Grande Prémio Ciência Viva Montepio 2015

Manuel Paiva


 

Manuel Paiva é natural do Porto, onde nasceu a 7 de Janeiro de 1943. Fixou residência em Bruxelas em 1964. Licenciou-se e doutorou-se em Física na Universidade Livre de Bruxelas (ULB), respectivamente em 1968 e 1973. Foi professor de Física na Faculdade de Medicina nessa mesma universidade e director do Laboratório de Física Biomédica. Participou em dez missões científicas espaciais, pertenceu a comissões de avaliação de projectos na Agência Espacial Europeia (ESA) e presidiu ao Fundo Educativo da Estação Espacial Internacional.

Ao terminar a licenciatura, em Física teórica, decidiu enveredar por uma carreira em que pudesse aplicar de forma mais concreta o seu trabalho de investigação e por isso enveredou pelo recém-criado domínio da Física Biomédica. Após o doutoramento, em 1973, continuou a desenvolver o seu trabalho na ULB, estudando o transporte de gases no pulmão e criando colaborações com os melhores institutos de investigação desta área na América do Norte.

O estudo do sistema cárdio-respiratório em condições de imponderabilidade foi um dos focos das missões espaciais em que participou, como a missão Neurolab. O Laboratório de Física Biomédica, de que foi director, participou na concepção e aplicação de um aparelho de análise da respiração dos astronautas. Este aparelho foi usado em inúmeras missões espaciais, por exemplo a de John Glenn, o primeiro astronauta americano em órbita, quando regressou ao espaço aos 77 anos de idade.

O interesse por este tema de investigação está na origem de um dos seus livros mais conhecidos de divulgação científica — Como Respiram os Astronautas, Gradiva, 2004 —, sobre os bastidores da investigação científica, tratada como uma aventura particularmente emocionante. É também neste livro que Manuel Paiva defende de forma muito assertiva que a prosperidade das nações assenta na capacidade intelectual e criativa das novas gerações – uma capacidade dependente acima de tudo da competência dos professores e do apoio de uma sociedade cientificamente culta. Foi esta uma das razões que levou a que, ao longo de todo o seu longo percurso académico e científico, Manuel Paiva tenha sempre dedicado uma atenção muito especial ao papel dos professores e da escola na formação da cultura científica. 

    

Nas suas vindas a Portugal Manuel Paiva tornou-se uma presença regular nos Centros Ciência Viva, em particular no Pavilhão do Conhecimento, e nas escolas portuguesas. Desloca-se por todo o país para atender, dentro do possível, aos pedidos de professores que o convidam e das escolas na sua “lista de espera”.

Dos projectos com escolas e de divulgação científica realizados em Portugal destacamos em 2004, Os Desafios, e em 2005, Ano Internacional da Física, A Física em Desafios. Os alunos criaram experiências para testar as Leis de Newton na escola e os vídeos que realizaram encontram-se disponíveis em www.cienciaviva.pt/desafios/. Estes projectos envolveram um grande número de escolas portuguesas e foram apoiados pela Agência Espacial Europeia (ESA),  que convidou os alunos portugueses com os melhores trabalhos a visitar o Centro de Teste de Satélites (ESTEC) em Noordwijk, nos Países Baixos.

Ainda em 2005, criou um conjunto de experiências didácticas sobre as leis de Newton para os astronautas na Estação Espacial Internacional. Estas experiências, realizadas no Espaço e nas escolas europeias, deram origem à série de DVDs Newton in Space, que foram distribuídos em toda a Europa. Um dos vídeos contém experiências realizadas pela Escola Secundária da Amadora.

Manuel Paiva foi condecorado em 2005, Ano Internacional da Física, juntamente com outros professores e investigadores, pelo Presidente da República, Jorge Sampaio, com o grau de Grande Oficial da Ordem do Infante D. Henrique. A distinção justificou-se pelo "esforço de físicos portugueses, investigadores, divulgadores, professores, e coordenadores de projectos de grande impacto, que, ao longo das últimas décadas, se têm empenhado e destacado na criação de condições para uma melhor prática da investigação e da formação em física em Portugal".

A partir de Bruxelas, Manuel Paiva acompanhou sempre com um olhar atento e crítico o desenvolvimento da ciência e da cultura científica em Portugal. As suas reflexões têm sido expressas em inúmeras entrevistas nos media e por exemplo no livro de que é co-autor, com Mariana Pereira – Diálogos sobre Portugal (Livros e Leituras, 1999).

Jubilou-se em 2008, continuando activo e incansável na escrita e na promoção da cultura científica. Sendo a Ciência Viva o ponto de contacto nacional da ESA para a educação desde 2013 – através da assinatura do contrato ESERO Portugal – Manuel Paiva tornou-se uma figura ainda mais presente na educação espacial. É Presidente do Júri do CanSat Portugal, competição para escolas na área da educação espacial e Presidente do Conselho Científico do Centro Ciência Viva de Tavira, cidade onde reside quando está em Portugal.

 

 

Principais fontes

Missão na Estação Espacial Internacional
http://www.nasa.gov/mission_pages/station/research/experiments/107.html

Gazeta de Física
http://gazetadefisica.spf.pt/magazine/article/763/pdf

Entrevista,  Expresso
http://nautilus.fis.uc.pt/cec/arquivo/Nuno%20Crato/1998/19981212%20Um%20f.pdf

Entrevista, Página da Educação
http://www.apagina.pt/?aba=7&cat=124&doc=9479&mid=2

 

 

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