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Pavilhão do Conhecimento


Um Dia a Pensar na Net
 
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O melhor do Portugal digital no Pavilhão do Conhecimento, em Lisboa
Um Dia a Pensar na Net
Por ISABEL GORJÃO SANTOS
Segunda-feira, 25 de Fevereiro de 2002

As juntas de freguesia de todo o país vão poder instalar postos públicos de acesso à Internet, o Exército irá formar os seus membros em competências básicas em tecnologias de informação (TI) e algumas colectividades e outras instituições de apoio a pessoas com necessidades especiais vão também possuir acesso gratuito à Internet. Estas são as mais importantes novidades de um dia dedicado à Internet - o passado dia 16 - em que o Pavilhão do Conhecimento, no Parque das Nações, em Lisboa, foi invadido por "stands", seminários, protocolos e sobretudo visitantes à procura de saber como vai o Portugal digital. Chamada Internet.pt-Um Dia com a Internet, a iniciativa ocupou a nave principal e o auditório do Pavilhão do Conhecimento, juntando iniciativas como a Internet nas Escolas, as Cidades Digitais, vários espaços de entretenimento dedicados aos jogos, à música e à escrita com base na Internet. Um espaço relativo à administração pública, outro sobre cidadãos com necessidades especiais e ainda "stands" mais institucionais, destinados a mostrar o trabalho da Comissão Interministerial para a Sociedade da Informação (CISI), da Fundação para a Computação Científica Nacional (FCCN) e do Programa Operacional para a Sociedade da Informação (POSI) completaram esta mostra da Internet em Portugal.
A exposição foi o espaço mais animado e concorrido mas à margem dela é que tiveram lugar os acontecimentos mais relevantes do dia. No auditório do Pavilhão do Conhecimento, da parte da manhã, José Mariano Gago, ministro da Ciência e da Tecnologia, assinou vários protocolos com diversas entidades, todos eles com o objectivo de massificar o acesso à Internet e a formação em TI.
Um dos protocolos estabeleceu a parceria entre o Ministério da Ciência e da Tecnologia (MCT) e a Associação Nacional de Freguesias (Anafre). O MCT irá financiar em 75 por cento o equipamento informático necessário para que as juntas de freguesias inaugurem postos públicos de acesso à Internet e pagará também todos os custos de ligação. No total, este protocolo significa um investimento na ordem dos 9 milhões de euros (1,8 milhões de contos). A Anafre, por sua vez, disponibilizará, num "site", a informação sobre todos os postos existentes e respectivos horários e localização, enquanto o MCT se compromete a fornecer, a pedido das juntas de freguesia, a formação necessária para auxiliar os utilizadores dos postos de acesso. O horário de funcionamento destes terá sempre que abranger períodos pós-laborais ou fins-de-semana.
Um outro protocolo, entre o Exército português e o MCT, estipulou que, a partir de agora, aquele irá desenvolver um programa para a concessão do Diploma de Competências Básicas em TI às pessoas que se encontrem em serviço nas suas unidades e estabelecimentos, a começar pela Escola Prática de Infantaria. Lançado no ano passado por iniciativa do MCT, o Diploma de Competências Básicas em TI certificará que o seu titular é capaz de executar diversas tarefas num computador, pesquisar informação e navegar na Internet. De acordo com o protocolo, o MCT financiará as acções de formação e certificação. Será ainda constituída uma comissão de acompanhamento deste protocolo, cujo objectivo é avaliar os processos e analisar as possibilidade do alargamento destas acções à população civil.
O dia dedicado à Internet foi ainda aproveitado para a assinatura de outros protocolos com a Federação Portuguesa das Colectividades de Cultura e Recreio, a Federação Nacional das Cooperativas de Educação e Reabilitação de Crianças Inadaptadas (Fenacerci) e com a Associação Cais-Círculo de Apoio à Integração dos Sem Abrigo. Desta forma, serão criados postos públicos de acesso à Internet em 50 colectividades, para além da própria sede da Federação, os quais estarão disponíveis, pelo menos, 35 horas semanais, num investimento que rondará os 856 mil euros, metade financiado pelo Fundo Europeu para o Desenvolvimento Regional (Feder) e outra metade pelo MCT, no âmbito do POSI.
