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Géneros Jornalísticos


Texto preparado por Dora Santos e Paulo Gonçalves
Equipa de Editores do Projecto

A definição dos diferentes géneros jornalísticos prende-se com a natureza dos acontecimentos, com o grau da pesquisa efectuada e com o tratamento dado à informação.

Em termos muito sucintos, podemos classificar os textos jornalísticos em:

  • Géneros de banca (notícia, a síntese, a montagem)
  • Géneros de rua (relato, reportagem, entrevista, perfil, inquérito/investigação)
  • Géneros de opinião (editorial, bilhete, crónica, artigo de análise, crítica e cartas).


Não nos poderemos esquecer também da parte imagética de uma publicação, seja ela em papel ou em suporte digital. Assim, tal como os textos, são igualmente importantes as fotografias, os gráficos e as ilustrações.

Para o nosso trabalho interessa, sobretudo, dominar as técnicas da notícia, da entrevista e da reportagem. Os géneros de opinião ficarão a cargo dos especialistas nas matérias, neste caso, os investigadores.

Algumas regras que convém respeitar antes da redacção de qualquer artigo:

  • antes de escrever, documentem-se, acumulem informações precisas apoiadas em factos. Não hesitem em investigar no terreno, em vez de se contentarem tão-somente com informações livrescas;

  • não façam uma eleição prévia. Não se sabe a priori o que será importante e o que não será. Anotem tudo e, se possível, em fichas ou folhas soltas. Depois da investigação, ser-vos-á mais fácil classificar os dados relativamente a diferentes módulos, para encontrar o que de melhor se adapte aos objectivos informativos que pretendem atingir.

  • Preparem então um plano. Definam a finalidade da comunicação, determinem qual o benefício que vai ter aquele a quem a vossa informação é destinada; indiquem, numerando, as principais ideias a desenvolver; anotem brevemente a conclusão que pode ser tirada dessas ideias, a qual ocupará pouco espaço nos escritos que determinem uma decisão, mas que, no fundo, constituirá o essencial da informação que vão disponibilizar.

  • Finalmente, o momento de passar à redacção. Recordem-se de que uma boa redacção exige muitos rascunhos, durante os quais pouco a pouco as ideias principais se vão libertando do acessório.

Agora, o âmago da questão.


NOTÍCIA

A notícia é o género jornalístico por excelência. E defini-lo é, ainda assim, uma tarefa complicada. Mas vamos pôr as coisas assim: “É o género literário mais escorreito, mais descarnado, mais fortemente cingido ao puro esqueleto do facto ou acontecimento que se quer transmitir. É, diríamos, o género jornalístico mais rigorosamente objectivo no seu propósito teórico e sob o ponto de vista da aparência formal da linguagem utilizada pelo jornalista repórter” (José Luís Martinez Albertos).

Que linguagem utilizar na notícia? Que tal o conselho de Ernest Hemingway: “empregue frases curtas. Que o seu primeiro parágrafo seja breve. Use uma linguagem vigorosa sem esquecer a suavidade. Seja positivo, não negativo”. A isto, procurem escolher as palavras adequadas para os conceitos adequados; e não empreguem vocábulos pouco conhecidos, que possam confundir o leitor, nem títulos académicos.

A notícia, como informação jornalística “pura e dura”, tem de fazer ressaltar o essencial imediatamente.

Assim, a arte está em conseguir responder às seis questões fundamentais:

  • QUEM? É o sujeito da informação:
    • uma pessoa que fez isto ou disse aquilo;
    • um acontecimento (uma reunião científica, os Jogos Olímpicos);
    • um facto (um assalto, uma manifestação)

  • QUÊ? É a acção, o verbo da frase:
    • os transportes estão em greve
    • a reunião realizou-se
    • o governo decidiu
    • a equipa ganhou

  • ONDE? O lugar, o sítio, a sala, a escola onde:
    • se deu o caso;
    • foi proferida a conferência
    • aconteceu o desastre.

