com alguém que eu já vira. Porém aproximava-se a meia noite e eu fui-me deitar.
Esperei que Evi saísse e segui-o através do satélite, ele foi ter ao pé do poço, encontrou-se com o pai de Nadya e mostrou-lhe um pedaço de papel. Carregaram no terceiro tijolo e saltaram, primeiro Evi, depois o pai da Nadya, mas eu notei que alguém espiava aquela cena toda. Era Nadya. Ela chegou perto do poço e carregou no terceiro tijolo, entrou e não a vi sair senão perto das cinco da manhã. Correu para casa e depois saiu Evi também, nervoso, e com um ar de traição no rosto. Fiquei perplexo; o que andaria ele a fazer? De repente recebi outro E-mail, não abri mas guardei, apaguei tudo e fui-me deitar. Não sabia o que pensar daquilo, as minhas buscas não resultaram e descobri que talvez nunca viesse a descobrir nada, estava tudo muito bem guardado. Ele acordou por volta das dez horas e manifestou o desejo de sair e conhecer melhor as redondezas; eu disse que sim e ele assim fez. Era melhor para mim, assim poderia obter o relato de Nadya. Ele foi dar uma volta pela cidade e levava dinheiro para almoçar fora e tudo para que pudesse observar os hábitos e rostos da população. Talvez se fosse encontrar com alguém. Eu estava aborrecido, mas decidi abrir o E-mail de Nadya; dizia que dentro do esconderijo encontrara um laboratório secreto e que havia seres horríveis lá dentro, coisas que pareciam homens mas com partes do corpo deformadas. E havia um homem que ela nunca tinha visto; vira-o apresentar-se aos presentes, como Francois Evaniovi, que era membro de uma polícia secreta e perito de genética, mas que queria regressar às origens. Mostrou aos outros uma terrível cicatriz que tinha num braço e disse ainda que queria voltar. Depois tivera que sair, pois o pai largou para a guarda do castelo e ela saíra pelo poço que tinha uns degraus para sair.
Era a minha salvação! ela era um amor, dava-me de mão beijada o que precisava. Procurei o nome de Francois Evaniovi e descobri que era um jovem cientista que desaparecera de Paris, onde residia, mas os seus antecedentes eram da Córsega, donde descendia de uma família de comerciantes. Descobri ainda que, por sua vez, a sua família fora extraditada de Itália havia muitos anos porque era uma família da mafia, talvez a pior no seu tempo, e deixara muitos amigos por toda a Itália. Ente eles estava a família de Faviola. Ele traíra-me, traíra a GGP, ele enganara-nos a todos, era um mafioso que estava infiltrado. Transmiti esta informação à base, que não me respondeu. Continuei o meu trabalho, descobri todo o seu passado, e informei a base que havia um laboratório secreto debaixo do castelo. A base respondeu que teria notícias daí a duas horas. Enquanto isso eu estava atento a todos os passos do traidor, ele não se encontrara com ninguém mas deixou informações no chão perto de um banco, que alguém apanhou. Evi esteve todo o dia em sítios em que eu o poderia vigiar mas, por volta da hora marcada com a base para receber informações, ele entrou num museu. Aí eu não o conseguia observar, pois as paredes eram revestidas com material metálico. Então eu vi alguém aproximar-se da entrada secreta; entrou e dirigiu-se para a casa. Peguei numa arma e esperei o intruso; espantei-me, era uma mulher, vestia de negro usava um casaco de cabedal, tinha na mão uma arma igual à minha, tinha olhos verdes, meigos, um cabelo castanho, com madeixas de loiro, um rosto sem rugas e com sardas, uma boca fina. Era um encanto! Ela abriu lentamente o casaco e, enquanto me apontava a arma, mostrou-me um crachá que dizia Genetic Gardians Police. Baixei a minha arma e fi-la entrar. Era alta, tinha parecenças de ser nórdica, um corpo que se comparava aos das modelos. Falou em Inglês, disse-me que era a minha nova parceira, o seu nome era Kra, e eu fiquei de boca aberta. Ela ia dizer alguma coisa quando o E-mail deu sinal. Era a base a dizer que tinha uma nova parceira, a Kra. Apresentei-me formalmente e dei os passos da situação. Ela transmitiu-me ordens, de Doz:
- Evi será preso por nós e enviado para a base através de uma equipa que o virá buscar. Se for provado que ele é traidor, ser-lhe-á lhe apagada a memória.