Por outro lado, em 15 instituições da Cerci serão também criados postos de acesso adaptados a pessoas com necessidades especiais, a funcionar entre as 8h00 e as 22h00, com o apoio de animadores que ajudarão a aceder à Net e a consultar o correio electrónico. O investimento total deste projecto é de 264 mil euros. Quanto ao protocolo com a Associação Cais, designado Projecto Ponte Digital, consistirá na criação de cinco locais de acesso gratuito à Internet - a sede da Associação Cais, Exército da Salvação, Casa do Gaiato, Ajuda de Mãe e Centro Paroquial Nª Sª da Ajuda - e na criação de um "site", o que implicará um investimento de 305 mil euros.
Com o objectivo de dotar de competências básicas em TI os alunos do 1º ciclo do ensino básico e de os levar a criar, juntamente com os professores, as páginas na Internet das respectivas escolas, o MCT assinou protocolos com as escolas superiores de educação de todo o país e com as universidades de Aveiro, Évora, Minho e Trás-os-Montes e Alto Douro. Serão estes estabelecimentos de ensino superior a dar apoio às escolas do ensino básico do respectivo distrito.
Ao visitar o Pavilhão do Conhecimento no dia dedicado à Internet, o primeiro-ministro, António Guterres, considerou que esta foi apenas "uma das muitas iniciativas". "Hoje, temos uma estratégia global, que é dirigida pelo Ministério da Ciência e da Tecnologia, no sentido de fazer com que Portugal tire, o mais rapidamente possível, todo o partido que é possível tirar das tecnologias de informação". No entanto, adiantou Guterres, o dia dedicado à Internet "foi fundamental como elemento de divulgação e de intercomunicação entre todos os que, neste momento, ao nível do Estado e da sociedade civil, estão empenhados na generalização do acesso [à Net]".
Para o primeiro-ministro, a mais importante medida tomada na área das TI foi a ligação à Internet de todas as escolas portuguesas, incluindo as do ensino básico: "Se tivesse que escolher um dado como caracterizador do avanço do nosso país, esse seria o mais significativo."
Também Mariano Gago aproveitou a ocasião para referir as iniciativas que visam generalizar o acesso à Internet: "Começámos a estender a rede às associações e agora subscrevemos um acordo com a Federação das Colectividades de Cultura e Recreio, temos dado atenção a associações e entidades de natureza social e começámos pelos cidadãos deficientes - porque considero que é onde o acesso se torna mais importante", diz. O ministro da Ciência e da Tecnologia explicou que, só para as instituições de deficientes, foi criada a Rede Solidária para acesso gratuito à Internet. "Teremos uma rede pública de acesso à Internet muito densa em Portugal e a isso soma-se a rede das estações de correios como rede empresarial de acesso", disse Mariano Gago, para quem um próximo passo poderá ser a aposta em segmentos especiais, "sobretudo para as pessoas mais excluídas".
"É preciso, depois, aliar a formação inicial à formação profissional, não só para produzir os profissionais mas também para integrar todas as pessoas", adiantou, lembrando o caso dos imigrantes dos países do Leste europeu, que, aos fins-de-semana, se juntam no Pavilhão do Conhecimento para comunicar com as famílias e ler jornais na sua língua. "Os espaços de acesso à Internet são um local privilegiado de contacto e de integração de muitos imigrantes, porque é aí que têm acesso à sua cultura, órgãos de informação e famílias".
Entre as várias iniciativas no dia dedicado à Internet, Mariano Gago destacou o protocolo com o Exército, que prevê a certificação de competências básicas em TI de todos os seus membros. "É este o caminho que deve ser percorrido por muitas outras organizações, por exemplo, pelas organizações sindicais ou pelas grandes empresas distribuídas pelo território, pois a grande batalha dos próximos anos vai ser a da formação e a da integração de camadas muito vastas da população, utilizando as tecnologias de informação como base".
Para Pedro Veiga, presidente da FCCN e gestor do POSI, a grande prioridade do momento é criar condições para a massificação do uso da Internet. "A ligação das escolas, a melhoria da rede académica, a criação de espaços de acesso à Internet (foram aprovados 145 espaços e estão actualmente a funcionar mais de 60) e a criação das Cidades Digitais foram algumas das principais apostas do POSI. No que se refere ao Programa Cidades Digitais, já foi aprovada a extensão do projecto de Aveiro, bem como o projecto de Vila Real e o de Tavira. Em fase final estão os projectos de Gaia, Évora, da Lezíria do Ribatejo e Braga. Outras candidaturas estão actualmente a ser analisadas", disse Pedro Veiga. Entre iniciativas relacionadas com a acessibilidade, com as empresas locais, com telemedicina e sempre com a modernização da administração autárquica, são várias as iniciativas já levadas a cabo no contexto das cidades digitais


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