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16-05-2016
Centros Ciência Viva: maioria dos visitantes são jovens mulheres com estudos
Ciência Viva

Não é habitual considerar os centros de ciência na referência aos estudos dos públicos que visitam os museus. Mas na verdade, a Rede Nacional de Centros Ciência Viva, que integra a moderna museologia científica, apresenta-se como um estudo de caso internacional, quer pela dimensão, quer pela sua forte ligação à comunidade científica, despertando grande interesse em diferentes públicos de diferentes formações e idades.

No Dia Internacional dos Museus, a Ciência Viva – Agência Nacional para a Cultura Científica e Tecnológica divulga o primeiro estudo nacional sobre o público dos 20 centros de ciência que constituem a sua rede disseminada pelo território continental e regiões autónomas. O estudo, conduzido pelo Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, revela dados particularmente interessantes sobre os mais de 550.000 visitantes anuais que, em média, visitam os Centros Ciência Viva em todo o país.

Ficamos a saber, por exemplo, que praticamente dois terços dos visitantes são do sexo feminino, um indicador em sintonia com a crescente presença das mulheres na ciência em Portugal - facto, aliás, celebrado numa exposição sobre as cientistas portuguesas patente ao público no Pavilhão do Conhecimento, em Lisboa. O visitante típico de um Centro Ciência Viva é português, entre os 30 e os 44 anos, de grau académico superior e profissão intelectual ou científica, com especial interesse nas áreas da ciência (69%), cultura (68%), tecnologia (67%), ambiente (66%) e sociedade (61%). Outro facto digno de nota é a recorrência das visitas, já que mais de metade dos inquiridos visitou o mesmo Centro Ciência Viva pelo menos três vezes, e a grande maioria fê-lo com a família (61%), durante um período médio de cerca de duas horas.

A preferência dos visitantes recai sobre a exploração de exposições interactivas de ciência e tecnologia (80%), onde a comunicação com os monitores é particularmente apreciada. O interesse manifestado pela visita é de tal forma elevado que 82% afirmam a sua vontade de regressar. Entre os factores de maior agradabilidade destacam-se a recepção dos funcionários (73%), a qualidade das actividades (65%) e a qualidade das exposições (64%).

A percepção do impacto das visitas parece dar força a um dos grandes objectivos da Ciência Viva ao longo dos últimos 20 anos, que é o de promover o interesse da sociedade portuguesa por ciência e tecnologia. Com efeito, para 80% dos inquiridos a visita a um Centro Ciência Viva influenciou de forma significativa o interesse e a vontade em aprofundar o conhecimento nestas áreas. Já com o grupo estudantes, e este é um dado a reter, esse interesse estende-se mesmo à motivação para prosseguir carreiras profissionais em ciência e tecnologia (68%).

Integrado nos 20 anos da Ciência Viva, levámos a cabo no ano passado um grande estudo à escala nacional, envolvendo os 20 Centros Ciência Viva. Coordenado pelo investigador José Luís Garcia, consistiu na aplicação de um inquérito por questionário, em quatro idiomas, na totalidade dos Centros. Foram inquiridos os visitantes com mais de 8 anos, nacionais e estrangeiros, tendo sido recolhidos 4 042 questionários válidos. Trata-se do primeiro estudo desta natureza realizado em Portugal.