Comecei a gostar da nova companhia, pelo menos sabia cozinhar, e fez-me o almoço, enquanto eu procurava o rasto de Evi. Voltei á porta do museu, onde estava a chegar um furgão, modelo antigo, de onde saíram várias pessoas, entre elas estava Evi. Ele despediu-se deles e dirigiu-se a casa, onde encontrou uma alegre recepção; eu e Kra estávamos á sua espera com duas armas apontadas para ele. Empunhávamos uma Eagle 520, último modelo, que disparava um choque eléctrico que paralisava quem atingisse até que alguém lhe administrasse um contra choque. Mas ele entrou de rompante do alçapão e disparou contra mim dois tiros de fraca voltagem. Ele não tinha uma arma tão boa como a nossa mas pôs-me uma perna e os bíceps paralisados. Todavia Kra atingiu-o e ele ficou paralisado. Kra ajudou-me a ir para uma cadeira e mandou uma mensagem para a base, a avisar do que acontecera. Então, estava eu a olhar para Evi e pensei que era provavelmente a ultima vez que o via, quando o meu computador mostrava que havia recebido um E-mail. Era Nadya, que dizia que o seu pai a proibira de mandar E-mails ou comunicar com alguém mas ela ouvira-o conversar com aquele senhor da polícia secreta, e que estavam a planear um assalto ao esconderijo. Depreendeu ela que seria ao laboratório, mas eu percebi logo que era a nossa casa. Chamei Kra e avisei-a; ela fez-me ir para a cama, e, enquanto me ajudava a deitar apercebi-me que era muito bonita. Aqueles olhos meigos, faziam-me sentir no céu! Mas eis que chega a equipa para levar Evi. A chefiar vinha Doz e alguns comparsas da Companhia E. Trataram-me e, Doz perguntou-me:
- O que há de novo por aqui Noa? Alguma novidade, como está o ponto de situação?
- Vai quase, sabemos o que há ali, é um laboratório...
- O que? Sabes o que lá se passa?
- Sim alteram-se geneticamente seres, mas é passível de ser desmantelado, só apenas alguns vizinhos sabem o que se passa lá, os guardas e pouco mais. E o que vai acontecer a Evi?
- Ah! Esse, não te preocupes vai ser-lhe apagada a memória. Sabes depois de tu teres a primeira suspeita começamos logo a investiga-lo, ele não é um "toupeira", é apenas um renegado com sede de poder e de dinheiro. Mas ... digamos que agora estás melhor acompanhado...
Um sorriso invadiu os meus lábios e os de Kra: - Ela é um anjo caído do céu, vai me ajudar muito na convalescença, já que só daqui a dois a três dias poderei estar a cem por cento..
- Então tens de te despachar - anunciou Doz - vamos fazer a investida daqui a três dias, põe-te bom.
Doz e o resto da equipa despediram-se e partiram.
Vim então para a sala para perto do computador. Agora só tinha de ter em conta dois locais, um era a casa de Nadya, outro era o castelo, por isso a vida era calma passei o serão a jogar xadrez, poker e na conversa, e a ajudar Kra no desenvolvimento de um projecto muito estranho, a redução de seres, animais a tamanho de brinquedos. Estávamos cada vez mais íntimos, eu gostava cada vez mais dela, algo que eu nunca sentira por ninguém. Conversávamos muito, mas nunca tocávamos no passado.
O projecto dela ia de vento em poupa. Já conseguira modificar e reduzir as células de um rato morto, até terem o tamanho de uma borracha, o próximo teste seria com um gato vivo.
