Aquecimento Global: a caminho da autodestruição ou da Engenharia Climática Planetária?
Aquecimento Global: a caminho da autodestruição ou da Engenharia Climática Planetária?
RICARDO AGUIAR
Ricardo Jorge Frutuoso de Aguiar é licenciado em Física (Ciências Geofísicas) e doutorado em Física (Meteorologia), tendo trabalhado em múltiplas áreas de contacto entre a Geofísica, a Engenharia e a Tecnologia, com realce para o desempenho de sistemas de energias renováveis (solar, eólica, ondas) e a eficiência energética em edifícios. Adquiriu também larga experiência em modelação e cenarização sócio-económica e tecnológica, no contexto de estudos de prospectiva energética e de impacto, adaptação e mitigação das alterações climáticas.
Da sua carreira profissional destacam-se, ao nível académico, várias posições como Assistente Universitário e tutor de cursos de Especialização, Pós-graduação e Mestrado,assim como a orientação de Teses e a publicação de numerosos artigos científicos
No entanto, a maior parte da sua actividade tem sido desenvolvida como Investigador no Departamento de Energias Renováveis do INETI, onde colaborou e orientou Projectos nacionais e internacionais nas áreas de climatologia aplicada já mencionadas.
Em 1985 publicou com Filipe Duarte Santos os primeiros trabalhos na área das alterações climáticas em Portugal e, desde 2001, tem intensificado a colaboração e a actividade nestas temáticas. Com mais relevo citam-se as vertentes de Cenários e de Energia nos Projectos SIAM I e II (estudos multidisplinares integrados sobre impactos e adaptação em Portugal continental), no Projecto 2-FUN (Clima e saúde humana), no Projecto CLITOP (clima e turismo), a coordenação do estudo similar ao SIAM para a Madeira (CLIMAAT II) e mais recentemente para o município de Sintra; e a autoria do modelo MISP, um modelo integrado de actividade sectorial, energia e emissões em Portugal que permite cenarizar trajectórias de emissões de GEE nacionais até 2070.
Na Fronteira da Ciência - 18 Jun. 2008
Aquecimento Global: a caminho da autodestruição ou da Engenharia Climática Planetária?
As alterações climáticas provocadas pela Humanidade já não se limitam a fenómenos locais ou regionais como o smog e as chuvas ácidas. Alcançam agora todo o Planeta: redução da camada de ozono estratosférica, aquecimento global, acidificação dos oceanos. Isto parece provar a nossa ignorância e irresponsabilidade face aos complexos equilíbrios ambientais, o que acabará por conduzir à catástrofe esta nossa sociedade global que tem vindo a ser desenhada desde o Renascimento. Parece que as mudanças ambientais já várias vezes tiveram esse efeito na História, desde a Mesopotâmia à Civilização Maia.
Se a degradação da camada de ozono com radiação UV mais intensa se manifesta especialmente em zonas circumpolares ainda bastante remotas, já o aquecimento global atinge a maior parte da população. No Mundo e em Portugal os impactos do aquecimento ainda modesto registado no século XX já são visíveis. Guerras como as do Darfur ou mesmo da Palestina podem ser interpretadas já como guerras ambientais. Ora os impactos que se avizinham são muito maiores – e em parte substancial inevitáveis. Por um lado porque não é possível alterar bruscamente a maneira como a Humanidade usa a energia e os recursos naturais, de maneira a cessar rapidamente a emissão de gases com efeito de estufa. E, por outro lado, porque mesmo que isso fosse exequível já não reconduziria à situação anterior à Revolução Industrial, devido à existência de grandes inércias e à perturbação entretanto já introduzida nos sensíveis equilíbrios dos reservatórios de carbono na Biosfera, Atmosfera e Hidrosfera.
Contudo, outras civilizações da História conseguiram mudar e assim ultrapassar crises ambientais, como o povo Chumash da Califórnia. A nossa própria sociedade já mostrou alguma eficácia, ao conseguir conter e, cremos, reverter a degradação da camada de ozono. Podemos ver isso como um primeiro êxito de engenharia climática planetária. O aquecimento global é um desafio mais sério, pois envolve mais actores, toca em controversas questões de equidade internacional e exige uma mais aguda consciência da responsabilidade de cada geração com as seguintes. Em todo o caso as abordagens de ataque ao problema concorrem com outros objectivos identificados como necessários à sustentabilidade, desde a conservação da biodiversidade à segurança do abastecimento energético, da redução da poluição ao desenvolvimento humano justo. Melhoria de comportamentos, de regulamentos e de tecnologia formam um triângulo virtuoso que permite ter esperança no sucesso.
Estamos realmente nas fronteiras da Ciência quando para fundamentar e tornar operacional no concreto a mitigação das alterações climáticas necessitamos perspectivar o que irá suceder – através da prospectiva quantitativa, que recorre à complexa modelação de milhares de aspectos do futuro, do Clima à Sociedade e à Tecnologia. E é mesmo tentar ultrapassar os limites ao considerar que algumas das ambiciosas soluções técnicas que vamos adoptar, como o sequestro de carbono em formações geológicas, poderão um dia servir-nos para estabilizar o Clima face às flutuações cíclicas da actividade solar e às variações astronómicas lentas da órbita da Terra. Ou mesmo ensinar--nos algo sobre como “terraformar” a atmosfera dos planetas Marte e Vénus!
Ensino Básico – 3º ciclo
Disciplina: Ciências Naturais
Ano escolar: 8º ano
Tema: Sustentabilidade da Terra
Disciplina: Geografia
Ano escolar: 9º ano
Tema: Ambiente e Sociedade
Conteúdo conceptual: Ambiente e Desenvolvimento Sustentável
Ensino Secundário
Disciplina: Geografia A
Ano escolar: 10º ou 11º anos
Tema: Portugal – Potencializar os recursos, promover o desenvolvimento
Conteúdo conceptual: Os recursos naturais de que a população dispõe: usos, limites e potencialidades
Disciplina: Biologia e Geologia
Ano escolar: 10º ou 11º anos
Tema II: A Terra, um planeta muito especial
Conteúdo conceptual: A Terra, um planeta único a proteger
Disciplina: Geologia
Ano escolar: 12º ano
Conteúdo conceptual: O Homem como agente de mudanças ambientais