O “onde” é determinante, as mais das vezes, do interesse da notícia. É a chamada lei da proximidade geográfica. Se vivo em Portugal, interesso-me naturalmente mais pelas “nossas” notícias do que pelas do Azerbaijão. Do mesmo modo, existe uma lei da proximidade afectiva que, por exemplo, justificou o grande interesse jornalístico pela questão de Timor. Timor fica do outro lado do mundo (muito longe!!!) mas fica perto por se encontrar no coração dos portugueses.

QUANDO? O dia, o mês, o ano, de madrugada, de manhã, à tarde, à noite, há uma semana, anteontem, etc.

COMO? De que maneira, por que processos, como se deu?

PORQUÊ? Causas, objectivos, motivos que ditaram ou contribuíram para o facto relatado.

As respostas a estas perguntas acima enunciadas devem estar presentes nos parágrafos mágicos chamados LEAD. Estes estão para as notícias como a chave de ignição para o carro: ou pega e arranca, ou nunca mais se vai em frente. Importa, por isso, que eles contenham o cerne da informação, para depois desenvolvê-la com fluência no corpo da mesma.

E já que falamos no “corpo da notícia”, deixem-nos dar umas dicas quanto à sua construção.

Há, no meio jornalístico, uma técnica preponderante de construção de notícias, chamada “pirâmide invertida”. Esta imagem serve para reflectir a distribuição dos factos ao longo da notícia, que começa impreterivelmente pelo mais importante e encerra no menos importante.

Por outro lado, começa a ganhar espaço a técnica da “ampulheta”, cuja regra dita que o relato começa e acaba nos factos mais importantes, deixando no meio da notícia factos secundários.

Mas seja como for, é importante que a notícia se construa sobre parágrafos independentes e tão breves quanto for possível, para que se não perca nada de essencial, numa linguagem que ser quer simples e clara, concreta, concisa (a chamada regra dos três C’s).

Ah! Nunca, mas nunca se esqueçam de fazer o designado “enquadramento da notícia”, ou seja, se falam, por exemplo, da descoberta de uma nova técnica de investigação, não se esqueçam de referir o que era feito anteriormente, que tentativas se realizaram para chegar ao novo método, etc.


A ENTREVISTA

A entrevista pressupõe dois actos: o de entrevistar; e o da transcrição sob a forma de perguntas e respostas ou de relato do diálogo estabelecido entre o entrevistador e o entrevistado (tratando-se nesse caso de um diálogo espontâneo). Todavia, este diálogo deve ser orientado por parte do entrevistador para que o entrevistado não se perca em assuntos sobre os quais não foi interpelado.

Uma boa entrevista deve fazer com que o entrevistado diga algo de novo ou aborde um assunto já batido numa nova perspectiva. No fundo, o que importa é que a entrevista traga uma mais valia ao conhecimento que o público em geral já dispõe.

Importa também esclarecer que não se fazem entrevistas a propósito de tudo e de nada. Apenas importa entrevistar personagens emergentes na actualidade, protagonistas ou testemunhas de um determinado assunto ou especialistas em matérias que sejam objecto de interesse. Quando se faz uma entrevista, parte-se sempre de um determinado ângulo de abordagem que resulta de uma escolha que teve por base a consciência da importância de determinado assunto em detrimento de outros. Porém, nada impede que, durante a entrevista, o ângulo seja alterado. Isto sucede quando há uma resposta, da parte do entrevistado, surpreendente e reveladora. Mas atenção! - nunca revelem surpresa ou reajam de forma a fazer sentir ao entrevistado que ele disse algo de que não estávamos à espera. Tal pode "assustá-lo" e "retraí-lo", inibindo-o de ir mais longe e, assim, ficarmos sem aquele "sumo especial". Ora, para que o entrevistador detecte o que é ou não é inovador e surpreendente tem, obviamente, de preparar a entrevista o mais que puder. A preparação pressupõe que o entrevistador se documente sobre os assuntos e, se possível, sobre a vida do entrevistado. Assim será mais fácil fazer perguntas inteligentes e pertinentes e evitará que o entrevistador interrompa muitas vezes o entrevistado por não ter compreendido o assunto. Note-se, porém, que se surgir algum comentário ou explicação que não sejam entendidos pelo entrevistador, este deve mesmo interromper e pedir que o entrevistado explicite melhor. Se não for oportuno, deve esperar que o entrevistado termine o seu raciocínio para, de seguida, pedir que esclareça melhor.