Os dias passaram; era o dia D, finalmente, e eu estava bom, mas Kra continuava a tratar-me com cuidado. Doz transmitiu a mensagem para que, por volta das duas da manhã, fôssemos até ao pé do castelo. Foi uma enorme espera. Preparámos as armas, decidimos pormenores, e preparámo-nos para partir. Por volta da meia noite largámos de carro até ao pé do castelo, escondemos o carro numas moitas e esperámos pela companhia E, enquanto esperámos demos palpites a propósito do nome da companhia ser E, mas nenhum nos parecia ideal. Chegou a companhia e eu aproximei-me de Doz. Seguimos até perto do poço, pressionámos o terceiro tijolo e entrámos. Éramos cerca de trinta, ao todo; dentro de poço encontramos as escadas e descemos por elas. Eu ia à frente, com Doz. Cheguei à primeira porta, no fundo do poço, era blindada, mas estava aberta. Abri-a com cuidado, enquanto rezava para que não fizesse barulho, mas não rangeu. Lá dentro era o vestiário. Seguimos para a porta, ao fundo desta sala, de lá avistei cerca de vinte pessoas. Demorei um pouco a perceber o que se passava, mas finalmente percebi; lá estavam os guardas, alguns cientistas desaparecidos, que estavam com correntes, e outros, de livre vontade a trabalhar. Lá dentro era um verdadeiro antro, havia seres mutados, e uma espécie de novas criaturas era explorada ao fundo da sala. Pareciam Homens super musculosos, mas tinham uma pele esbranquiçada, não percebi o que eram. Transmiti o panorama à companhia e decidimos entrar de rompante e disparar contra os guardas. Eu abri a porta e rapidamente dez soldados entraram, e imobilizaram outros tantos, mas alguns conseguiram escapar para outra sala. Os cientistas aprisionados foram levados para fora por uma parte da equipa, enquanto que eu e alguns colegas seguíamos os outros. Uns já se tinham rendido, eram agora pouco mais que cinco os fugitivos. Numa corrida de maior esforço, eu consegui alcançá-los antes de fecharem a porta e disparei três tiros, dois dos quais atingiram os alvos, e mais dois caíram. Continuaram os outros a correr, eu passei por cima dos corpos inertes no chão e segui, restavam dois guardas em fuga e um cientista,. Então, encontraram uma porta que estava trancada e enquanto um guarda tentava abri-la nós chegamos perto deles. Eu gritei em Italiano para se renderem e então o cientista virou-se para mim: era Evi. Fiquei como que paralisado, ele levantou o braço com uma Eagle e atingiu-me no ombro, mas foi só de raspão. No momento seguinte ele foi bombardeado com umas dez salvas de tiros, eu comecei a ficar com o braço dormente e então apareceu Kra que me pôs a mão sobre o ombro, e quase a chorar, me perguntou se eu estava bem. Tranquilizei-a e dei-lhe um beijo na testa, ela abraçou-me, estivemos ali até que Doz apareceu , queria falar comigo:
- Noa, não sabemos se é realmente o Evi, temos que fazer umas análises clínicas e ver o que se passou, quanto ao que vocês imobilizaram quando chegou á base ... expirou, assim que tentámos reanima--lo, talvez fosse um clone. Foi um grande erro mandá-lo para aqui, sabíamos que ele tinha ligações com Itália, mas não que eram tão extensas. Olha tu és muito necessário a tentar perceber o que se passa aqui, mas se necessitas de descansar, vai, leva a Kra contigo e segue para um iate que está á vossa espera em Capo d Orlando. Escolhe.
Muita coisa estava baralhada no meu cérebro. Pior era mesmo saber o que eles andavam a tramar. Decidi ajudar um pouco, e depois partir assim que pudesse. Descobrimos que eles andavam a criar homens capazes de resistir a balas, com ossos de uma liga mais dura que o aço, e tendões de diamante, controláveis através de um chip no cérebro. Havia já dois exemplares quase prontos, eram perfeitas máquinas de matar. O pior é que este projecto fora desenvolvido por uma coligação de tríades, mafias e "gangs" de todo o mundo. Foi ainda descoberto no bolso do pretenso Evi uma lista de todos os laboratórios que faziam o mesmo e onde se situavam, era uma ajuda, pelo menos nisso, ele ajudara. Com a descarga de electricidade a que fora sujeito a quando do disparos, ele morreu, mas agora a prioridade era destruir o laboratório e assim foi feito. As memórias de todos os participantes foram apagadas e dadas outras novas, tal como a Nadya, fizeram-na esquecer tudo quanto vira. Quanto ao laboratório, esse explodiu, com uma tonelada de explosivos e C29. A Policia pensou que era um depósito de armas da mafia, prendeu Faviola, que denunciou Cortizzione, mas morreu na prisão antes de testemunhar, com uma corda atada ao pescoço, chamaram-lhe suicídio, mas eu apostava a minha mão como foi homicídio. Eu e Kra decidimos... namorar, digamos assim. Dentro da GGP, somos felizes. E afinal não me enganara ela era Russa, chamava-se Andrea Krunova, agora é simplesmente Kra. Ficou provado que nenhum dos corpos que apanhamos coincidia com o de Evi, eram meros Clones, perfeitos digamos, mas lá descobriram que eram apenas cópias. Não sabemos onde ele pára, mas pelo menos estou preparado para o encontrar numa próxima.
Kra terminou o seu projecto, criou o seu primeiro animal reduzido, um gato, que cabe na palma da mão, o seu nome é Dot, por ser pequeno, é amoroso.
A invenção foi enviada a Doz que ficou contente com mais uma descoberta, pode vir a ser proveitosa, vamos ver como virá o futuro.
Outras aventuras nos esperam, mas isso fica para outra vez.

Autor: Simão Ferreira



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