Conto - Rebirth - a chave da cura
Escola EBI/JI da Barranha
2002, Fevereiro
Num dia chuvoso, estava o doutor Landreau discutindo com o irmão acerca dos aspectos éticos e morais da clonagem.
Landreau disse ao seu irmão – Se o pai tivesse sido clonado seria possível voltarmos a conviver com ele, Frédéric.
- Não sei como consegues pensar num absurdo desses. Isso é impensável. - contrariou Frédéric.
- Não , eu sei que a clonagem, nos dias de hoje, não é encarada com naturalidade. Contudo, uma clonagem humana perfeita permite "obter" uma cópia exacta de um determinado indivíduo. Ou seja, o clone do pai teria as mesmas características físicas e psicológicas, teria os mesmos gostos, faria os mesmos gestos, etc - explicou Landreau a Frédéric. - Talvez tenhas razão, mas eu acho que nós deveremos respeitar as coisas como elas são e não as contrariar- disse Frédéric. Após mais alguns minutos de conversa, os dois irmãos acabaram por se respeitarem mutuamente.
2002, Março
Landreau, entusiasmado com a clonagem e tudo o que envolvesse genética, foi pensando seriamente no assunto. Apesar de preocupado com os aspectos morais e éticos manteve a ideia de que a clonagem poderia vir a ser aceite com naturalidade pela sociedade. Na verdade, achava-se capaz de clonar um indivíduo. Num congresso de médicos disse - Se o clone de uma pessoa tiver os mesmos gostos, gestos e características é normal, porque um clone não é só uma cópia física de um indivíduo. Isto é a herança da memória genética. Se um indivíduo tem por hábito coçar o olho e o seu clone faz exactamente o mesmo, estamos perante uma herança da memória genética, que pode ser bastante influenciada consoante a forma como um clone é criado em relação ao outro. Se uma pessoa antes de ser clonada gostar de cinema e admirar um actor qualquer, o seu clone vai gostar de cinema e admirar esse actor, desde que não sofra grandes alterações. Mas até que ponto vai a memória genética? É uma questão que para já permanece sem qualquer resposta já que 40% da função dos genes é-nos desconhecida. - Após o discurso, Landreau foi procurado pela imprensa e tornou-se rapidamente num dos homens mais famosos do mundo, no ramo da ciência. Os centros de biotecnologia e genética dos países mais desenvolvidos em ciência, como os Estados Unidos da América, faziam inúmeros convites a Landreau, mas este rejeitava-os todos para não abandonar o seu país e a sua família. Além disso, Landreau queria trabalhar unicamente para o seu país.
2002, Junho
Mas apesar de ser muito respeitado pela sociedade, Landreau tinha várias discussões porque era um defensor nato das suas ideias. Destas destacavam-se as discussões com o professor de História do seu filho Emmanuel, que tinha sempre médias abaixo das suas capacidades a História devido às influências do seu pai. Emmanuel discordava com o professor sempre que este tinha uma ideia contrária às do pai. Num teste de História, Emmanuel deparou-se com a questão:
"O homem é descendente do macaco. Revela algumas semelhanças físicas existentes entre eles". Emmanuel respondeu que o macaco tinha algumas semelhanças com o homem, mas que este não era descendente do macaco porque o número de cromossomas dos dois era bastante diferente. Mais uma vez, teve um desastroso resultado a História. Tudo isto se ficou a dever à genética Ter ideias algo diferentes em relação à História sobre a evolução do homem. Landreau não se dava nada bem com o professor de História do filho. As revistas de VIP´s falaram muito nisso.
2002, Novembro
Passado algum tempo Landreau estava prestes a perder o filho, que sofria de uma terrível doença genética já numa fase avançada. Pensou, seriamente na ideia de clonar o filho. Estudou a doença genética do filho e chegou á conclusão que a doença não era "clonalmente" transmíssivel, desde que, a manipulação dos genes fosse bem sucedida. Landreau achava que o clone do filho seria o próprio filho. Murmurava para si mesmo - Se conseguir realizar umas pequenas alterações o meu filho poderá voltar a viver sem esta horrível doença. Basta conseguir descodificar os pares de base que formam o DNA e obterei uma sequência perfeita do seu genoma.