Mas vamos por partes. Relativamente à preparação da entrevista há que ter em conta o seguinte:

  • A entrevista deve ser marcada com antecedência e deve ser confirmada. Se for possível, deve ser dito ao entrevistado que assuntos esperamos ver abordados. Assim, o entrevistador estabelece, desde já, um fio condutor e evitará que o entrevistado pense abordar tudo e mais alguma coisa. Todavia, como já foi dito, nada impede que a entrevista mude um pouco de orientação se, durante a conversa, houver algo de revelador e inovador que o justifique.

  • O local onde decorre a entrevista deve ser pensado. Normalmente, o local mais apropriado para uma entrevista é o escritório do entrevistado ou o seu local de trabalho, por exemplo, o laboratório. Todavia deve ser um ambiente calmo e até silencioso para que nada perturbe o clima da entrevista. Além disso, é importante, na definição do local, ter em conta o melhor ambiente, os melhores ângulos, etc. Por essa razão, é frequente que o repórter deixe que seja o fotógrafo a definir o local da entrevista e até a cadeira onde se senta o entrevistado.

  • O tempo de duração da entrevista depende do ângulo de abordagem dos temas. Se partirmos para uma entrevista cujo ângulo é muito aberto, esta poderá demorar uma hora. Assim, por medida de precaução, é aconselhável que a entrevista seja gravada numa cassete de 90 minutos e que o entrevistador tenha sempre pilhas de reserva. O ideal é também que haja sempre dois gravadores, pois poderá acontecer que um não trabalhe por um qualquer imprevisto. Este é, de facto, um aspecto muito importante, pois nada é mais preocupante e maçador do que chegar ao final da entrevista e concluir que o gravador não registou nada.

  • As perguntas devem estar, mais ou menos memorizadas para que a conversa com o interlocutor ganhe naturalidade e vida. Não se pretende com esta memorização que o entrevistador siga escrupulosamente a ordem das perguntas tal e qual as registou no papel. O entrevistado pode achar oportuno alterar a ordem das perguntas. Tudo depende da conversa e das declarações do entrevistado. Todavia, não deve perder de vista tudo o que pretendia perguntar inicialmente.

  • Há que ter em conta as regras da etiqueta. O entrevistado deve procurar que o entrevistador se sinta à vontade. Como tal, deve procurar que a sua indumentária constitua um factor de aceitação para o entrevistado. O que é que se quer dizer com isto? No fundo, que se deve ir para uma entrevista com a roupa que nos parecer mais adequada. Um exemplo, se calhar não será de bom tom ir entrevistar um director de laboratório com calças de ganga rasgadas e t-shirt. Todavia se a entrevista fosse a um vocalista de uma banda rock esta indumentária podia servir. Outro aspecto importante prende-se com o modo como se trata o entrevistado. Nunca se deve tratá-lo por tu, embora também não se deva adoptar uma postura muito reverencial.

Passemos agora ao diálogo:

Quando os entrevistados não estão acostumados a dar entrevistas é necessário começar por criar um certo ambiente favorável à comunicação. Assim, poderá haver um certo diálogo prévio que não tem de ficar gravado. Poderá ter a ver com os hobbies do entrevistado, com o dia-a-dia, etc, qualquer coisa que faça quebrar o "gelo" que por vezes surge pelo simples facto do entrevistado saber que está a falar para um gravador. O entrevistador nunca deve promover discussões com o seu interlocutor acerca das matérias de que este é especialista. Se porventura o entrevistador notar alguma incongruência das respostas com o que sabe ou com o que já foi dito deve formular uma nova questão onde expõe essa sua estranheza, mas não deve nunca responder com agressividade e num tom trocista.

