Prevenção e precauções para os viajantes
Uma vez que a malária se distribui fortemente nas regiões tropicais, os viajantes devem, antes de partirem,
informar-se acerca do risco de infecção com malária nas áreas de destino. Se residem em Portugal devem consultar
um médico especialista em doenças tropicais, no Instituto de Higiene e Medicina Tropical (Consulta do Viajante),
que lhe fornecerá indicações sobre quimioprofilaxia.
Devem, também, tomar medidas protectoras para reduzir o contacto com os mosquitos, especialmente entre o
entardecer e o amanhecer, uma vez que é durante esse período que o mosquito se alimenta, havendo o perigo de
contaminação com o Plasmodium.
Assim sendo, devem:
- usar roupas que dificultem as picadas dos mosquitos;
- aplicar repelente nas zonas de pele exposta ou na roupa;
- usar mosquiteiros para dormir;
- evitar aproximar-se de riachos, braços de rios e de lagos, entre o amanhecer e o entardecer.
Uma Vacina anti-malária? Para quando?
O desenvolvimento de uma vacina contra a malária tem sido um dos grandes problemas com que os cientistas que
investigam esta doença se têm deparado.
O problema tornou-se ainda maior após a descoberta da grande resistência que o Plasmodium falciparum oferece à
cloroquina. Também já há índices que apontam para o aparecimento da mesma resistência por parte de um outro parasita
da mesma família: o Plasmodium vivax. O Plasmodium malariae e o Plasmodium ovale são parasitas
que causam menor sintomatologia.
Apesar disso, verificaram-se avanços significativos que poderão conduzir à descoberta de uma vacina. São disso
exemplo os estudos do instituto de pesquisas Walter Reed, do exército norte-americano, que alcançara bons
resultados com uma vacina experimental contra a malária. Foram injectadas três doses de vacina em sete
voluntários antes da exposição ao mosquito Anopheles, onde se aloja o Plasmodium falciparum,
causador da doença. Desses sete voluntários, apenas um ficou infectado com a malária depois da exposição.
A vacina sintética foi composta por uma proteína expressa pelos esporozoítos, ou células do parasita (cuja estrutura
foi identificada, pela primeira vez, pelo casal Victor e Ruth Nussenzweig, há mais de dez anos), e por uma estrutura
ligante que estimulou a imunidade do organismo (antigénios da superfície da hepatite B).
Segundo um porta-voz do laboratório inglês Smith Kline Beecham, "cientificamente, foi a primeira vez que uma vacina
experimental, ainda com um alto potencial para ser aperfeiçoada, alcançou semelhante grau de protecção contra o parasita
antes que este ingressasse nos glóbulos vermelhos do sangue".
Ainda a propósito da vacina, a cientista Ruth Nussenzweig, da Escola de Medicina da Universidade de Nova York,
afirmou: " Será importante determinar a eficácia do produto em pessoas que vivem em áreas onde a doença é endémica,
onde os níveis de transmissão são altos e existem múltiplas cepas do parasita". Mais uma razão pela qual demorará
ainda algum tempo até se poder falar de uma vacina que previna a malária.