Os familiares criticavam-no a propósito do pouco moral que este dava ao filho, ao que ele argumentava que dava muito apoio ao seu filho, mas na verdade não o dava. Landreau preocupava-se em clonar o filho, mas não comentava nada com ninguém. As pessoas achavam-no esquisito e desligado do que se estava a passar. Ao jantar Frédéric dizia
- Landreau, tens de dar mais apoio ao Emmanuel. Amínicamente, ele está muito em baixo.
- Mas será que a sociedade em geral aceitará isso. E a família? - pensava Landreau.
-Landreau, estás a ouvir-me? - perguntava Frédéric em voz alta a Landreau.
E situações como estas iam-se repetindo diariamente. Landreau não saía do laboratório, não respondia às perguntas que lhe eram feitas e não falava, praticamente nada, com o filho. Vivia-se um ambiente quente e frio naquela casa. Era uma espécie de aproximação de duas coisas. Era indiscritível o ambiente que reinava naquela casa. Landreau não dormia. Passava noites e dias trancado naquele laboratório desenvolvendo as suas ideias. Os familiares de Landreau chamavam os médicos, mas Landreau rejeitava realizar qualquer tipo de análises e argumentava que se sentia muito bem. A felicidade ia-se extinguindo naquela casa.
-O estudo dos segmentos do DNA tem de ser perfeito.- murmurava Landreau em tom de aviso. Mas a sua grande preocupação era a forma como a clonagem seria aceitada na sociedade. Talvez, em 2020, a clonagem fosse aceite pela sociedade. À medida que a evolução da genética evolui também tem de evoluir a mentalidade das pessoas. Mas infelizmente para Landreau, o acompanhamento das pessoas em relação à evolução da genética é uma criança que ainda não sabe falar. Landreau sabia disso, mas não desistia. Para ele, enquanto a sociedade dá um passo, a ciência dá três. Nos dias de hoje a fertilização (in vitro) não é totalmente bem aceite, quanto mais a clonagem!
-A clonagem é uma perfeita cópia de um adulto, mas em bebé. É uma espécie de transformação, mas uma transformação que torna a pessoa igual, mas com idades diferentes. - pensava Landreau.
Questionava-se, várias vezes, à cerca do que estava relacionado com a herança genética.
-Na minha adolescência, eu vivia inconformado por não ter olhos azuis. Com a modificação genética das células do DNA eu posso ser exactamente quem sou, mas com olhos azuis. É perfeito!- murmurava em tom emocionado.
Passados alguns dias, decidiu falar com o filho à cerca da experiência que tencionava fazer.
Emmanuel , como encaravas a ideia de seres clonado? – perguntava Landreau a seu filho.
-Pai, embora goste muito de ti e respeite as tuas ideias, mesmo que tivesse um clone ele nunca seria eu. – respondeu Emmanuel de uma forma muito emocionada. Após tal resposta, as lágrimas começaram a escorrer dos olhos de Landreau que passado alguns momentos retirou-se emocionado da clínica onde o filho estava internado Após a discordância do filho, só teria a hipótese de desistir de o clonar. Virou-se, então, para a cura da doença do filho. Embora a situação já não estivesse envolvida na clonagem estaria na mesma envolvida com genética já que a doença do filho pertencia ao ramo da mesma. Mas a cura era muito difícil, já que o lúpus cutâneo(da pele) em fase praticamente terminal era uma doença sem cura. Os sintomas iam-se notando cada vez mais no seu físico. Emmanuel tinha dores musculares nas articulações, tinha inúmeras dores de cabeça, fadiga extrema e o cabelo começava a cair. Uma mancha, em forma de borboleta, começava a notar-se cada vez mais no rosto de Emmanuel. A situação ia-se tornando apavorosa a cada momento. O pai ficava cada vez mais aflito e sem esperança. Interrogava-se sob a causa da doença do filho que era completamente desconhecida, mas mesmo assim sentia-se na obrigação de fazer alguma coisa. As causas podiam vir de factores genéticos, ambientais ou hormonais. A doença podia ser causada até por um vírus ou por uma luz ultravioleta. Landreau até acreditava que esta pudesse ser causada pelo consumo de drogas. No entanto, esta última causa era a menos provável para Landreau já que tinha muita confiança no filho.