O facto da entrevista estar a ser gravada não dispensa que o entrevistado utilize o bloco de notas. Este servirá para apontar, por exemplo, pontos chave da entrevista. Normalmente, quando os entrevistadores são experientes tendem a captar praticamente toda a entrevista no bloco e até sublinham o que acham mais pertinente. Mas não vos vamos pedir isso. Registem apenas o que acham inovador, o que acham mais importante e até o que acham que pode suscitar novas perguntas. No fundo, usem o bloco para se orientarem durante a entrevista e não com a intenção de registar tudo o que o gravador já está a registar. Já agora, para evitar situações aborrecidas, se por ventura, durante a entrevista o vosso interlocutor vos disser qualquer coisa com a indicação de que é "off the record", devem desligar o gravador e deixar de anotar. Falar "off the record" equivale a dizer "Isto não é para publicar" e o entrevistador tem o dever de respeitar esse direito do entrevistado. Assim que o "off the record" terminar, a entrevista deve prosseguir com o gravador ligado.

Por fim a redacção da entrevista

O mais importante é que o entrevistador não adultere o pensamento do entrevistado. Se se aperceber de alguma ideia que não ficou percebida, ao transcrever a entrevista para o computador ou para o papel, deve procurar esclarecê-la, consultando novamente o entrevistado. Para isso, convém guardar sempre os contactos do entrevistado. Se porém, não for possível fazê-lo, o melhor é não publicar essa ideia. É sempre preferível não publicar do que publicar errado.

Porque é sempre impossível e desnecessário escrever tudo o que o entrevistado disse, há que fazer uma selecção e uma reconstrução das respostas. Este trabalho obedece, todavia, a algumas regras, para se evitar que posteriormente o entrevistado diga: "eu não disse isso".

  • Podem eliminar-se as respostas repetidas, aquelas em que o entrevistado diz o que já disse por outras palavras. Neste caso, mantém-se a resposta que nos parecer mais clarificadora e anula-se a outra.
  • Devem condensar-se as respostas, retirando-lhes as redundâncias. O mesmo deve ser feito em relação às perguntas. Quando houver frases muito longas que na escrita se tornam confusas, há que partir as frases.
  • As respostas não devem começar pela repetição dos termos da pergunta. Por exemplo, se a pergunta for: "Quais as consequências de acção do vírus x...?", a resposta não deve ficar registada começando por "As consequências da acção do vírus x são....". Do mesmo modo deve evitar-se que as perguntas comecem por "Na sua opinião....". O leitor depreende sempre que está a ler a opinião do entrevistado.
  • Por vezes, há marcas de oralidade que na escrita são de mau tom. Devem ser cortadas ou substituídas. O mesmo deve ser feito em relação a expressões de calão e de gíria.
  • Sempre que o entrevistado não responder a uma pergunta ou a deixar incompleta pode usar-se as reticências
  • As entrevistas podem ser transcritas sobre a forma de diálogo (pergunta-resposta) ou em estilo narrativo. Neste caso devem ser contadas como se se tratassem de histórias. Normalmente as entrevistas em forma de diálogo ficam reservadas para assuntos mais melindrosos ou científicos em que se torna difícil ao repórter traduzir o que foi dito pelo entrevistado em forma de história. Note-se, porém, que as entrevistas em estilo narrativo permitem mais facilmente traçar o retrato do entrevistado, descrever as suas reacções, bem como o ambiente.
  • Como as entrevistas em forma de diálogo não permitem captar estes elementos, devem ter uma abertura. As aberturas devem apresentar o entrevistado, dizer o seu nome, a sua idade, a sua profissão e focar o ponto principal da entrevista, bem como o que a motivou.


