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Diabetes afecta 620 mil portugueses


A diabetes tipo 1 atinge 0.2 % da população, isto é, calcula-se que em Portugal existam 20 mil casos.

A diabetes tipo 2
é a mais frequente, sendo responsável por 90% dos casos (entre 500 a 600 mil portugueses).



Calcula-se que, em Portugal, existam 20 mil diabéticos insulino-dependentes e cerca de 600 mil diabéticos tratados com outras medicamentações. Estes números revelam uma doença que aumenta substancialmente com a idade em ambos os sexos, sendo caracterizada por uma perturbação crónica na produção de insulina, por parte do pâncreas. Esta anomalia causa insuficiência no metabolismo dos açúcares.


Dois tipos de diabéticos

O pâncreas humano, órgão situado perto do estômago, tem a função de segregar uma substância depois da refeição (a insulina), cuja missão é aumentar a permeabilidade das células à glicose, açúcar simples.
A falta de insulina provoca a permanência de glicose no sangue, atingindo esta taxas muito elevadas.
Os diabéticos são geralmente tratados ou com insulina (insulino-dependentes ou diabetes tipo 1) ou com outro tipo de medicação, quando o pâncreas ainda consegue produzir alguma insulina (diabetes tipo 2).

Mafalda, com 42 anos de idade, uma das muitas doentes com diabetes tipo 2, revelou que a maior dificuldade no tratamento da doença está em conseguir assumir comportamentos de auto-controlo. "A melhor forma de aumentar a adopção deste tipo de comportamento passa pela existência de bons programas de educação, assentes na boa relação entre médico/doente", disse Mafalda.
Como muitas outras pessoas com este tipo de diabetes, também ela pensava que não havia necessidade de tratar uma doença que praticamente não apresentava sintomas. Contudo, sentiu na pele as consequências por pensar desse modo: "No espaço de 6 anos tive duas tromboses, graves problemas nos olhos, que me levaram praticamente à cegueira, e comecei a ficar com as pernas cheias de derrames e varizes, devido à má circulação".
Assustada com o agravamento das consequências da diabetes, Mafalda resolveu ingressar em programas de controlo da doença.


Doença incurável

A diabetes é uma doença que, de momento, não tem cura. Mas com acompanhamento médico, cuidados na alimentação, desporto e uma atitude mais saudável em relação à vida, pode ser controlada, de tal modo que um diabético pode ter uma vida normal em todos os aspectos.


Diabetes mais frequente

A diabetes tipo 2 é a mais frequente, sendo responsável por 90% dos casos (entre 500 a 600 mil portugueses).
Esta é também conhecida como diabetes não-insulino-dependente e ocorre em indivíduos que herdam uma tendência para a doença. As pessoas com este tipo de diabetes têm, quase sempre, excesso de peso. Na maioria dos casos, os doentes são efectivamente obesos (80% dos diabéticos).
Sendo uma doença com predisposição genética, a diabetes, pode ser herdada entre familiares, passando de geração em geração.
Isto significa que, numa família, existe um ou mais genes com modificações. Estes poderão ser transmitidos de pais para filhos, dando origem à continuação da doença.


Diabetes auto-imunitária

A diabetes tipo 1 aparece geralmente em crianças ou adultos jovens, embora possa surgir em qualquer altura da vida. Neste tipo de diabetes nem sempre é possível esclarecer a causa. No entanto, na fase inicial, ou até no período anterior à eclosão, verifica-se a existência de anticorpos agressivos contra as células pancreáticas.
Por isso, esta doença é também designada por auto-imunitária, ou seja, é causada por auto-anticorpos.
Estes são produzidos pelo nosso organismo por engano, pois em vez de adoptarem um comportamento de auto-defesa têm-no de auto-agressão, destruindo as células pancreáticas.


Mudar comportamentos

A diabetes tipo 1 atinge 0.2 % da população, isto é, calcula-se que em Portugal existam 20 mil casos.
David, um jovem de 16 anos com diabetes tipo 1, contou um pouco a sua experiência: "O primeiro passo do meu tratamento, e o mais importante, dependeu exclusivamente de mim. Implicava uma alteração radical no meu estilo de alimentação e na actividade física que efectuava. Tive de começar a praticar exercício regularmente, já que este permite que o meu organismo aproveite melhor o açúcar que circula nas minhas veias."
Todos os diabéticos em situação idêntica à de David podem levar uma vida saudável, plena e sem grandes limitações. Para tal é apenas necessário que efectuem o controlo da diabetes correcta e periodicamente.
O objectivo é manter o açúcar (glucose) no sangue o mais próximo possível dos valores normais, o que pode ser conseguido através de um cuidado com a alimentação, da administração correcta de insulina e da prática regular de um exercício físico.
Se cumprirem estas regras, os doentes sentir-se-ão melhor, prevenindo ainda as complicações futuras que a diabetes normalmente acarreta. Além disso, diminuirão o risco de eventuais descompensações agudas (bruscas variações de glucose no sangue).
Em termos práticos, a alimentação aumenta o açúcar no sangue, enquanto a insulina e o exercício físico o diminuem. O bom controlo da diabetes resulta assim dos testes efectuados diariamente ao sangue (que permitem determinar o teor de açúcar) e do equilíbrio entre três factores: alimentação/insulina/exercício físico.
A investigação de doenças complexas, como a diabetes, não está muito desenvolvida. Ainda não foram esclarecidos os mecanismos de acção dos genes da doença nem o modo como as alterações desses genes perturbam a fisiologia do sistema.


Trabalho realizado por:
Escola Secundária da Baixa da Banheira
Revisto por Astrid Moura Vicente, investigadora do Instituto Gulbenkian de Ciência