Grande Prémio Ciência Viva 2014

Jorge Américo Rodrigues de Paiva

 

 

Jorge Américo Rodrigues de Paiva nasceu em 1933 em Cambondo (Angola). A enorme biodiversidade da sua terra natal terá sido um elemento determinante na sua paixão pela Natureza, algo que tem guiado tanto a sua actividade de investigação científica como a de comunicador de ciência. Recebeu já diversas distinções pelo seu trabalho académico e pelo seu empenho como defensor do Meio Ambiente. A sua paixão pela Natureza será talvez só igualável à paixão com que comunica com o público e em particular com os jovens, tendo já dado mais de 1700 palestras sobre educação ambiental. A Ciência Viva homenageia o empenho de Jorge Paiva na divulgação de ciência em Portugal atribuindo-lhe o Grande Prémio Ciência Viva 2014 no dia 24 de Novembro, Dia Nacional da Cultura Científica e do nascimento de Rómulo de Carvalho – personalidade inconfundível da comunicação de ciência em Portugal que, curiosamente, foi seu professor de Química e o marcou de forma indelével.


O seu percurso pauta-se por uma enorme curiosidade em descobrir o mundo através da botânica, tendo participado em inúmeras expedições um pouco por todo o mundo. Para Jorge Paiva os verbos “investigar” e “ensinar” são indissociáveis: não gosta de manter o conhecimento só para si, e é conhecido entre os seus antigos alunos e todos quantos têm oportunidade de assistir às suas palestras como um orador claro e cativante.


Jorge Paiva veio de Cambondo para Coimbra ainda jovem. Licenciou-se em Ciências Biológicas pela Universidade de Coimbra, e doutorou-se pelo Departamento de Recursos Naturais e Medio Ambiente da Universidade de Vigo (Espanha). A relação com a botânica surgiu pouco depois de terminar o curso, no seu primeiro trabalho no Herbário do Jardim Botânico: identificar o muito material recolhido em África que fazia parte do seu espólio. Foi investigador principal no Departamento de Botânica da Universidade de Coimbra, onde também leccionou e onde actualmente continua a fazer investigação, embora aposentado. Em Dezembro de 2013 o Jardim Botânico da Universidade de Coimbra prestou-lhe homenagem “pelo enorme contributo que tem vindo a deixar à Ciência, particularmente à Botânica, mas também à Universidade de Coimbra e ao próprio Jardim Botânico”. Esta homenagem passou pela inauguração da Sala da Cultura Científica Jorge Paiva.

 


Enquanto bolseiro do agora extinto Instituto Nacional de Investigação Científica (INIC), trabalhou durante três anos nos Reais Jardins Botânicos de Kew (na periferia de Londres, Reino Unido), considerados um dos mais antigos e prestigiados jardins botânicos do mundo. Trabalhou também na Secção de História Natural do Museu Britânico.


A sua primeira missão Botânica teve lugar em 1963: acompanhou António Rocha da Torre (considerado um dos maiores estudiosos da flora de Moçambique) na recolha de plantas em Moçambique. Durante os 7 meses que a missão durou, Jorge Paiva percorreu cerca de 30 000 km. No regresso, a missão contava com cerca de 24 000 exemplares de plantas no seu espólio.


Desde então, não parou de percorrer mundo. Orgulha-se de já ter estado em todos os continentes a recolher e a estudar plantas com a excepção da Antárctida, onde lamenta ainda não ter ido. As expedições em que participa permitem-lhe também enriquecer o seu arquivo fotográfico particular, que antes da transição para o digital contava já com mais de 35 000 diapositivos. Todas as fotografias do seu arquivo estão identificadas com o respectivo nome científico.


Recentemente, em 2013, Jorge Paiva regressou às expedições servindo de guia aos quatro documentários produzidos no âmbito do projecto “No Trilho dos Naturalistas”. Neste projecto, co-financiado pela EU/FEDER através do QREN e por fundos nacionais através da Ciência Viva, acompanha-se parte dos trajectos percorridos por outros naturalistas no início do século XX em Angola, Moçambique e São Tomé e Príncipe.


