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História da Ciência Viva (1996 - 2016)

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Estágio no âmbito da Ocupação Científica dos Jovens nas Férias, [2009] (Fonte: Fotografia de Daniel Espírito Santo, Arquivo Ciência Viva).

Ocupação Científica dos Jovens nas Férias

Outra importante acção de divulgação do ensino experimental das ciências foi a Ocupação Científica dos Jovens nas Férias.

Este programa surgiu em 1997 pela mão da Unidade Ciência Viva. Tinha como objectivos principais “aproximar os jovens da Ciência, criando oportunidades de aproximação à realidade da investigação científica através da realização de estágios em laboratórios públicos e privados, centros de investigação e instituições do ensino superior”, bem como “promover o contacto entre as instituições de investigação científica e de ensino superior e os jovens do ensino secundário”1. Seriam aceites como organismos promotores da iniciativa “entidades do sistema científico nacional e empresas com projectos de I&D”, sendo que estas deveriam dispor de pessoal científico para acompanhamento dos jovens, nomeadamente de um investigador sénior doutorado.

Em 2 de Maio de 1997 foi lançado o regulamento do programa, ainda denominado de Ciência Viva nas Férias, o qual evidenciava a necessidade de aproximação dos jovens à realidade do trabalho científico e tecnológico, utilizando para tal o período de férias compreendido entre 28 de Julho e 14 de Setembro. Podiam participar no mesmo os alunos do ensino secundário oriundos de estabelecimentos envolvidos no Programa Ciência Viva, os quais seriam acolhidos por laboratórios do Estado, organismos públicos de I&D e entidades vocacionadas para a investigação científica.

A presença dos estudantes nos laboratórios teria a duração mínima de duas semanas e máxima de três, sendo que o período diário de participação de cada jovem variava entre quatro e cinco horas. A Unidade Ciência Viva auxiliava financeiramente a iniciativa atribuindo às entidades promotoras um apoio correspondente ao “montante equivalente ao total de bolsas a pagar, ao montante destinado a pagar o seguro de acidentes pessoais e ao montante equivalente ao montante destinado a cobrir despesas”2, apoio este que seria pago através de um adiantamento de 95%.

Por sua vez, as instituições científicas participantes encontravam-se encarregues de atribuir a cada estudante uma bolsa horária de 250$00, além de cobrir um seguro de acidentes pessoais. Tal como sucedia no caso do Concurso Ciência Viva, as preocupações com a avaliação e com a qualidade científica dos estágios em laboratórios eram evidentes, devendo cada entidade promotora apresentar à Unidade Ciência Viva relatórios finais de cada uma das acções desenvolvidas no prazo máximo de vinte dias úteis após a sua conclusão.

O sucesso da primeira edição levou, no ano seguinte, ao alargamento do projecto, passando este a funcionar em duas vertentes. Por um lado, ao nível da “ocupação de estudantes do ensino secundário em actividades realizadas em instituições científicas, permitindo-lhes uma aproximação à realidade do trabalho científico” e, por outro, ao nível do “reforço das equipas de monitores e animadores em museus e espaços de divulgação científica, através da integração de jovens estudantes dos ensinos básico e secundário”3. Por sua vez, em 1999 foram cumpridos dois objectivos adicionais que se prendiam, por um lado, com a diversificação do tipo de estágios, que passaram a abarcar, igualmente, espaços museológicos e, por outro, com o “reconhecimento da necessidade de alargar a oferta de estágios a alunos de áreas geográficas afastadas dos núcleos mais centralizadores da investigação científica de Lisboa, Porto e Coimbra”4.

A Ocupação Científica dos Jovens nas Férias ocupou um lugar de destaque na acção da Ciência Viva tendo ultrapassado fronteiras e contado, entre 2007 e 2009, com um programa de intercâmbio com Espanha. Na verdade, Portugal e Espanha vinham desenvolvendo acordos de cooperação científica e tecnológica desde 2003 tendo, em 19 de Novembro de 2005, assinado um memorando de entendimento para a promoção de iniciativas conjuntas tendentes ao fomento da cultura científica e tecnológica nos dois países. A Ciência Viva e a Fundación Española para la Ciencia y Tecnologia surgem como entidades responsáveis pela colocação em prática destas iniciativas, tendo assinado um protocolo, a 17 de Maio de 2007, no qual Eulalia Pérez Sedeño, Directora Geral da Fundación Española para la Ciencia y Tecnologia e Rosalia Vargas e Ana Noronha, representantes da Agência Nacional para a Cultura Científica e Tecnológica, manifestam o seu interesse em iniciar um programa comum de colaboração.

No cômputo geral, entre 1998 e 2015 a Ocupação Científica dos Jovens nas Férias contou com um total de 229 entidades promotoras que possibilitaram a realização de 5782 estágios.

 

Número de entidades promotoras da Ocupação Científica dos Jovens nas Férias



 

Referências:
1 Arquivo Ciência Viva, processo 18-2009 – Dossier 1, “Regulamento da iniciativa Ocupação Científica nas Férias 2009”, 2009, p. 1.
2 Arquivo Ciência Viva, processo 131-97, “Regulamento do Programa Ciência Viva nas Férias. Proposta de 2 de Maio de 1997”, 02-05-1997, p. 3.
3 CIÊNCIA VIVA – ANCCT. 1998, Ciência Viva. Relatório de Actividades 1998: 2 (policopiado).
4 CIÊNCIA VIVA – ANCCT. 1999, Ciência Viva. Relatório de Actividades 1999: 9 (policopiado).

Multimedia

Ocupação Científica dos Jovens nas Férias, 2008 (Fonte: Fotografia de Daniel Espírito Santo, Arquivo Ciência Viva).
Ocupação Científica dos Jovens nas Férias, [2009] (Fonte: Arquivo Ciência Viva).
Ocupação Científica dos Jovens nas Férias, 2012 (Fonte: Arquivo Ciência Viva).
Estágio no âmbito da Ocupação Científica dos Jovens nas Férias, [2009] (Fonte: Fotografia de Daniel Espírito Santo, Arquivo Ciência Viva).
Escavações arqueológicas no âmbito do estágio "Investigação Arqueológica e Paleontológica no Cabo Espichel", do Centro Português de Geo-História e Pré-História, 2007 (Fonte: Arquivo Ciência Viva).
Observação microscópica no âmbito do estágio "A Genética Vista pelos Jovens", do Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro, 2007 (Fonte: Arquivo Ciência Viva).
Estágio "Experimenta Robótica" do Instituto Superior de Engenharia do Porto, 2005 (Fonte: Arquivo Ciência Viva).
Observação de Lâminas com cortes histológicos da madeira, estágio "Trabalho de Identificação de Madeiras" do Centro de Estudos Florestais, 2003 (Fonte: Arquivo Ciência Viva).
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