2002, Dezembro
Numa noite fria e calma Landreau, sozinho, ao vasculhar o congelador encontrou um bife que tinha sobrado de uma festa realizada já há mais de um ano. Descongelou o bife e comeu-o a par de um vinho galês. Ao comê-lo, parou de repente e admirou-se do facto de o bife estar congelado lá há mais de um ano, a poucos graus a baixo de 0 e estar em perfeitas condições. Após tal admiração questionou-se a si próprio. – Será que eu poderia também congelar um ser vivo e após ser “descongelado” voltar a revivê-lo com as mesmas características físicas e psicológicas que este apresentava antes de ser “congelado”?
2003, Janeiro
Após alguns dias de muita ponderação, foi visitar o filho. Encontrou o médico responsável pelo tratamento do filho num dos corredores da clínica e conversaram a respeito da doença do filho. O médico disse-lhe que o filho tinha já pouco tempo de vida. Após tal declaração, Landreau foi falar com o seu filho.
-Emmanuel, a tua situação é algo delicada. O diagnóstico da doença é muito pessimista- disse Landreau num tom de voz emocionado
-Pai, não te preocupes, é melhor morrer do que continuar a sofrer da forma como sofro. Adoro-te, mas infelizmente não poderemos mais caminhar juntos na calçada da praia olhando o mar como faziamos dantes ou jogar aquelas animadas partidas de xadrez – disse Emmanuel como se fossem as suas últimas palavras.
-Não, ainda há esperança. A ciência tem evoluído muito. Cada dia a tua doença piora, mas a tecnologia e o conhecimento em relação à mesma avançam. Brevemente, conseguirei encontrar uma solução. Garanto-te filho!- disse de uma forma triste, mas confiante
-Obrigado pai, mas eu já não tenho força para resistir. O meu moral tem melhorado, mas não é só isso que conta para recuperar desta monstruosa doença que tanto me tem afectado, percebes?
-Sim filho, mas eu peço-te apenas um mês de esforço para estudar e planear uma solução...
-Está bem. Eu confio em ti, pai.
Após isto, Landreau atirou-se, de cabeça, ao desenvolvimento de uma técnica no sentido de recuperar o seu filho. Passou dias e noites trabalhando arduamente no seu laboratório a desenvolver técnicas que pudessem “parar” a evolução da doença do filho. Uma espécie de paragem no tempo da doença. Entendeu que a hipótese mais fiável era a criogenia. Experimentou esse processo numa galinha. Ao fim de duas semanas de experiências e estudos tentou o processo numa galinha. Examinou-a e congelou-a numa espécie de cilindro de altas pressões cheio de hidrogénio líquido, o que fez descer a temperatura perto do zero absoluto. Ao fim de outra semana descongelou-a e verificou que ela estava de perfeita saúde e de regresso ao galinheiro tinha um comportamento normal. Apresentava as mesmas características físicas que tinha antes de ser congelada.
2003, Fevereiro
Depois de ter realizado esse processo com muito sucesso “raptou o filho” da clínica onde este estava internado. Para o fazer, Landreau teve de planear uma estratégia bem definida porque a clínica, apesar de ser muito grande, tinha muita segurança e Landreau não podia tirar o seu filho de lá enquanto este se mantivesse naquela situação delicada. Para conseguir isso, falou com o enfermeiro responsável pela enfermaria onde Emmanuel estava. Convidou-o a tomar um café no bar. Enquanto esperavam pelo café, Landreau levou a sua mão suavemente ao bolso e tirou um comprimido que provoca sonolência quase imediata. Colocou-o no café do enfermeiro e após este o ter tomado «empurrou-o» para a sala de convívio onde não estava ninguém. Sentaram-se no sofá e o enfermeiro começou a mostrar um ar sonolento. Landreau retirou-se sabendo que o enfermeiro ia acabar por adormecer ali. Transportou uma maca com o filho pelos corredores da saída de emergência até ao parque de estacionamento da clínica. Deitou o filho no banco de trás do jipe onde tinha instalada uma espécie de cama. Algo atormentado com o que estava a fazer, Landreau ligou o jipe a tremer por todos os lados. Saiu da cidade e fugiu para perto da cidade de Bordéus onde tinha montada uma clínica com todas as condições necessárias para o desenvolvimento do processo que tinha planeado para curar o filho.
