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A malária:
cronologia da doença

Algumas datas que fazem a história da malária, quer em termos de descobertas científicas, medidas implementadas contra a contaminação ou outros dados curiosos:



10 000 a.C

O homem do Paleolítico convive com certos mosquitos, uma vez que existem alguns, muito antigos, fossilizados. No entanto, este dado não é suficiente para provar a existência de malária, visto não haver um fóssil de Plasmodium.


10 000 a.C

Itália e as suas ilhas são as primeiras a sofrer de malária. Para o mundo ocidental esta foi uma doença italiana. Tudo indica que a Europa foi contaminada depois da África e da Ásia.


800 a.C. - 200 d.C

Toda a Grécia antiga e todo o mundo grego sofrem de paludismo.


800 a. C

Homero morre de malária.


377 a.C

Hipocrates morre de malária.


323 a.C

Alexandre "O Grande" morre de paludismo, na Babilónia.


Ano 0

Nascimento de Cristo.


100

No começo da nossa era, médicos e arquitectos aconselham a construir nos locais altos e desencorajam os que escolhem as planícies baixas e húmidas, pois estas podem ser foco de doenças.


200 a 1400

A partir dos séc. II ou III o mundo acidental muda muito. Os tráficos comerciais multiplicaram-se no mediterrâneo. A construção de frotas e casas, a drenagem de portos e a regularização das torrentes, provocam uma desflorestação. Além disso, são criados pântanos pútridos que se transformam em focos de doenças. Verifica-se que o estado sanitário de um país bem como a comunicação entre as diferentes nações estão ligados à difusão das doenças.
É na Idade Média que os campos romanos, antes tão férteis, se tornam foco de pestilência. As grandes ilhas Sicília, Sardenha e Córsega oferecem um espectáculo desolador e permanecem, durante muito tempo, domínios de forte impaludação.


1453

Na época do Renascimento italiano a situação prevalece na mesma.


1500

Pensou-se, durante muito tempo, que o paludismo alcançara a América durante o séc. XVI (época dos Descobrimentos), mas não se pode estar seguro disso porque alguns macacos do novo mundo teriam tido malária desde há muito. Se a chegada da malária se traduz numa reinfecção, a doença espalha-se lentamente.


1600 a 1800

A Amazónia é atingida em meados do séc. XVII. Nesta época, a situação é de máxima contaminação na Europa. Até os países setentrionais, como a Holanda e a Suécia, tinham mosquitos que se foram aclimatando, contaminados com Plasmodium.


1632

Juan Lugo, cardeal espanhol, recomenda um medicamento à base de casca de quinina, conforme aprendera com os nativos peruanos.


1807

Em França, percebe-se que os pântanos e zonas pútridas favorecem a propagação do mosquito. É promulgada uma lei, pelo rei Luís XIII, que dá primazia à dissecação dos pântanos.


1820

Caventou e Pelletier isolam o quinino, substância activa da casca da quinina. A tradicional quinina dá lugar a um medicamento profiláctico e terapêutico com uma composição estável e uma posologia conhecida em breve.


1870

Vulgariza-se o uso de mosquiteiro (redes) nas zonas insalubres, devido às descobertas de Beauperthuy que associam o mosquito à transmissão da malária.


1880

Laveran, médico do exército francês, identifica, no sangue de militares, os "corpúsculos" da malária - Plasmodium.


1899

A equipa italiana de Grassi desvenda o papel vector dos mosquitos fêmeas do género Anopheles


1900

Celli procura que o quinino esteja à disposição de todos os cidadãos de zonas infectadas. Esta acção não teve grande repercussão por falta de meios.


1914/1918

Durante a guerra, comprova-se a eficácia da quinina no combate do paludismo.


1930

Injectando-se a malária no Homem, aprende-se muito sobre o comportamento do Plasmodium no sangue.
Obtém-se um novo progresso com o fabrico de um produto anti-malárico - atelarine.


1942/1945

Na Europa, progride-se muito mais na investigação de tratamentos para a malária do que no Estados Unidos. Isso verifica-se durante a segunda guerra mundial. Os exércitos americanos têm uma mortalidade considerável por paludismo, pois não têm acesso às descobertas europeias.


1978

São assinalados, na Europa, 3875 casos de paludismo importados, de que resultam 26 falecimentos.



Após vários progressos e tentativas de erradicação da malária na Europa, a doença persiste, porque vários novos casos de malária são importados através de viagens exóticas. A Europa continua a não estar preparada para lidar com esta situação.


Trabalho realizado pelo grupo da Escola Secundária Henriques Nogueira
Apoio e revisão científica de Virgílio do Rosário, investigador do Centro de Malária e Outras Doenças Tropicais