A REPORTAGEM

A reportagem é um dos géneros mais nobres em jornalismo. É na reportagem que se evidenciam os grandes jornalistas. Alem disso, a reportagem é o género que permite uma maior criatividade, estado ligada à subjectividade de quem a escreve. No fundo, trata-se do “contar de uma história”, segundo um ângulo escolhido pelo jornalista que a investigou. Feita a investigação, o jornalista parte dos factos e constrói uma história integrando citações dos personagens que nela participam e/ou citações de documentos importantes para a validação e comprovação dos factos apresentados.

Jean-Luc Martin-Lagardette, num livro intitulado “Manual de escrita jornalística: escrevo – informo – convenço”, classifica do seguinte modo a reportagem: “É um género muito apreciado por ser um testemunho directo encenado com arte. Anima-o, dá-lhe cores, relevo, humanidade. Exige tempo e disponibilidade pois é necessário ir ao terreno. Utiliza-se o mais frequentemente possível, nem que seja para dar vida a um acontecimento que, sem isso, permanece baço e impessoal”.

Destas palavras, depreende-se que o jornalista tem de se mexer, tem de ir ao local onde os factos decorreram ou decorrem e tem de captar o que lá se passa, mantendo os cinco sentidos alerta. “O repórter é um olho, um nariz e um ouvido inclinados sobre a caneta”, diz ainda Jean-Luc Martin-Lagardette. Por isso, na escrita, deve ser usado o estilo directo, a maior parte das vezes no tempo presente, havendo referência a episódios concretos, havendo imagens, pormenores e expressões. Tudo isto é contado de acordo com a subjectividade de quem conta. Porém, a narrativa terá de ser objectiva e verídica no que respeita aos factos e aos acontecimentos.

Tal como a entrevista, uma reportagem também deve ser preparada. Até porque, uma boa e grande reportagem envolve investigação, selecção das melhores fontes, leitura de documentos, conversa com os diferentes protagonistas ou personagens envolvidos na história e exige que se capte o ambiente onde decorrem ou decorreram os acontecimentos.

Logo, nos TPC de uma reportagem há a assinalar o seguinte:

  • Investigação
  • Escolha do ângulo/tema
  • Recurso ao centro de documentação/Internet, etc.
  • Exame dos documentos vDefinição de um roteiro com os locais e as pessoas a contactar

Quanto à estrutura ou corpo da reportagem, convém frisar que esta deve ter uma boa abertura. Ou seja, deve começar de um modo que prenda a atenção do leitor. Portanto, compete ao jornalista seleccionar para o início algo que chame de imediato a atenção e que desperte a curiosidade para que o leitor queria ler e perceber o resto da história. É por esta razão que na gíria jornalística o início das reportagem é designado por “ataque”.

Geralmente os estudiosos das Ciências da Comunicação identificam três tipos de reportagem:

  • reportagem de acontecimento (Fact Story)
  • reportagem de acção (Action Story)
  • reportagem de citação (Quote Story)

A estes três modelos, vários autores como Joaquim Letria, no livro “Pequeno breviário Jornalístico: géneros, estilos e técnicas”, acrescentam mais dois sub-tipos: reportagem de prognóstico e de continuidade. São aquelas reportagens que têm a missão de manter vivo um facto relatado ou estabelecem continuidade com outros textos já anteriormente escritos, associados a acontecimentos considerados importantes.

Vejamos agora os vários tipos de reportagem, socorrendo-nos das caracterizações feitas por Joaquim Letria no livro que já indicamos:

“Na reportagem de ‘acontecimento’, o jornalista oferece normalmente uma visão estática dos factos, como uma coisa consumada. Pode dizer-se que escreve de fora do que aconteceu, é um observador que contempla o objecto do seu relato, é particularmente útil na descrição, ou seja, nos casos em que estes se apresentam de modo simultâneo e perfeito, não acompanhando a sua evolução no tempo.

Já a reportagem de ‘acção’ permite ao jornalista oferecer um tipo de relato dinâmico dos factos, seguindo o seu ritmo próprio de evolução, como se em condições porventura reais de vivência do processo de desenvolvimento da linha temporal, modelo recomendado para o exercício da narração, o que explica a sua preponderância na massa de noticiário escrito ou audiovisual.

