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EPILEPSIA


Programas de televisão e discotecas podem provocar ataques epilépticos

Desde sempre o homem padece de problemas (funcionais) no sistema nervoso central. Sendo a epilepsia uma possível causa ou consequência dessa disfunção, o homem tem sido desde sempre afectado por essa doença.

Existem várias causas para a epilepsia, pois muitos factores podem lesar as células cerebrais (neurónios) ou o modo como estas se comunicam entre si. Os mais frequentes são: traumatismos cranianos, traumatismos de partos, certas drogas ou tóxicos, interrupção do fluxo sanguíneo cerebral causado por acidente vascular cerebral ou por problemas cardiovasculares, doenças infecciosas ou tumores; frequentemente, também, não existe uma causa aparente.

Uma má comunicação entre os neurónios provoca descargas eléctricas. Destas podem resultar crises epilépticas que se manifestam normalmente por convulsões com emissão de espuma da boca e incontinência urinária. Outras vezes, durante uma crise, o doente tem uma ausência de curta duração da sua actividade normal, ou ainda a percepção de cheiros estranhos, e alucinações. Dependendo das funções dos neurónios onde se dá a descarga eléctrica anormal, a crise provocada pode tomar diferentes formas.

Assim podemos distinguir dois tipos fundamentais de crises epilépticas: as generalizadas, envolvendo todo o cérebro, e as parciais, em que a descarga se limita a uma área cerebral. Dentro das crises generalizadas, as mais frequentes e conhecidas são as tónico-clónicas, também denominadas por crises de "Grande Mal". Neste mesmo grupo temos ainda a considerar as "Ausências", também denominadas por crises de "Pequeno Mal", próprias da infância. Dentro das crises parciais, existem também dois importantes tipos de crise, as parciais simples e as parciais complexas. Apesar de referirmos apenas alguns tipos de crise, os mais vulgares e conhecidos, existem muitas outras reacções às descargas eléctricas.

Existem pessoas que apesar de apresentarem crises epilépticas não são doentes epilépticos, ou seja, estas crises não são consequência de doenças cerebrais, mas de outros tipos, como por exemplo a diabetes.

Qualquer pessoa pode sofrer um ataque epiléptico durante a sua vida. Em média, uma em cada vinte pessoas tem um ataque ou uma crise isolada durante a sua vida, mesmo sem ser epiléptico.

Reconhece-se que são os doentes mais novos que têm geralmente formas de epilepsia cuja causa é desconhecida enquanto os doentes mais idosos são os que apresentam crises com uma razão conhecida.

Quando a causa da crise é identificada, a epilepsia é designada por "sintomática". Estes são apenas 35% dos casos, pois nos restantes 65% a causa não é identificada. A esta epilepsia chama-se "idiopática". Quando se suspeita da existência de uma causa mas não se consegue detectar a mesma, emprega-se o termo epilepsia "criptogénica".

Um ataque epiléptico pode ser desencadeado por mudanças súbitas da intensidade luminosa ou luzes a piscar, por privação do sono, ingestão alcoólica, febre, ansiedade, cansaço, drogas ilícitas, ou até mesmo por alguns medicamentos. É de referenciar que no Japão uma série para crianças (Pokémon) foi proibida devido às imagens intermitentes e repetitivas. Estas provocaram em várias crianças crises. Também não é a primeira vez que pessoas em discotecas têm crises devido à iluminação dita psicadélica. Supõe-se que mesmo alguns acidentes rodoviários são devidos a crises provocadas nos condutores pela alternância de cores claras e escuras das árvores plantadas nas bermas.

Para diagnosticar o tipo de epilepsia do doente tenta-se apurar a descrição de uma crise, geralmente por intermédio de alguém que tenha assistido à crise.

Durante uma crise há um aumento da actividade eléctrica do cérebro. O electroencefalograma (EEG) é bastante útil pois serve para avaliar as alterações dessa actividade.

Para alguns casos, pode-se recorrer a exames de Tomografia Axial Computorizada (TAC) ou à Ressonância Magnética Nuclear (RMN), com a finalidade de identificar a doença que causou a Epilepsia.

Esta doença não é habitualmente hereditária como também não é contagiosa.


Trabalho realizado pelo grupo da Escola Secundária José Gomes Ferreira
Apoio e revisão científica de Cortez Pimentel, Neurologista, Professor da Faculdade de Medicina de Lisboa e investigador do Centro de Neurociências de Lisboa