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Genoma Humano 2002 - Escola Secundária Henriques Nogueira
 
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Genoma Humano 2002


Conto - ... Quase Perfeito
Escola Secundária Henriques Nogueira

Agora sim, tenho calma e paz para poder contar a minha história, a nossa história, a história da humanidade, para que as gerações futuras nunca se esqueçam que sempre se passou por tempos difíceis, uns mais que outros é certo, mas que sempre lutámos, e sempre lutaremos enquanto há vida. Nunca nos deixaremos derrubar pela palavra morte, essa não existe no nosso vocabulário, e não nos tentem dizimar, pois nós somos homens e mulheres que lutamos contra tudo e contra todos, contra um ser “ invisível” por mais minúsculo que seja quando comparado a nós, mesmo que ele aparentemente seja mais forte.
Nunca se esqueçam, a união e o amor à vida é a força mais forte que pode existir em todo o mundo e, em todos os tempos.
Tudo começou no ano 2020, mais precisamente a 2 de Janeiro. Nesse dia a contagem decrescente da fase mais negra e mais cruel de toda a história da humanidade começou.
Tinham acabado as férias, como tal voltei para o meu trabalho na Universidade de Aveiro; era professora e responsável pelo Laboratório de Investigação Genómica. Enquanto me deslocava para a Universidade, ouvi no rádio que tinha caído um meteorito, com alguma dimensão no sul da Alemanha e que, estranhamente, só tinha provocado alguns estragos materiais, mas nada de importante. Estranhei...
No dia 4 de Janeiro quatro habitantes da aldeia que se localizava mais próximo do local de queda do meteorito entraram de urgência no hospital, com sintomas estranhos, nunca antes vistos e cobertos por chagas em todo o corpo. Entre o dia 4 e dia 7 todos os habitantes dessa aldeia estavam internados com os mesmos sintomas; todos acabaram por morrer mais ou menos 6 a 7 dias após os primeiros sintomas.
O pessoal médico e auxiliar estranharam, por não saberem o que se passava, que doença seria aquela que dizimara uma aldeia inteira, matara novos e velhos, homens, mulheres e crianças, num espaço de poucos dias. Qual seria a sua origem?
Nunca imaginaram, é certo, ou talvez nem quisessem pensar, qual era a verdadeira causa, mas mais tarde iriam descobrir a verdadeira origem de tal massacre.
Tão estranhamente como apareceram também nunca mais houve notícias de novos casos; acabou por cair no esquecimento – até ao dia 2 de Março.
O meteorito, nesse espaço de tempo, devido às suas dimensões, aos poucos estragos causados e à sua estranha beleza exterior, tinha viajado por quase meio mundo, pois suscitava nos cientistas dos vários ramos da ciência e dos quatro cantos do mundo imensa curiosidade, pois queriam descobrir que “objecto “ era aquele, tão parecido com tantos outros, mas, no entanto, inigualável.
E foi por esse meio mundo que percorreu que começaria a deixar o seu rasto, um rasto de medo, um rasto de desespero, um rasto de incógnita, um rasto de ... morte. As vítimas que se contaram até 13 de Maio foram tantas que até custa imaginar quantas vidas foram ceifadas a meio, a princípio e outras, quase no fim.
Os “ donos do mundo “ começaram finalmente a preocupar-se, principalmente com as suas vidas, que neste momento já estavam em risco, pois já não eram só os pobres, os mendigos, que estavam a ser devastados. Todas as classes sociais estavam a ser afectadas e isso inquietou-os de tal modo que declaram estado de emergência global.
Embora fosse óbvio que o problema estaria relacionado com o meteorito, ninguém parecia querer admiti-lo, principalmente aqueles que julgavam que a Terra era o único ponto do Universo onde existe qualquer que seja a espécie de vida. Por outro lado, quem apoiou desde sempre a Teoria Cosmozóica estava muito interessado no meteorito. Eram uma pequena minoria que não deixara de acreditar que a vida ter-se-ia originado no espaço, mas, como é lógico, importavam-se mais com o facto de poderem provar a sua teoria, e o seu nome ficar na História do que ajudarem na resolução deste problema.
Eu sempre acreditei nesta teoria que tem algumas limitações, mas este meteorito iria dar mais ênfase à minha opinião sobre a Origem da Vida. Aliás surgia agora a oportunidade, iríamos provar que estávamos certos, mas começava também a suspeitar que o meteorito era fonte de vida mas também e, infelizmente, fonte de morte.
A Universidade de Aveiro era muito prestigiada a nível Europeu e como tal tivemos ( eu e mais três investigadores ) a oportunidade de poder estar em contacto e estudar o, que eu suspeitava, tão temível meteorito. Estar em contacto com esse meteorito era uma oportunidade única, talvez por ser adepta da Teoria da Panspermia, não sei, só sei que algo me dizia que naquele meteorito existia vida, ou melhor dizendo, existia morte.