A reportagem de ‘citação’, ou entrevista, é geralmente entendida como uma forma de entrevista jornalística. Ou seja, uma reportagem em que se alterna a escrita de palavras do seu autor com citações textuais de personagens interrogadas, cabendo as descrições e as narrações ao jornalista autor do texto. Assumem por vezes a forma de relatos na terceira pessoa, intercaladas com citações de frases exactas de interlocutor ou interlocutores do autor.

Independentemente desta caracterização, acontece que, muitas vezes, em histórias mais envolventes e complicadas, é difícil termos apenas um estilo de reportagem. Isto é, a reportagem de citação mistura-se com a de acção e com a de acontecimento. Nessa altura, a melhor estrutura é a que mantém as chamadas “leis da alternância”. Estas permitem construir um texto vivo e com ritmo.

Estas leis resumem-se ao seguinte:

  • alternância de planos (primeiros planos/planos gerais)
  • acções/reflexões
  • descrições/ citações
  • imagens/história
  • discurso directo/discurso indirecto
  • frases curtas/frases mais longas

Finalmente, apresentados estes três géneros jornalísticos, estamos aptos a criar um dossier.

E o que é um dossier?

Um dossier é uma pesquisa sobre um tema. Deve conter informações quentes, actuais, análises, retrospectivas históricas, mapas, gráficos, artigos de opinião escritos por especialistas, fotografias, etc.

Nos dossiers a infografia é tão importante quanto os textos. Esta ajudará a perceber os temas e as suas implicações.

Agora, vamos lá esclarecer mais três pontos essenciais, tanto para a reportagem como para a notícia:

  • O uso das siglas.Nunca se emprega uma sigla que não seja explicitada de imediato. Num texto jornalístico, a sigla é desmontada na primeira vez que é utilizada. Tomemos por exemplo a sigla DST. Esse desmontar corresponde ao seguinte “…Doenças sexualmente transmissíveis (DST)….”. Daí em diante já é possível utilizar apenas a sigla, sem pontos a separar as letras que esta integram. Ou seja, é incorrecto escrever D.S.T.
    Outros exemplo, relacionado com o IPATIMUP. Quando, num texto se empregar, pela primeira vez esta sigla, o modo correcto de o fazer é: “Instituto de Patologia e Imunologia Molecular da Universidade do Porto (IPATIMUP). Nas vezes seguintes já não é necessário desmontar a sigla nem explicar o que esta significa.

  • O uso da citação.A citação é um elemento que dá vivacidade ao texto e além disso pode ser um modo de defender o jornalista, em casos de declarações mais polémicas. Assim, o jornalista coloca na boca de quem disse o que é efectivamente importante e o que só poderia ter sido dito por essa pessoa. Também se usam citações naquelas situações em que a fonte deve confirmar o que o jornalista já disse em discurso indirecto.
    As citações devem ser escritas entre aspas e devem ser atribuídas. Ou seja, não devem aparecer citações sem paradeiro. Logo, imaginem um texto em que há uma citação qualquer. Ou o texto começa por dizer “segundo a especialista, “citação”, ou então é feita a citação e, terminada esta, há uma menção ao autora da mesma. Por exemplo: “Estamos em vias de descobrir uma cura para a sida”, é esta a grande convicção da especialista X.

  • A apresentação dos protagonistas das notícias ou reportagens. Em jornalismo não há títulos, isto é, não há Doutores, Drs., nem Engs. Todas as pessoas são tratadas pelo nome (primeiro e último ou então pelo nome com que são profissionalmente conhecidas) e são identificadas com o cargo que desempenham ou o local onde trabalham. Por exemplo, Mariano Gago, Ministro da Ciência e da Tecnologia.
    Ou
    Fernando Schmitt, especialista em biopatologia do cancro da mama, do Instituto de Patologia e Imunologia Molecular da Universidade do Porto.

Dora Santos
Paulo Gonçalves