Após chegar à sua clínica ajustou um cilindro fabricado e testado por potentes computadores. Calculou as pressões, a quantidade de hidrogénio e todos os pormenores relativos ao processo. Baptizou o cilindro de Rebirth, porque tinha esperança que o filho se iria curar e voltar a levar uma vida saudável e normal. Anestesiou o filho e colocou-o no cilindro, cuidadosamente, como uma mãe que coloca o filho no berço. Fechou o Rebirth e este começou a diminuir a temperatura no interior gradualmente e a aumentar a pressão. Virou costas ao cilindro, benzeu-se e fez uma pequena oração para que o processo corresse bem. Saiu da clínica pela porta de trás para que ninguém o visse e dirigiu-se lentamente a uma capela. Entrou, dirigiu-se ao altar e começou a rezar pelo filho. Landreau, que era um cientista, que não ligava muito aos aspectos religiosos, passou de uma forma radical a ser um religioso nato aquando da doença do seu filho.
Após o filho entrar em estado de criogenia, começou a estudar tudo o que estivesse relacionado com a doença. Pesquisou livros sobre a Lúpus, mas tinha receio de ser acusado, pela polícia, de rapto do filho. Ninguém tinha notícias do filho e Landreau fingia também não as ter.
2003, Maio
Passado semanas, Landreau foi detido pela polícia porque era o principal acusado de rapto do filho. Sentiu que poderia ser o carrasco da genética se descobrissem o que estava a fazer com o filho, mas sabia que se tudo acabasse bem seria um verdadeiro ponto de viragem da mesma. Ele sabia que mais tarde ou mais cedo iria descobrir a cura da doença mas só o poderia provar quando o processo estivesse todo concluído. O julgamento foi difícil, mas Landreau foi ilibado por falta de provas. Passava por dificuldades extremas mas superava-as de uma forma corajosa.
2020, Abril
Em 2020 já se tinha descoberto a cura para a SIDA e já se tinha realizado o primeiro clone humano. Landreau já tinha descoberto a cura para o Lúpus. Os seus conhecimentos estavam ao nível dos do realizador do primeiro clone humano e dos do descobridor da cura para a SIDA.
2020, Maio
Chegado o grande dia, Landreau aumentou a temperatura e diminuiu a pressão. Cerca de duas horas mais tarde Emmanuel acordou. Era como se tivesse renascido, cerca de vinte anos congelado voltava agora à vida, mas sofrendo na mesma de Lúpus. Este acontecimento era absolutamente indescritível. Esta já não era problema para Landreau já que sabia a cura para a mesma. Um simples antibiótico capaz de produzir Dnase1 nas células tomado duas vezes ao dia durante um mês era a cura certa para a Lúpus. Este antibiótico tinha sido descoberto por Landreau.
2020, Junho
Concluído todo o enredo e com Emmanuel curado, Landreau apresentou a potente máquina Rebirth ao mundo e a cura da Lúpus. A Rebirth revelou-se assim uma forma de curar as pessoas de uma forma bastante controversa, mas fantástica. A utilização desta máquina requeria uma enorme coragem por parte dos pacientes. Esta máquina permitiu que a genética avançasse curando assim pessoas que sofriam de uma determinada doença genética antes da descoberta da sua própria cura. A Rebirth passou a integrar também o ramo da Genética. Landreau ganhou o prémio Nobel da Genética. Revelou-se o homem mais importante de sempre na Genética. Em 2020 a Genética era fortemente evoluída e a sociedade via-a de um modo perfeitamente normal. A cura de Emmanuel e a realização do primeiro clone humano foram os feitos mais importantes do século XXI.
A genética era muito evoluída e para os mais religiosos tomava já parte de Deus.Era já possível criar pessoas sem dificuldade. A genética em 2020 era uma verdadeira maravilha para a humanidade.