Ninguém, até aquele momento, tinha conseguido provar que era realmente o meteorito a causa de tantas e tantas mortes que continuavam a ocorrer sem que ninguém as conseguisse travar. Nem as autópsias davam respostas aos vivos que começavam a desesperar. Como dar luta a algo que não vemos, se nem sequer sabemos que existe? Era essa a questão que predominava na cabeça de toda a humanidade naquele momento. Eu e os meus três colegas e amigos, que infelizmente já cá não estão para poder repartir da esperança que nos invade actualmente, éramos os próximos, numa tentativa desesperada de descobrir o que afinal existiria naquele meteorito, que causava tanto mal.
Após exaustivas análises efectuadas num laboratório de segurança bioquímica máxima, acabámos por descobrir minúsculas cápsulas, melhor dizendo, cápsulas microscópicas. Mandámos analisá-las em vários laboratórios de prestígio nacional e internacional, experientes em análise de vírus e bactérias. Os resultados chegaram mês e meio após a descoberta, mais precisamente no dia 16 de Agosto. Por essa altura, sem exagero, quase metade da humanidade existente na Terra tinha desaparecido; parece mentira e vai parecer daqui a muitos anos, assim espero. No Laboratório do Porto tinham descoberto que dentro daquelas cápsulas existia um ser minúsculo, talvez um vírus, talvez uma bactéria. Quem sabe? Nunca se lhe deu um nome, nem se tentou descobrir a que ser vivo nosso conhecido “aquilo” se assemelhava pois apresentava características muito primitivas, semelhantes àquelas que se julgam ter tido as primeiras formas de vida. O único objectivo importante naquele momento era travar aquela ameaça que poderia levar à extinção da espécie humana. É verdade, dois dos meus colegas de trabalho já tinham falecido nesta altura, vítimas desse ser que não dava tréguas. Na autópsia realizada aos meus colegas, nem havia rasto desse “ ser “ – seria ele o assassino perfeito ? Matava sem deixar rasto? Sim ele era quase perfeito, ele era o meu maior inimigo, o maior inimigo da espécie humana. Mas tinha de ter um ponto fraco.
De repente lembramo-nos de um facto que até então não se tinha dado grande importância - havia relatos e relatos de mortes humanas, de animais domésticos de plantas e árvores em jardins, de colheitas destruídas, mas nem uma notícia sobre mortes de animais selvagens assim como de espécies de plantas autóctones.
Afinal sempre tinha um ponto fraco: atacava os humanos, animais domésticos e plantas, mas os outros seres vivos que viviam no seu estado selvagem, embora estivessem em contacto directo com ele não eram afectados, pelo contrário, tinham alguma coisa que o enfraquecia, que o tornava menos activo e mais vulnerável. O que seria? Talvez algum gene, quem sabe, tínhamos de começar por algum lado, e foi por aí.
Após a completa descodificação do genoma Humano, alguns cientistas, com apoio de laboratórios farmacêuticos tinham-se lançado, no ano 2004, na tarefa, hercúlea e aparentemente inglória, da descodificação do genoma de todas as espécies de seres vivos existentes à face da Terra, na esperança de os patentear e conseguir, mais tarde, obter genes para as terapias genéticas de doenças como o Síndroma de Alzheimer, de Hurler, Sida, combate ao cancro; etc.. A doação de genes entre humanos não era à época muito bem aceite.
Durante dois meses realizamos estudos comparativos de mapas genéticos de todos os seres vivos na esperança de encontrarmos aquele ou aqueles genes que todos os “imunes”possuíam e que os humanos não tinham. Exigiu um estudo exaustivo, em colaboração com outros cientistas a nível mundial, pois eram muito difíceis de encontrar. Neste momento eu era a única sobrevivente dos últimos quatro que tinham estado em contacto com o meteorito.
Mas encontrámos! O gene ACG – 84!
O dia 30 de Outubro entra na História, como o dia da descoberta da salvação da humanidade. Como agradeço agora àqueles cientistas e aos laboratórios que os apoiaram! Obrigado! Nesta altura já a maioria das casas do planeta azul estão desabitadas, já não existem enormes filas de trânsito nas grandes cidades, já não há fome no mundo, já não há guerra, mas também não há música, nem sorrisos, nem crianças a brincar.
Agora há que duplicar o gene 1, 2, 10, centenas de vezes, milhares de vezes, introduzi-lo nos poucos sobreviventes, e esperar que esta mutação génica induzida pelo Homem não cause, mais um vez, o enfraquecimento da nossa espécie, como o fizemos durante o último século, com o avanço da Medicina e da manipulação genética em humanos, animais e vegetais.
Eu sei que o fim desta “ guerra” está para breve, talvez daqui a um, dois meses, ou talvez menos. Sim, ainda haverão humanos nessa altura e, na passagem para o ano 2021, irão festejar a vitória, a vitória da humanidade contra o maior e ao mesmo tempo mais pequeno inimigo que alguma vez pairou neste planeta. É certo que não verei esse dia chegar mas parto feliz por ter ajudado na descoberta da futura destruição daquele que agora me vai interromper a vida.
A todos os humanos desejo que vivam e lutem, nunca se deixem vencer, mesmo que o inimigo seja ... QUASE PERFEITO.

20 de Novembro

2020

PS: Afinal há vida no espaço ...
... e chegou à Terra vinda nos meteoritos...
... e a primeira forma de vida?
... terá vindo num meteorito?...

Autores:
Ana Gomes
Dina Sútil
Inês Fonseca
Pedro Batista
Vânia Silva



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