Como reconhecimento do seu contributo de uma vida para a Botânica, diversos investigadores e equipas de investigação lhe têm também prestado homenagem, dedicando-lhe o nome de novas espécies de plantas recém-descobertas. É o caso das seguintes espécies:

 

 

 

 

 


Jorge Paiva é também autor de 140 nomes de espécies de plantas.


Fez parte da Comissão Editorial e Redactorial do projecto Flora Iberica (que se dedica à actualização e síntese do conhecimento sobre as espécies de plantas presentes na Península Ibérica e nas Ilhas Baleares) e da Flora de Cabo Verde, bem como de outras revistas científicas. Colaborou também com o projecto Flora Zambesiaca (Moçambique, Malawi, Zimbabwe, Zambia e Botswana) e com o projecto Flora of Tropical East Africa (Quénia, Tanzania e Uganda).


Conta com mais de 500 publicações nas áreas do ambiente, da palinologia (ramo da botânica que consiste no estudo do pólen e dos esporos) e da fitotaxonomia. Apresentou diversas comunicações em reuniões científicas, congressos e simpósios. Coloca grande ênfase na sua actividade de comunicação de ciência: deu já mais de 1700 palestras sobre educação ambiental, e considera que a divulgação de ciência é uma actividade cívica que faz questão que não seja remunerada. No que toca à educação ambiental, distinguem-se as seguintes obras:

 

 

 

 

Os trabalhos de sua autoria e co-autoria têm recebido diversas distinções ao longo da sua carreira. No campo da taxonomia, um exemplo é o “Catalogue des Plantes Vascularies du Nord du Maroc” (uma obra de 2 volumes, num total de 1008 páginas), que foi galardoado com a Medalha de Prata pela OPTIMA (Organization for the Phyto-Taxonomic Investigation of the Mediterranean Area) como o melhor trabalho sobre Flora Mediterrânica publicado em 2003. Já no âmbito da palinologia destacam-se duas importantes distinções, a trabalhos realizados em colaboração com o corpo clínico da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra:

 

 

 

 

A sua paixão pela botânica transborda para outras áreas, que não estaremos provavelmente habituados a ver associadas à ciência. Há alguns anos decidiu reler Os Lusíadase deu por si a identificar as plantas que são referidas na epopeia. Avançou na leitura de toda a obra poética de Camões, e com base nas plantas que são referidas na obra poética e épica, consegue identificar os poemas para os quais ainda existem dúvidas sobre se terá sido ou não Camões o autor. Fez o mesmo trabalho de identificação de espécies de plantas com a leitura da Bíblia e do Alcorão, e algumas das palestras que dá actualmente versam estes pontos interdisciplinares.

 


Já há mais de vinte anos que também no Natal chama à atenção para questões ambientais: todos os anos envia a cerca de duas mil pessoas e entidades um cartão de boas festas com foco em problemas ambientais, com imagens recolhidas por si próprio nas suas viagens pelo mundo. Afirma que não só lhe dá prazer, como vários dos seus alunos são agora professores e abordam, nas suas aulas, questões das quais fala nos seus cartões de boas festas.


É membro activo de diversas Associações e Comissões de defesa do meio ambiente, portuguesas e estrangeiras. O seu trabalho como divulgador e defensor (acérrimo) do Meio Ambiente foi assinalado com as seguintes distinções:

 

 

 

 

 

 

 

 

Outra das suas grandes paixões é o ensino. Os seus (antigos) alunos reconhecem a clareza das suas aulas e a sua disponibilidade para tirar dúvidas e aprofundar matérias. Leccionou no Departamento de Botânica da Universidade de Coimbra e foi também Professor Convidado nas seguintes instituições:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Principais fontes:
Depoimento de Jorge Paiva ao Instituto de Investigação Científica Tropical:

http://actd.iict.pt/view/actd:MOJARP


Página pessoal de Jorge Paiva:

http://cfe.uc.pt/index.php?menu=18&language=pt&tabela=pessoaldetail&user=48


Biografia de Jorge Paiva no blog da Escola Sec. Santa Maria do Olival:

http://essmo-becre.blogs.sapo.pt/tag/professor+jorge+paiva